Valor de mercado de ações chinesas cai US$ 400 bi

Papéis em bolsa caem por causa do coronavírus, mas sobem devido ao retorno da gripe aviária. Faz sentido?

Acredite se Puder / 18:36 - 3 de fev de 2020

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Depois de o governo reconhecer que 17 mil pessoas foram infectadas e mais de 360 morreram e que o coronavírus continua se alastrando, para aumentar a liquidez do sistema financeiro, o Banco Centra da China injetou 1,2 trilhão de iuanes, o que significa US$ 173 bilhões, para conter o sell-off existentes no país. Acontece que, apesar dessa medida, a volta do estendido feriado do Ano Novo foi trágica para as bolsas chinesas, que estavam fechadas desde 24 de janeiro e, por causa das preocupações cada vez maiores com a epidemia, o índice Xangai Composto caiu 7,72% hoje, terminando o pregão em 2.746,61 pontos, na maior baixa diária desde 2015, enquanto o Shenzhen Composto sofreu tombo ainda maior, de 8,41%, para 1.609,00 pontos. Com isso, houve a perda de cerca de US$ 400 bilhões de valor de mercado e mais de 3 mil ações atingiram o limite de baixa de 10%, segundo dados da Bloomberg.

O interessante é que, nos outros mercados não houve otimismo, mas também não foi registrado péssimo como na China. No Japão, o índice Nikkei recuou 1,01% para 22.971,94 pontos, pressionado por ações dos setores de construção e de eletrônicos; em Seul, o Kospi perdeu 0,01% em Seul, para 2.118,88 pontos e em Taiwan, o Taiex caiu 1,22% para 11.354,92 pontos. A exceção foi o Hang Seng, em Hong Kong, que subiu 0,17% para 26.356,98 pontos.

 

Squadra provoca desvalorização no IRB

A Squadra provocou desvalorização de até 15,77% nas ações do IRB após publicar carta revelando a existência de lucros recorrentes “significativamente inferiores” aos lucros contábeis reportados pela empresa. E afirma que desde 2017, ano em que o IRB realizou sua abertura de capital, acreditam ter encontrado fatores que indicam lucros contábeis reportados nas demonstrações financeiras significativamente superiores aos lucros normalizados. E ressalta que essa disparidade entre lucro reportado e lucro normalizado recorrente foi crescente durante esse período e atingiu sua maior diferença nos nove primeiros meses de 2019.

O IRB respondeu que suas demonstrações são auditadas internamente e externamente pela PwC e que sua performance financeira e seu earning power está fielmente retratado nas referidas demonstrações. A empresa também informou estar avaliando com seus assessores legais, as medidas cabíveis a serem tomadas neste cenário, onde o emissor da carta tem interesse econômico diametralmente conflitante com os interesses da companhia.

Na parte da tarde, as perdas do IRB foram reduzidas para 7,45%, e a cotação retornou para o nível de R$ 41,50. Para os analistas do Morgan Stanley, há uma confusão sobre a visão da sustentabilidade da lucratividade no IRB versus pares globais e os “investidores estão comparando maçãs e laranjas”. Neste sentido, há oportunidade de compra para os ativos, avaliam os analistas do banco.

 

Arábia quer reduzir produção de petróleo

Desesperada com o impacto que o coronavírus causa no mercado de petróleo, a Arábia Saudita convocou para os próximos dois dias, uma reunião em Viena, dos departamentos técnicos dos países que compõem a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e os aliados, para discutir a possibilidade de enova redução na produção. A procura na China sofreu redução de cerca de três milhões de barris diários, o que corresponde a 20% do consumo total. Enquanto isso, os preços continuam caindo. Em Londres, o Brent perdeu 3,46% retornando para US$ 54,66. Enquanto isso, em Nova York, o West Texas Intermediate desvalorizou 2,46% para os US$ 50,29, tendo caído abaixo do patamar dos US$ 50 durante a sessão, pela primeira vez, em cerca de um ano.

 

Não dá para entender os investidores

Por temor ao mortal coronavírus, as ações estão desabando em todas as bolsas do mundo. Os investidores, no entanto, estão excitados com as ações dos frigoríficos, devido ao novo surto, na China, da também mortal gripe aviária H5N1.

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