Weintraub culpa Paulo Freire por baixas notas no Pisa

Estudantes brasileiros tiraram notas baixas em exame internacional; para ministro, programa mostra a ineficiência das gestões passadas.

Conjuntura / 17:00 - 3 de dez de 2019

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O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse hoje que o desempenho abaixo do esperado do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) é responsabilidade dos governos anteriores.

"Estamos estagnados desde 2009, estatisticamente com o mesmo desempenho no Pisa", argumentou o ministro em coletiva de imprensa. "O governo do PT construiu a lápide da educação, que é o mural do Paulo Freire. Ele representa esse fracasso absoluto", acrescentou.

"Em Matemática, o Brasil ficou em último lugar na América do Sul, empatado com a Argentina. Em Ciências ficou em último lugar, também da América do Sul, empatado com a Argentina e Peru. E em Leitura ficamos à frente apenas de Argentina e Peru", disse Weintraub. "É difícil piorar porque já estamos na parte de baixo da tabela", complementou o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes.

"Nosso objetivo é mudar isso. Vocês vão ver que o ponto de inflexão será 2019, graças à nova política nacional de educação, aos treinamentos e capacitações que serão implementadas ano que vem, por meio da internet, e pela expansão do ensino em tempo integral", disse Weintraub.

O Pisa é aplicado de três em três anos anos e, a cada edição, a ênfase é em uma das disciplinas. Nesta edição, o foco é em Leitura. Em 2009, último ano, em que o foco foi em Leitura, o Brasil obteve 412 pontos. De acordo com a OCDE, o Brasil não apresentou grandes saltos desde esse ano. "Depois de 2009, na Matemática, assim como na Leitura e na ciência, o desempenho médio pareceu flutuar em torno de uma tendência estável", diz o relatório. No Brasil, metade dos estudantes obteve pelo menos o nível 2 em Leitura. Isso significa que esses estudantes são capazes de identificar a ideia principal de um texto de tamanho moderado e que podem refletir sobre o objetivo e a forma dos textos quando recebem instruções explícitas. Entre os países da OCDE, em média, 77% dos estudantes obtiveram esse desempenho.

Já os estudantes que obtiveram as melhores notas em Leitura, que no Brasil representam apenas 2%, são capazes de compreender textos longos, lidar com conceitos abstratos e estabelecer distinções entre fato e opinião, com base em pistas implícitas relativas ao conteúdo ou fonte das informações. Entre os países da OCDE, 9% dos estudantes estão nos melhores níveis.

 

OCDE - Responsável pela avaliação, a OCDE diz que a inclusão de mais estudantes nas escolas brasileiras pode ter influenciado na nota do país no Pisa. De acordo com Camila Lima de Moraes, especialista em Educação da OCDE, manter o desempenho nesse cenário de expansão de oportunidades educacionais é uma vitória para o país.

"Quando o Brasil inclui, em 2003, estudantes que já teriam saído e que agora estão na escola, eles tendem a ter desempenho pior e a diminuir a média do país no Pisa. Um cenário em que o país consegue manter o mesmo nível é uma vitória em si mesma", afirma Camila.

Para Camila, que na manhã de hoje, participou de webinário com jornalistas, a análise do resultado precisa levar em consideração a inclusão e a permanência de estudantes nos sistemas de ensino. Conforme os dados do Pisa, a partir de 2000, o Brasil incluiu mais estudantes nas escolas. Entre 2003 e 2012, o país garantiu a permanência de mais de 500 mil estudantes de 15 anos nos sistemas de ensino.

"Podemos assumir que os que estavam na escola estavam indo melhor e os que não estavam indo bem, não estavam na escola. E isso pode mascarar eventuais melhoras", diz Camila, ressalta a especialista em educação.

 

Com informações da Agência Brasil

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