Usiminas vê espaço para novo aumento de preço de aço no Brasil

Mercado Financeiro / 13:52 - 28 de out de 2016

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A Usiminas avalia que um novo reajuste nos preços do aço vendido no Brasil poderá ocorrer nos próximos dois a três meses, depois de reajustes acumulados neste ano de cerca de 35%, afirmou o diretor comercial da siderúrgica, Sérgio Leite, nesta sexta-feira. Segundo o executivo, a diferença de preços do aço plano entre o mercado interno e externo (conhecida como prêmio) está entre 8% e 12% depois que a empresa começou a implementar nesta sexta-feira um reajuste no Brasil de 5%. "A expectativa é que haja um crescimento nos preços internacionais nos próximos meses. Havendo isso, o prêmio volta à faixa de equilíbrio (de 5% a 10%) o que pode abrir espaço para um novo movimento" de aumento de preços no Brasil, disse Leite durante teleconferência com analistas do setor. Leite comentou que a Usiminas começou recentemente a negociar preços de aço com o setor automotivo, um de seus principais clientes, cujos contratos de um ano começam a vencer no início de janeiro. Questionado sobre a diferença de preços atual entre o cobrado das montadoras de veículos e dos distribuidores, o executivo afirmou que estão defasados em 20% a 30%. A Usiminas divulgou mais cedo o nono prejuízo trimestral consecutivo, mas os números mantiveram a trajetória de redução das perdas verificadas nos últimos trimestres e a geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização saltou a R$ 307 milhões ante desempenho negativo de R$ 65 milhões no mesmo período do ano passado. O vice-presidente financeiro da Usiminas, Ronald Seckelmann, afirmou durante a teleconferência que os investidores podem entender que o desempenho operacional da Usiminas no terceiro trimestre pode ser considerado como uma base para os próximos períodos depois da grande reestruturação financeira e estratégica da empresa nos últimos meses. Segundo Seckelmann, o aumento no preço do carvão nos últimos meses só deve resultar em impactos nos custos de produção própria de aço da Usiminas a partir do primeiro trimestre de 2017, uma vez que a empresa tem contratos de fornecimento para dois terços de suas necessidades. Apesar disso, o carvão já está impactando o preço das placas compradas pela Usiminas junto à Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) para serem laminadas pela usina da empresa em Cubatão (SP), disse Seckelmann, sem dar detalhes. O efeito pode diminuir o avanço do desempenho da usina paulista, cujo Ebitda, segundo o executivo, "está começando a ficar azul". Para 2017, a Usiminas deve investir R$ 350 milhões, disse o vice-presidente financeiro. Nos primeiros nove meses deste ano, o investimento somou R$ 158 milhões. Prejuízo A Usiminas obteve prejuízo líquido de R$ 107 milhões no terceiro trimestre deste ano, uma queda de 89,7% frente ao prejuízo líquido de R$ 1,042 bilhão no mesmo período de 2015. A receita líquida da Usiminas no terceiro encolheu 6,6%, para R$ 2,625 bilhões no período. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a Usiminas acumula um prejuízo de R$ 382 milhões, após um prejuízo de R$ 2,058 bilhões em igual período do ano passado, enquanto a receita da companhia caiu 19% na mesma base de comparação, a R$ 6,334 bilhões. O Ebitda ajustado soma R$ 426 milhões nos nove primeiros meses, queda de 21% ante o mesmo período do ano passado. “Para continuarmos a gerar resultados consistentemente positivos, mantemos o foco na redução dos custos, no aumento do volume de vendas – em especial no mercado doméstico -, na melhoria de margens e, consequentemente, na geração de caixa. Além disso, priorizamos o nosso Capex e acompanhamos de forma rigorosa as despesas e capital de giro”, afirma o presidente da Usiminas, Rômel Erwin de Souza. As atividades de siderurgia tiveram uma contribuição relevante para o resultado. A receita de R$ 2 bilhões é 15% maior que os cerca de R$ 1,8 bilhão registrados no trimestre imediatamente anterior. O aumento é consequência da elevação do preço médio do aço, que subiu 9,4% no mercado doméstico e 8,6% nas exportações. As vendas totais de aço, no trimestre, somaram 959 mil toneladas, sendo 814 mil toneladas (85%) destinadas para o mercado interno e 145 mil toneladas (15%) para exportações. A redução do custo operacional também contribuiu para a melhoria dos resultados. O custo dos produtos vendidos por tonelada de aço foi de R$ 1,9 mil, contra R$ 2 mil contabilizados no segundo trimestre do ano. Outra iniciativa que vem sendo priorizada é a seletividade dos investimentos. No terceiro trimestre, a Usiminas investiu pouco mais de R$ 37 milhões, priorizando os aportes em segurança, manutenção preventiva e confiabilidade na produção. Embora o capital de giro da Usiminas tenha crescido 11%, para R$ 2,4 bilhões, o estoque da companhia está controlado, reduzindo de 439 mil toneladas para 432 mil toneladas – o que representa uma queda de 2%. O aumento do capital de giro ocorreu principalmente em função da diminuição da conta de fornecedores. No terceiro trimestre, a companhia concluiu a renegociação da dívida, que alongou o perfil de 92% dos compromissos da empresa. No final do trimestre, o endividamento da Usiminas era da ordem de R$ 6,9 bilhões, contra R$ 7,2 bilhões no final do segundo trimestre. Do valor atual, 1% são compromissos de curto prazo e 99% de longo prazo. “Os resultados apontam um avanço da Usiminas, impulsionado pela série de medidas que foram adotadas para o aumento da competitividade da companhia, além da renegociação da dívida e do aporte de capital pelos acionistas”, afirma o presidente.

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