Votação dos destaques atrasa e azeda humor do mercado

Sessão da Câmara que analisou possíveis alterações no texto-base começou com mais de 10 horas de atraso, já depois do fechamento.

Opinião do Analista / 11:53 - 12 de jul de 2019

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Bom dia.

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Votação dos destaques atrasa e azeda humor do mercado - Nem a expressiva vitória do governo no primeiro turno da votação da PEC da Previdência segurou o Ibov no campo positivo no pregão de ontem. A sessão da Câmara que analisou possíveis alterações no texto-base começou com mais de 10 horas de atraso, já depois do fechamento. A abertura hoje promete ser pressionada também, com a indefinição sobre a votação em segundo turno antes do recesso. O presidente da Câmara miniminou o problema da votação em segundo turno não ocorrer antes do recesso e, de fato, no andamento da reforma o impacto é pequeno, mas o mercado está de olho na reunião do Copom do final do mês e há a preocupação que a falta da aprovação definitiva na casa diminua as chances de um corte nos juros já nessa reunião. Hoje cedo saiu os números do setor de serviço que ficaram estáveis em maio na comparação com o mês anterior, interrompendo três meses seguidos de queda, mas também não expressando recuperação.

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Perspectiva de dinheiro barato segue animando mercados lá fora - A maior parte das Bolsas do exterior fechou ou deve fechar a semana em alta, na esteira da ata do BCE e das declarações do presidente do Fed no Congresso americano, dando conta de que corte de juros e outras medidas de estímulo estão no radar das autoridades monetárias na Europa e nos EUA. Hoje, dois indicadores melhores que o esperado também contribuem para o bom humor externo. Na China, as exportações caíram bem menos que o esperado em junho e na zona do euro, a produção industrial cresceu 0,9% em maio, vindo de queda em abril. Na comparação anual, a produção industrial na zona do euro ainda caiu 0,5%, mas o número veio bem melhor que o esperado. Quem destoa desse movimento positivo hoje é a Bolsa de Frankfurt, com o DAX praticamente estável, mas no vermelho, pressionado pelas ações da Daimler, que operam em queda após a empresa novamente cortar a sua projeção de lucro pela segunda vez em menos de um mês.

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Camil (CAML3) reporta resultado do 1T19 - O faturamento veio melhor que o esperado, com crescimento de 23,2% em um ano. Essa melhora reflete a incorporação do volume de vendas da SLC Alimentos, recém-adquirida, e os maiores volumes vendidos de grãos, açúcar e pescados no mercado brasileiro. Ainda assim, a companhia reportou forte pressão em suas margens por conta da menor variação de preços de seus produtos frente à variação do custo de aquisição da matéria-prima no período, fazendo o Ebitda crescer apenas 1,2%, com queda de 1,5 p.p. na margem Ebitda, que foi de 6,7%.

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BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3) desistem de fusão - Não houve acordo sobre a governança corporativa da nova empresa. Segundo as companhias, o fim dessa negociação não afetará as parcerias comerciais existentes entre as companhias e ambas irão continuar com seus trabalhos de redução do endividamento. Vale lembrar que a combinação dos dois negócios criaria uma gigante global de carnes, com receita líquida de R$ 76 bilhões, 136 fábricas e 137 mil funcionários. A BRF teria participação de 84,98% da nova empresa, enquanto a Marfrig ficaria com 15,02%. Esperamos reação negativa do mercado hoje, já que a fusão acabaria mitigando a exposição aos riscos específicos de cada proteína, pela diversificação, e traria ganhos de sinergias, em virtude do equilíbrio e complementaridade dos produtos, serviços e diversificação geográfica.

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Prévia da Tenda (TEND3) - A companhia lançou 53,6% mais nesse trimestre em relação ao 1T19, mas o crescimento nas vendas foi mais modesto, de 17,9%, com a companhia ainda sofrendo com distratos. As vendas nesse trimestre ainda vieram levemente abaixo do reportado há um ano. Para entregar o guidance de vendas líquidas, a companhia vai ter que ter um segundo semestre melhor, já que as vendas contratadas nesses seis meses correspondem a 45% do ponto mínimo da projeção. Não esperamos uma forte reação do mercado à divulgação.

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Prévia operacional da Neoenergia (NEOE3) - Ao todo, o volume de energia distribuído foi 5,4% superior ao registrado no 2T18, com destaque para o avanço na Região Nordeste, com alta de 7,7% em Pernambuco e 6,9% na Bahia. A Elektro, que opera em alguns estados no interior de São Paulo e em Mato Grosso do Sul, foi a que teve desempenho mais tímido, em razão da maior participação da classe industrial e comercial na região. Em geração, que representa cerca de 10% do Ebitda consolidado, o volume foi 4,8% menor ao registrado há um ano, com expressiva queda na produção térmica e eólica. De toda forma, os papéis NEOE3 devem reagir de forma positiva à divulgação.

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Oferta da Light (LIGT3) - Com um preço de R$ 18,75 por ação, a companhia arrecadou R$ 1,875 bilhão com a emissão. Segundo a Light, os recursos devem ser destinados ao fortalecimento e otimização da estrutura de capital, com ênfase na redução de sua dívida líquida que no primeiro trimestre chegou a R$ 8,2 bilhões, o equivalente a 3,7x Ebitda (bem próximo ao covenant de dívidas de 3,75x). As novas ações passam a ser negociadas em Bolsa na próxima segunda-feira e a liquidação fica para terça-feira, dia 16. Já a Cemig, que aproveitou a janela para vender 33 milhões de ações, arrecadou cerca de R$ 625 milhões com a oferta e teve sua participação acionária reduzida de 50% para 23%.

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Magazine Luiza (MGLU3) anuncia desdobramento de ações - Cada ação detida pelos acionista será desdobrada em oito, sem alteração do capital. A data para o split ainda não foi divulgada pela empresa.

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Estácio (ESTC3) agora é Yduqs - A alteração do nome da holding tem por objetivo facilitar a criação de novas frentes de negócios, como a entrada em novos segmentos e atendendo novos públicos. Os códigos de negociação na B3 e ADR não serão alterados.

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Bons negócios!

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Coinvalores

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