Advertisement

Vinícius Mesquita, inovação no cooperativismo fluminense

O historiador Vinícius Mesquita fala, nessa entrevista exclusiva concedida ao MONITOR MERCANTIL, sobre os projetos de sua chapa...

Empresas / 13 Março 2018

O historiador Vinícius Mesquita fala, nessa entrevista exclusiva concedida ao MONITOR MERCANTIL, sobre os projetos de sua chapa Geração de Inovação para o pleito de março da Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado do Rio de Janeiro (OCB/RJ). Ele relata sua trajetória no cooperativismo, o que pretende implementar com a nova diretoria e as ações para cada segmento cooperativo para o quadriênio 2018–2022.

 

Fale-nos um pouco sobre sua trajetória no cooperativismo.

Tive contato com o setor cooperativista há 21 anos, em 1997. Trabalhava como mecânico, vindo de uma família pobre. Na época estava para casar e conseguimos algum recurso para construção de nossa casa. Porém, resolvemos mudar de vida e investir em mobilidade social ao invés da casa! O movimento das vans estava tomando um vulto maior. E, como mecânico, comecei a trabalhar com eles.

Os grupos de motoristas de vans começaram a se apoiar quando o estado pensou que o melhor caminho seria organização por cooperativa. Não tinha conhecimento sobre o cooperativismo e fui ter os primeiros contatos com a OCB/RJ na ocasião. Fui aprendendo na prática, sobre construção de cooperativas, organização dos membros.

Ao longo dos anos, tivemos uma luta dura para alcançarmos a condição de sermos operadores de transporte regulamentados no Rio de Janeiro. Luta grande e injusta, pois tivemos embates fortes com as empresas de ônibus, mas com muita perseverança conseguimos nos regulamentar. Os 690 operadores desse tipo de transporte, organizados em cooperativas, estão operando até hoje, em um trabalho digno. Somos considerados nos últimos cinco anos pela Coppe/UFRJ como o transporte mais seguro do Rio.

Posteriormente, fui eleito presidente da Federação das Cooperativas de Transporte Alternativo do Estado do Rio de Janeiro. A Fecotral foi a instituição que resistiu nessa luta. Paralelo a isso, fomos organizando o sistema. Todas as cooperativas buscaram aproximação com a OCB/RJ para entender como atuar corretamente. E nessas condições fui me aproximando da estrutura.

Na ocasião, fui convidado pelo ex-presidente Francisco de Assis para compor o Conselho Fiscal. Em seguida, com o ex-presidente Wagner Guerra fui convidado a compor a diretoria da Organização. Depois, na gestão do presidente Marcos Diaz, voltei como diretor em dois mandatos. Nossa missão é profissionalizar essa estrutura para o cooperativismo. Estamos no segundo maior mercado do Brasil, com condições de transformá-lo em algo que faça mudança na vida das pessoas.

 

E como tem sido sua atividade como representante estadual do ramo transporte junto à OCB/RJ?

O ramo transporte é o mais novo no Brasil. São 15 anos. E hoje, de todos os representantes no Brasil, sou o único, juntamente com o Paraná, que estou desde sua criação. Mas entendemos que a OCB é um instrumento que precisa ser usado para o bem do segmento. Fomos organizando, conseguimos mobilizar as pessoas. Somos o ramo que mais operacionaliza ações junto à OCB, que mais atuou em prol de levar soluções para as cooperativas.

Um exemplo são as cooperativas de carga, que tinham um Imposto de Renda do cooperado onde se deduzia 60% e pagava-se sobre 40%, e reduzimos para 10%. Também conseguimos uma vaga na ANTT com um representante do ramo. Construímos ações que são exemplo para outros ramos.

 

Conte-nos sobre a criação da Rede Transporte.

