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Vai sobrar para os pobres mortais

Cúpula militar pressiona por regras próprias na reforma da Previdência.

Política / 09 Janeiro 2019

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, reforçou o discurso que prega a manutenção de regras diferentes para a Previdência dos militares. Diante de Jair Bolsonaro, na cerimônia de transmissão de cargo do Comando da Marinha, o general ressaltou as “peculiaridades” da função.
O novo comandante da Marinha, almirante de esquadra Ilques Barbosa Junior, seguiu a linha. Disse que a discussão sobre a idade mínima de aposentadoria para militares precisa ser analisada com cuidado. Para o almirante de esquadra, profissionais que atuam na defesa do país têm exigências próprias. “Este tema, para nós que precisamos de higidez física para o combate, para atuação, para garantia da lei e da ordem em todas as atividades que temos, é um tema importante”, disse.
Os dois reforçaram o que dissera na terça-feira o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz: “Militar é uma categoria muito marcante, de farda. Militares, policiais, agentes penitenciários, Judiciário, Legislativo, Ministério Público possuem características especiais, que têm de ser consideradas e discutidas”, disse o ministro.
Sobrariam para serem incluídos na reforma, de acordo com a lista de exclusão do general, os trabalhadores do setor privado, urbano e rural, e os servidores do Executivo. Talvez os funcionários do Legislativo e do Judiciário também viessem a ser incluídos, deixando de fora justamente os que mais desfrutam de privilégios, como juízes e membros do MP, além dos militares.
A equipe econômica ainda não divulgou o que pretende fazer na Reforma da Previdência, mas os sinais até aqui é de que será transferida para a gestão privada boa parcela do que é arrecadado sobre os salários e as folhas de pagamento.