Um novo olhar para o Porto Maravilha

Opinião / 13 Abril 2018

A Região Portuária e o Centro, antes degradados e até esquecidos, transformaram-se em símbolos de revitalização urbana, a exemplo de projetos semelhantes desenvolvidos em outras cidades como Londres, Seul, Barcelona e Buenos Aires. O local, que passou por uma ampla transformação desde a retirada do Elevado da Perimetral, reforça, a cada dia, sua vocação como espaço para novos negócios.

Base da revitalização e fator preponderante na modelagem financeira, o desenvolvimento imobiliário sofreu, como em outras áreas da cidade, o impacto da crise econômica. Porém, já demonstra sinais de recuperação de acordo com os números.

 

Desenvolvimento imobiliário

já demonstra sinais de recuperação

 

Apesar da taxa de vacância estar em 77,5%, com a compra do Port Corporate Tower – edifício construído na Avenida Rio de Janeiro – pelo Grupo Bradesco Seguros, esse índice deve cair para 62,5% até o fim de 2018. Além disso, a confirmação de empresas como a Fábrica de Startups e o escritório de advocacia Tauil & Chequer tende a baixar ainda mais a taxa ainda este ano.

A chegada de empresas mostra que pouco a pouco o mercado retoma o ânimo que envolveu a criação do Porto Maravilha, área beneficiada pelos investimentos de uma Parceria Público-Privada (PPP) que configurou um dos principais legados dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Dos R$ 10 bilhões previstos até 2026, metade dos recursos já garantiu a implantação da infraestrutura com novas redes de água, esgoto, saneamento, iluminação pública, gás natural, energia e telecomunicações com sistema de fibra ótica, além de um novo modelo de mobilidade urbana.

Com a requalificação da Praça Mauá e seu entorno e a criação de espaços como o Museu do Amanhã, Museu de Arte do Rio e o AquaRio, os 5 milhões de metros quadrados atraem diariamente não só turistas, mas, sobretudo, cariocas. Toda essa movimentação também tem chamado a atenção de empresas que já começam a ocupar edifícios corporativos de alto padrão construídos na região.

Dentre os fatores que trouxeram companhias nacionais e grupos estrangeiros como L’Oréal, Bradesco Seguros, Youtube, Granado e a Fábrica de Startups, destacam-se a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), a possibilidade de uma boa negociação nos valores dos aluguéis e o grande potencial que o local apresenta.

Para seguir com a expansão do espaço, já há planos para a construção de edifícios residenciais, shoppings centers, hospitais e uma universidade. A região também vai receber a roda gigante panorâmica Estrela do Rio, projeto aprovado que aguarda conclusão de licitação para ganhar vida.

Apesar de a taxa de vacância dos edifícios corporativos ainda ser relativamente alta, a expectativa é uma virada de jogo em 2018. Como grandes corporações acreditaram na região, as notícias despertam interesse e o novo olhar de outras empresas, que consideram os modernos e novos edifícios comerciais em suas pesquisas.

Com todas essas novidades e potencial, espera-se que o comércio ocupe os espaços disponíveis para atender todas as pessoas que começarão a circular pela região. Apagando, de vez, o passado de abandono.

 

Evie Kempf

Gerente de Transações da JLL Consultoria Imobiliária.

Publicado no site da Porto Maravilha.