É uma central de consumo para o setor. Entendemos que precisávamos trabalhar em três frentes: organização política (aproximar as pessoas), econômica (projeto da Rede Transporte) e técnica (aproximação com a academia por meio de estudos). Hoje, a Rede é o maior movimento de intercooperação do Brasil, onde cooperativas de cada estado vão se afiliando para aquisição de produtos a preços diferenciados. Pelo Rio de Janeiro, temos a cooperativa Prisma como representante do estado. Acreditamos que os ramos Consumo e Crédito irão avançar muito nos próximos dois anos.

 

São muitos os desafios para o cooperativismo fluminense. O que o motivou a concorrer na eleição da OCB/RJ?

O cooperativismo foi o elemento que possibilitou a construção de uma nova realidade de vida para muitas pessoas, inclusive para minha família. E levar esse modo de organização socioeconômica para mais pessoas é o que me motiva nesse projeto, junto com meus pares que pensam da mesma forma.

Temos Francisco Bezerra, do Sicoob Cecremef, que pensa em levar o cooperativismo de crédito às massas. Carlos Henrique Rosa, das cooperativas de táxi da Baixada Fluminense, que trabalhou muito pela organização do segmento. Dr. Carlos Pêgo, exemplo cooperativista e nosso vice-presidente, atuando em prol das cooperativas de saúde. Carminha Sertã, da CoopCarmo, que assumiu a cooperativa de leite em extrema dificuldade e a está transformando em caso de sucesso. Sias Rangel, que representa o ramo Trabalho e está trabalhando conosco há muito tempo, auxiliando na organização do setor. Wagner Guerra que luta para que as cooperativas de crédito solteiras tenham iguais condições que aquelas organizadas de forma sistêmica. São exemplos de pessoas que estão focadas em transformar o segmento.

Nosso papel na OCB/RJ vai ser inovar e profissionalizar o Sistema OCB/Sescoop no Rio de Janeiro. Vamos ao mercado buscar profissionais de excelência. Vamos trabalhar junto das cooperativas, levar serviços e construir parcerias. Será o sucesso para o cooperativismo. Algumas distorções que aconteceram ao longo dos anos serão ajustadas.

 

Como você vê a questão da intercooperação?

É fazer negócio entre as cooperativas e também com qualquer instituição que queira negociar com as cooperativas. Nosso objetivo é buscar parceiros externos ao segmento. É transformar a OCB/RJ em um ambiente favorável para que ocorram negociações econômicas com as cooperativas. Levar as cooperativas ao mercado, porque também temos essa responsabilidade, de dar condições para as cooperativas se desenvolverem no mercado. Mostrar o que as cooperativas fazem e o que podem oferecer ao mercado.

 

Quais são suas propostas para os ramos cooperativos no estado?

Precisamos trazer as cooperativas para a OCB/RJ e juntos trabalhar em soluções integradas. Em todos os ramos, nosso foco será o auxílio na gestão, para que possam reingressar no mercado. No ramo Agropecuário, precisamos retomar o trabalho que já havia sendo feito, mas infelizmente, por questões políticas, foi interrompido. Para o Educacional, nossa ideia é a construção de um modelo cooperativo de ensino juntamente com o Sescoop/RJ, que vai impactar diretamente no custo da operação delas.

Com as cooperativas de trabalho, precisamos com urgência buscar uma relação com o Judiciário, Ministério Público e retomar as negociações com o Ministério de Trabalho. O grande problema nesse setor é que o Ministério Público foi ao mercado para tentar tirar as cooperativas de sua operação, e entendemos que não pode ser feito dessa forma. Se existe um problema, fiscalize-se e faça-se valer a lei, mas não se pode generalizar e colocar todas as cooperativas no mesmo pacote.

A OCB/RJ também irá retomar sua atividade sindical. Com as cooperativas de táxi, iremos atuar firme defendendo a categoria, mostrando a importância de uma cooperativa e suas qualidades. Vamos ajudar as cooperativas de táxi a se organizarem e disputarem o mercado. O que se tem hoje, por meio de um estudo da Coppe/UFRJ, é um esfacelamento do transporte urbano, com a entrada de profissionais despreparados. Há uma destruição de um transporte organizado por meio de operadores de aplicativos de chamada de corrida.

