Táxi branco: uma conquista para os taxistas

Opinião / 16:22 - 1 de nov de 1999

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Em toda cidade qualquer visitante ao chegar depara-se logo de imediato com a figura do taxista, cartão de visitas e informal relações públicas. É ele quem dá as primeiras informações e recebe o turista de maneira acolhedora e simpática. Numa cidade como o Rio de Janeiro, com sua natural vocação turística, a acolhida dada pelo taxista é fundamental por sermos uma cidade cosmopolita. Exatamente por estarmos numa cidade grande, o taxista para conseguir o sustento de sua família, é obrigado a trabalhar muitas horas com jornadas diurnas e noturnas seguidamente, causando-lhe um desgaste físico e emocional desumano, nem sempre com retorno financeiro satisfatório. Pensando numa forma de melhorar a vida do taxista, foi aprovado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro o projeto de lei de minha autoria que muda a cor dos veículos de aluguel (táxi) da atual cor amarelo-java para a cor branca. Para se ter uma idéia da importância e do alcance deste projeto, basta dizer que ele foi aprovado praticamente por unanimidade, tendo apenas um voto contra. Agora aguardamos apenas que o prefeito sancione a lei, para que entre em vigor. Aparentemente tal medida pode parecer estranha, fora de propósito e até mesmo falta do que fazer. Porém, ao ser analisado com mais atenção podemos observar a verdadeira intenção e utilidade desse projeto. Vamos por partes: Ao comprar seu carro, o taxista não o encontra na cor padrão do Rio de Janeiro, pois nenhum dos fabricantes de automóveis têm em sua linha veículos na cor amarelo-java. Isso, consequentemente, acarreta uma despesa inicial para pintá-lo na cor padrão, sem contar que durante pelo menos uma semana ele ficará parado aguardando que seu carro fique pronto para ser licenciado. Além deste gasto, ocorrerá uma imediata desvalorização, pois sua cor original será alterada. Sem falar que, quando for vendê-lo haverá uma outra desvalorização, devido ao fato de estar na cor amarela. O propósito desse projeto a que me refiro é exatamente minimizar os custos para o taxista, pois comprará seu veículo na cor branca, já que todas as linhas de montagem possuem esta cor, não precisando pintá-lo por completo, apenas a faixa lateral azul. Bem menos complicado, não é mesmo? Além disso, a cor branca é ideal para o nosso clima quente, pois reflete a luz solar reduzindo a temperatura no interior do veículo. A parte do projeto que está causando mais polêmica, por não ter sido compreendida corretamente, é a que diz respeito a situação dos atuais táxis amarelos. Não existe prazo, nem obrigatoriedade de mudar a cor para branca. Ficará a critério de cada um permanecer ou não como está. É evidente que com a frota enorme que a cidade possui seria inviável, desumano e fora de propósito exigimos que a cor fosse mudada de um dia para o outro. Tal mudança acontecerá gradativamente, à medida que nossa frota for sendo renovada. Ou seja, o taxista ao comprar um carro novo, já o comprará na cor branca. Como atualmente existem facilidades e isenções no momento da compra de um veículo novo, acreditamos que num prazo de aproximadamente cinco anos teremos um percentual considerável de táxis na cor branca sem onerar o bolso do nosso amigo taxista. Portanto nesse projeto de lei não existe qualquer tipo de obrigatoriedade de mudança de cor dos táxis que circulam atualmente. Quem tem seu táxi amarelo, continuará com ele nessa mesma cor até o dia em que comprar um carro novo. Nosso objetivo é facilitar a vida do taxista! Afinal, ele é nosso relações públicas, representante da essência da alma carioca! Ibraim Hannas Vereador (PPB-RJ)

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