É preciso ser otimista

Opinião / 15:22 - 29 de dez de 2000

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Ao discordar em alguns pontos da atual política econômica brasileira estamos pondo em prática a nossa cidadania, contribuindo de alguma forma para o desenvolvimento da Nação. Mas é preciso argumentos sólidos, pois o que estamos acostumados a ver são pessoas que fazem previsões catastróficas, ajudam a piorar a imagem do país e não colaboram em nada para o seu crescimento. São os eternos pessimistas. Aprendi, com a experiência que a vida me proporcionou, que o pessimismo não nos leva a lugar algum. Pensando sempre no melhor e trabalhando com a dedicação e a esperança de quem vai colher um bom fruto, se este não for colhido, virá pelo menos algo parecido. Mas se, pelo contrário, pensarmos no pior, virá invariavelmente algo ainda mais penoso. Mas deve ter gente torcendo o nariz para essas considerações um tanto filosóficas de um otimista de plantão. Dizer que o Brasil é o país do futuro pode soar para alguns como algo meio ultrapassado. Então, de forma objetiva, vamos analisar o cenário econômico de hoje. O país começa a apresentar sinais claros de aquecimento da Economia, já sem a amarra cambial, com a inflação controlada e os juros, apesar de estabilizados há algum tempo, mostrando projeções claras de queda para o próximo ano. Comparando-se com o passado recente, esse atual estágio é ou não é muito promissor? O ponto de partida para uma mudança definitiva de ares foi o Natal desse ano, o melhor da década. O comércio projeta vendas muito superiores as do ano passado. E com tanto otimismo por parte do setor, as empresas passarão a investir mais em 2001, sem o receio de outros anos. Isso significa geração de empregos e de renda. O que ainda preocupa é o cenário externo com crises na Argentina, conflitos em Israel e a Economia americana, tão próspera nos últimos anos, mas que vem apresentando um desaquecimento meio que forçado no momento como forma de conter a inflação. Mesmo assim, não há qualquer motivo para alarde. O Brasil caminha a passos cada vez mais firmes para o desenvolvimento e, em breve, os investidores estrangeiros saberão distingui-lo dos demais países classificados como emergentes. Mais uma vez o meu lado otimista mostra a cara, embasado entretanto em fatos recentes. Quem tiver alguma dúvida, pergunte aos espanhóis como eles classificam o Brasil hoje em dia. No momento em que eu comecei a traçar a continuidade da minha linha de raciocínio, fui ajudado pela notícia de que os pregões das bolsas de valores aqui no Brasil e no exterior eram alavancados pela bolsa pontocom americana, a Nasdaq e também pelo pronunciamento do todo-poderoso Alan Greenspan, presidente do Banco Central americano, que acabou com as especulações de que país entraria num processo forte de recessão. Greenspan acenou com a possibilidade de cortar os juros para que o desaquecimento da Economia não fique além do desejável. Mais um fato positivo dentre os tantos que vêm povoando os noticiários. Pode ser que no dia em que você estiver lendo esse artigo, o clima não seja tão promissor como o de hoje, no entanto é assim que funcionam os mercados, muito parecido com o ser humano, que passa por euforias e decepções durante a vida. O importante, no fim de tudo, é que o caminho traçado e planejado esteja sendo executado, porque apenas desse modo atingimos o alvo. José Arthur Assunção Vice-presidente da Federação Nacional das Financeiras (Fenacrefi), presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo e diretor da ASB Financeira.

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