Vamos reorganizar nossa base política no estado, por meio da Frente Parlamentar do Cooperativismo, que hoje está praticamente inoperante. Vamos levar os parlamentares às cooperativas, comprometendo-os com o segmento, mostrando os números que temos, a quantidade de pessoas que temos. Esse é o diferencial. São as pessoas que existem no cooperativismo que não há em outros segmentos.

 

O ramo Crédito possui dois sistemas fortes: Sicoob e Sicred. Como a OCB/RJ irá interagir com eles?

Entendemos que o Crédito é um segmento que irá crescer muito nos próximos anos, assim como o de Consumo. Além das cooperativas que já estão nesse sistema, há aquelas que estão fora, mas que são muito importantes. Precisamos pensar separadamente e ajudar cada grupo nessa caminhada.

A parceria com a OCB/RJ irá proporcionar levar às massas, ou seja, dar condições para as pessoas ingressarem no cooperativismo, e o segmento crédito é uma grande porta de entrada. O Banco Central precisa entender que há cooperativas pequenas, não somente as grandes. E as pequenas querem manter as suas características. A OCB/RJ, portanto, irá interagir nesse diálogo. Realizaremos eventos para que as cooperativas tenham interação e se desenvolvam.

Com relação ao ramo Saúde, precisamos fortalecer nossa relação com a ANS, ter um assento dentro da entidade e trabalhar forte contra a judicialização da saúde no Brasil. Não se pode admitir que qualquer juiz, que não tenha conhecimento técnico, dê um parecer. Para isso vamos criar câmaras técnicas para o setor.

Outro foco é retomar o projeto da Câmara de Mediação em parceria com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, uma grande possibilidade de evitar a judicialização. Será um ambiente para discussão e juntos chegar a uma decisão. Acredito que será um grande exemplo para o país.

 

Ramos como Produção, Mineral, Turismo, Infraestrutura e Habitacional são grandes potenciais no estado. Como você vê esses ramos?

Apesar de todo o potencial turístico que temos no Estado, precisamos fomentar cooperativas nesse setor. Nossa aproximação com universidades irá permitir esse tipo de ação. Tínhamos uma cooperativa mineral também que infelizmente não foi para frente. A infraestrutura é outro ramo que iremos oferecer acompanhamento jurídico da OCB/RJ junto com a Aneel. Vamos buscar soluções, inovações em parcerias.

Fomos conhecer os exemplos de cooperativas de energia solar em outros países e acreditamos que esse será o futuro para os próximos anos no Brasil. Vamos construir junto com elas. Já as habitacionais precisam retomar o contato com as cooperativas de crédito. Elas possuem um grande papel social e precisamos fazer isso acontecer. Enfim, onde houver uma cooperativa, a OCB/RJ irá apoiar o ramo.

 

A formação cooperativista é outro ponto muito importante. Como avalia essa questão?

Sem dúvida precisamos levar o cooperativismo às massas. O Sescoop tem na sua função básica a formação e capacitação social. Vamos virar a chave dos cooperativistas acidentários. Vamos somente resolver isso com educação, levando o cooperativismo às escolas e universidades. Construir relação com as instituições tecnológicas para levar tecnologia às cooperativas. O setor precisa estar antenado, estar no front. A OCB/RJ será o carro-chefe nesse campo de batalha.

Precisamos educar para cooperar. Só assim iremos construir líderes. Educar para competir não é a solução. Cooperação irá fazer a diferença no mundo. A participação e a cooperação são importantes. Se dermos as mãos, vamos longe. Potencial nós temos, mercado nós temos. Essa história de que juntos somos fortes é verdade. Acreditar, seguir em frente. Construir soluções no Rio de Janeiro que irão inovar o cooperativismo no Brasil. Vamos juntos, essa é a mensagem.