Virada importante

Rainha Elizabeth II assinou o Brexit, e agora passa a ser lei; BCE diz estar preparado para isso depois de acertos com o BC inglês.

Opinião do Analista / 11:18 - 24 de jan de 2020

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A primeira constatação que fazemos é que desde o vencimento de opções, as ações líderes do setor bancário Vale e Petrobras estavam socados. Os bancos pela concorrência patrocinada pelo BC para reduzir a concentração do setor. Vale por conta da denúncia de executivos da empresa e preço do minério em queda e

Petrobras pela próxima oferta de ações do Bndes e preço em queda do óleo no mercado internacional. Além disso, investidores buscam proteção em ativos de menor risco, com a possibilidade de epidemia do coronavírus. Mas tem sempre uma hora em que os investidores buscam pechinchas nos mercados, e ontem, no meio da tarde isso parece ter acontecido.

No cenário externo, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a política monetária estável, o que significa juros negativos em 0,50%, taxa de refinanciamento zero e compra de ativos de 20 bilhões de euros mês. A presidente Christine Lagarde falou em coletiva da fraqueza da indústria da região como empecilho ao crescimento, destacou o protecionismo comercial e está fazendo revisões na política monetária para torná-la mais eficiente. Porém, afirmou que vai manter política acomodatícia por longo tempo, até que haja sinais de inflação em alta. Advertiu países endividados da região para serem prudentes e disse que a política flexível gerou milhões de empregos. Na Zona do Euro, a confiança do consumidor de janeiro ficou estável em -8,1 pontos.

Nos EUA, o índice de atividade de Kansas de janeiro subiu para -1 ponto, de anterior em -8 pontos. O índice de indicadores antecedentes do Conference Board de dezembro foi negativo em 0,3% e os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior cresceram 6. mil posições para 211. mil, de estimativa de 215. mil pedidos.

No Reino Unido, a rainha Elizabeth II assinou o Brexit, e agora passou a ser lei. O BCE diz estar preparado para isso depois de acertos com o Banco Central inglês (BoE). No mercado, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda mais moderada de 2,70%, com o barril cotado a US$ 55,21. O euro era transacionado em queda para US$ 1,105 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,74%. O ouro operando em alta e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro teve dia de queda forte de 3,35% na China, com a tonelada fechando em US$ 93,44.

No segmento local, a virada da Bovespa para o campo positivo, coincidiu com declarações do ministro Paulo Guedes sobre a prioridade da reforma tributária para consolidar o crescimento da economia, dizendo que a ideia é ter programa de substituição de impostos e maior simplificação, sem aumentar a carga na economia.

Também falou que o Brasil teve reconhecimento na reunião de Davos, depois do inferno vivido, se referindo a alguns episódios recentes ruins e preservação da natureza.

O BC também anunciou diretrizes de endurecimento da lavagem de dinheiro, com maior cerco a políticos familiares em transações. O IPCA -15, prévia da inflação oficial de janeiro desacelerou para 0,71% (anterior em 1,15%), com a inflação em 12 meses atingindo 4,34% e a maior inflação desde janeiro de 2016. A carne arrefeceu, mais ainda fez efeito sobre a inflação. Frango subiu 4,96% em janeiro e frutas 3,98%. O etanol com alta de 4,98%. Preços livres em alta de 0,82% e administrados com +0,40%. O índice de difusão subiu para 67,7%.

A Receita Federal apontou arrecadação em 2019 de R$ 1,54 trilhão, com crescimento real de 1,69%. As desonerações do ano foram de R$ 96,5 bilhões. Os DIs mais líquidos fecharam com juros em alta e o dólar com variação de -0,21% e cotado a R$ 4,166. Na Bovespa, na sessão de 21/1, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos de forma forte com R$ 1,6 bilhão, deixando o saldo acumulado do ano negativo em R$ 8,5 bilhões.

No mercado acionário, as Bolsas das Europa já tinham encerrado quando o mercado melhorou e não capturaram. Londres fechou com queda de 0,85%, Paris com -0,65% e Frankfurt com -0,94%. Madri em queda de 0,58% e Milão estável. No mercado americano, o Dow Jones encerrou em -0,09% e o Nasdaq com +0,20%. Na Bovespa, dia de alta de +0,96% e índice em 119.527 pontos, com novo recorde de pontuação e apenas sete pontos abaixo da máxima do dia.

Na agenda desta sexta, indicadores de atividade PMI da indústria, serviços e composto para diferentes países e a continuidade da safra de resultados do quarto trimestre.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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