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Weintraub vai à Câmara, mas não explica cortes

Parlamentares da oposição acham que ministro se esquivou do assunto principal.

Conjuntura / 15 Maio 2019 - 22:21

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O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou nesta quarta-feira no plenário da Câmara dos Deputados, que está disposto a conversar com todos os parlamentares e reitores das universidades. “O que a gente pede: venham ao MEC, mostrem os números. Se a gente não chegar a um acordo, a gente abre as planilhas, vê as contas. A gente vem ao Congresso. A transparência é o principal objetivo dessa gestão”.

Ele abriu as portas do ministério também para a oposição e pediu uma “abordagem racional”. “Já recebemos 50 reitores para conversar. O dinheiro é do povo, tem que ser explicado sim. Se a universidade está com dificuldade, eu me disponho a vir aqui”, disse. Ele reafirmou que o governo está apenas “apertando um pouco o cinto” para cumprir a lei do teto dos gastos públicos, aprovada pelo Congresso em 2016, durante o governo Michel Temer. “Não dá para cumprir a lei feita por esta casa se a gente não contingenciar”.

Na comissão geral no Plenário, o líder do PT, deputado Paulo Pimenta (RS), chamou Weintraub de “covarde” e disse que ele “disputa o título de pior ministro da Educação”. Pimenta afirmou que Weintraub se esquivou de falar sobre o tema da convocação: o bloqueio de recursos em universidades e institutos federais.

“Não falou sobre cortes, não justificou os critérios e não tem coragem de dizer o que ele e o presidente Bolsonaro pensam: que a universidade não é lugar do filho da classe trabalhadora”, declarou o líder.

Por sua vez, o líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO), rebateu as críticas. “O ministro tem a coragem de expor o que a esquerda fez no passado, que destruiu a educação no Brasil”, sustentou. Disse ainda que a aprovação das reformas da Previdência e tributária vão dar condições para se aumentar os investimentos em educação.

O líder da oposição, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), criticou o ministro. “Disse que ia cortar recursos de universidades com baixo desempenho, mas citou três com desempenho excelente”, apontou. Ele ressaltou que o partido entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o bloqueio de recursos e cobrou a apresentação de critérios técnicos para a diminuição dos recursos. “O povo brasileiro, em multidões nas cidades brasileiras hoje, demonstra que acredita nos livros. Repudiamos esse elogio à desinformação e queremos fortalecer as universidades”, declarou.

No Texas (EUA), onde foi receber uma premiação após ser impedido de ir a Nova York, o presidente Jair Bolsonaro atacou os estudantes brasileiros que tomaram as ruas do país nesta quarta-feira, chamando-os de “idiotas úteis”.

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