Venda de imóveis usados cresce 26,8% em fevereiro em SP

Aluguel de casas e apartamentos tem queda de 26,13% no mês; dados são do Creci-SP.

São Paulo / 14:50 - 11 de abr de 2019

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As vendas de imóveis usados na capital paulista mostraram força em fevereiro, crescendo 26,8% na comparação com janeiro. No primeiro mês do ano, as vendas haviam caído 28,03% em relação a dezembro.

"O fevereiro sem Carnaval ajudou o mercado evitando a dispersão de interesse e de foco dos potenciais compradores", avaliou José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP. Ele ressalva que em março "é possível que tenhamos o efeito rebote por conta da antecipação e da postergação da festa promovida pelos mais de 500 blocos que desfilaram pela cidade."

Foram vendidos mais apartamentos (68,83%) do que casas (31,17%) com descontos sobre os preços originais de venda que variaram de 11,92% (imóveis situados na Zona A) a 7,64% (imóveis da Zona C). Quase a metade das vendas - 44,16% do total - foi de residências com preço final de até R$ 400 mil, sendo a maioria (75,32%) de padrão construtivo médio.

O aumento de vendas impactou os preços do metro quadrado dos imóveis usados vendidos pelas imobiliárias pesquisadas pelo Creci-SP em fevereiro. A alta média foi de 9,94% em relação a janeiro. Do total de unidades vendidas, 50% enquadraram-se nas faixas de até R$ 7 mil o metro quadrado.

Os financiamentos concedidos por bancos foram responsáveis por pouco mais de 1/3 das vendas (35,06%) feitas pelas 270 imobiliárias consultadas. A maioria das casas e apartamentos foi vendida à vista, modalidade presente em 61,04% dos contratos. A pesquisa Creci-SP também registrou 2,6% de vendas feitas com pagamento parcelado pelos proprietários dos imóveis e 1,3% por cartas de crédito de consórcios imobiliários.

Entre os financiamentos bancários, a participação da Caixa com 16,88% foi superada pela dos demais bancos, com 18,18%, resultado que levou o presidente do Creci-SP a defender uma revisão urgente da política que vem sendo adotada pelo CEF.

"A CEF divulgou seus resultados operacionais de 2018 que demonstram haver obtido lucro recorrente recorde de R$ 12,7 bilhões e lucro líquido de R$ 10,4 bilhões, sinal de que tem saúde financeira para aplicar mais recursos no financiamento de imóveis e assim cumprir melhor sua destinação e propósito", afirma Viana Neto. O presidente do Creci-SP destaca que um banco que tem 37% da poupança nacional e 69% do crédito habitacional "tem a obrigação fundamental de usar todos os recursos e meios à mão para ampliar os financiamentos e facilitar o acesso da população à casa própria".

"Os números mostraram que a Caixa não está em crise nem no vermelho para se acomodar a essa ridícula participação de apenas 1/3 dos financiamentos de imóveis usados na principal cidade do país", ressalta Viana Neto. O presidente do Creci-SP espera reação urgente da direção da CEF para que "cumpra seu papel social de estimular tanto o crescimento econômico quanto o social, que tem no acesso à moradia própria uma de suas pedras de toque".

Ainda segundo a pesquisa, foram alugados na cidade de São Paulo em fevereiro um número de imóveis 26,13% menor que o registrado em janeiro. No primeiro mês do ano, o saldo havia sido positivo, com alta de 19,89% sobre dezembro.

Mais da metade das novas locações (53,25%) vai custar aos inquilinos aluguéis médios mensais de até R$ 1.200. Os novos aluguéis contratados em fevereiro subiram em média 4,95% na comparação com janeiro.

Segundo o levantamento, quem alugou em fevereiro conseguiu obter descontos sobre os aluguéis inicialmente pedidos de 8,75% para os imóveis situados em bairros da Zona A, como os Jardins; de 9,09% para os da Zona B, que agrupa bairros como Aclimação e Broolin; de 8% para os da Zona C, onde estão Jabaquara e Mooca entre outros; de 10,46% para os da Zona D, que reúne bairros como Vila Alpina e Casa Verde; e de 11,85% na Zona E, caso de Lauzane Paulista e São Mateus, entre outros bairros.

No mercado de casas, o aluguel mensal mais barato contratado em fevereiro foi em média de R$ 551,97 pelas de um dormitório situadas em bairros da Zona E. O mais caro chegou a R$ 4.700 por casas de 4 dormitórios em bairros da Zona B. O maior aumento no mês, de 17,27%, foi o das casas de um dormitório na Zona D, que subiram de R$ 599,99 em janeiro para R$ 702,45 em fevereiro.

Entre os apartamentos, o aluguel mais barato - R$ 700 - foi o de quitinetes em bairros da Zona D. O mais caro foi o de apartamentos de 3 dormitórios na Zona B, que ficou na média de R$ 4.558 - esse também foi o aluguel que mais aumentou nesse segmento, 51,4%, já que custava em média R$ 3.010,61 em janeiro. A maior queda, de 11,7%, foi a dos apartamentos de 2 dormitórios em bairros da Zona E, que passaram da média de R$ 1.056,82 em janeiro para R$ 933,20 em fevereiro.

As formas de garantia de pagamento do aluguel em caso de inadimplência dos inquilinos foram o fiador pessoa física (33,75% do total); o depósito de valor equivalente a três meses o aluguel contratado (31,73%); o seguro de fiança (21,05%); a caução de imóveis (11,15%); a locação sem garantia (1,24%); e a cessão fiduciária (1,08).

As novas locações de fevereiro distribuíram-se entre os bairros situados nas Zonas D (25,39% do total); C (24,31%); B (23,99%); E (17,18%): e A (9,13%).

 

Inadimplência e ações judiciais - Estavam inadimplentes em fevereiro 4,53% dos inquilinos com contrato em vigor nas 270 imobiliárias pesquisadas pelo Creci-SP, percentual 11,7% menor que o de janeiro, de 5,13%.

As imobiliárias também informaram ter recebido as chaves de casas e apartamentos cujos inquilinos desistiram de continuar alugando-os por motivos financeiros (53,51%) ou outras razões, como mudança de bairro e cidade (46,49%). Esse número equivale a 70,59% das 646 novas locações de fevereiro, percentual 9,24% menor que os 77,78% registrados pela pesquisa Creci-SP de janeiro.

A pesquisa que o Creci-SP fez nos Fóruns da Capital apurou que houve crescimento de 57,32% no número de ações de todos os tipos envolvendo a locação na passagem de janeiro para fevereiro - de 1.448 para 2.278.

As ações consignatórias aumentaram 120% (de 5 para 11); as renovatórias subiram 83,33% (de 48 para 88); as de rito sumário cresceram 63,31% (de 526 para 859); as propostas por falta de pagamento subiram 52,48% (de 825 para 1.258); e as de rito ordinário aumentaram em 40,91% (de 44 para 62).

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