Vendas do comércio caíram 0,1% de abril para maio

De março para abril, setor já havia tido uma queda de 0,4%; segundo IBGE, varejo também caiu 0,1% na média móvel trimestral.

Conjuntura / 12:48 - 11 de jul de 2019

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O volume de vendas do comércio varejista no país teve um recuo de 0,1% na passagem de abril para maio. De março para abril, o setor já havia tido uma queda de 0,4%.

Segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada hoje, no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o varejo também caiu 0,1% na média móvel trimestral.

Nos demais tipos de comparação temporal, no entanto, o comércio teve crescimento: 1% na comparação com maio de 2018, 0,7% no acumulado do ano e 1,3% no acumulado de 12 meses.

Na passagem de abril para maio, a queda foi puxada por apenas duas das oito atividades do varejo pesquisadas: outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,4%) e combustíveis e lubrificantes (-0,8%).

Por outro lado, seis atividades tiveram crescimento e evitaram uma queda maior do setor no período: hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,4%), tecidos, vestuário e calçados (1,7%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,9%), móveis e eletrodomésticos (0,6%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (2,2%) e livros, jornais, revistas e papelaria (0,4%).

O varejo ampliado, que também leva em consideração os setores de materiais de construção e de venda de veículos e peças, teve alta de 0,2% no volume na passagem de abril para maio, apesar das quedas de 1,8% dos materiais de construção e de 2,1% dos veículos, motos e peças.

O varejo ampliado cresceu 0,5% na média móvel trimestral, 6,4% na comparação com maio de 2018, 3,3% no acumulado do ano e de 3,8% no acumulado de 12 meses.

A receita nominal do varejo cresceu 0,8% de abril para maio, 0,5% na média móvel trimestral, 5,8% na comparação com maio do ano passado, 5% no acumulado do ano e 5,3% no acumulado de 12 meses.

Já a receita do varejo ampliado cresceu 0,9% na passagem de abril para maio e na média móvel trimestral, 10% na comparação com maio de 2018, 6,7% no acumulado do ano e 7% no acumulado de 12 meses.

Segundo o doutor em Economia e professor da Faculdades de Campinas (Facamp), Saulo Abouchedid, a variação de 0,2% em relação a março de 2019 frustrou as expectativas do mercado, que estimava um avanço de 0,4%.

"Setores importantes do varejo ampliado contribuíram negativamente para o resultado do volume de vendas em maio comparado a abril de 2019. A queda nos setores de combustíveis e lubrificantes (-0,8%), veículos, motocicletas, partes e peças (-2,1%) e materiais de construção (-1,8%) sinaliza perda de dinamismo em áreas fundamentais da atividade econômica", afirma Abouchedid.

De acordo com ele, "as perspectivas não são promissoras para o comércio varejista brasileiro considerando que as projeções de crescimento do PIB estão se reduzindo, o endividamento das famílias está aumentando e que as perspectivas para o mercado de trabalho e para a massa salarial nominal seguem desfavoráveis".

A própria Associação Comercial de São Paulo (ACSP) diz que esperava crescimento bem mais robusto do varejo em maio.

"Os dados são decepcionantes, abaixo das expectativas, primeiramente porque em maio de 2019 houve um dia útil a mais. Em segundo lugar porque a greve dos caminhoneiros de 2018 prejudicou o comércio, gerando uma base fraca de comparação. Por tudo isso, esperava-se um crescimento bem mais robusto”, diz Marcel Solimeo, economista da ACSP.

Ele chama atenção para a queda no segmento de supermercados (-1,2%), na variação anual, em função da greve dos caminhoneiros, que fez com que os consumidores fossem às compras e abastecessem alimentos em maio de 2018, gerando uma base forte de comparação. "Esse desempenho fraco do varejo em maio vem também do contexto geral da economia, que é de desaceleração. O desemprego ainda é muito alto e os salários começam a cair. Além disso, o crédito destinado à pessoa física é praticamente o mesmo do ano passado. Tudo isso deixa o consumidor cauteloso, fazendo com que ele compre cada vez menos".

 

Com informações da Agência Brasil

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