Turismo brasileiro se une para aumentar a presença de sul-americanos no país

Conjuntura / 11 Agosto 2017

O Brasil recebe cada vez mais estrangeiros em seu território. Dados do Ministério do Turismo apontam que somente em 2016, o país recebeu 6,6 milhões de turistas estrangeiros, um aumento de 4,8% em relação a 2015. Segundo o Anuário Estatístico do Turismo 2017, a entrada de sul-americanos no Brasil cresceu 9,1% entre 2015 e 2016. De olho nesse crescente mercado, mais de 150 empresas do turismo nacional, entre hotéis, destinos (secretarias de turismo), receptivos, entre outras, vão levar os seus produtos e serviços para serem divulgados a agentes e operadores de turismo de países como Argentina, Peru e Colômbia. O evento denominado Meeting Brasil, realizado pela empresa especializada em organizar eventos na área de turismo com promoção e capacitação, a Expan Mais, Inteligência em Turismo, acontece durante o mês de agosto, e no formato de rodadas de negócios.

Diversos destinos brasileiros já confirmaram presença: os Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Paraíba, Espirito Santo e Bahia, além das cidades de Blumenau e Balneário Camboriú (ambas em SC), Foz do Iguaçu (PR), Guarujá (SP), Costa Verde e Mar, associação que representa 11 municípios da costa norte de Santa Catarina, além de Convention & Visitors Bureau, do Rio de Janeiro, Circuito Litoral (Ilha Bela, Caraguatatuba e São Sebastião), entre outros importantes destinos e produtos turísticos do país. No total, um número superior a 150 empresas entre hotéis, receptivos, produtos e destinos turísticos representarão as diversas regiões do Brasil no evento.

- Esta é uma oportunidade única de divulgação e relacionamento do turismo nacional com as principais agências e operadoras da América do Sul. O Brasil é um país de extensões continentais e os latinos visitam apenas uma parte do nosso território. A economia do Peru e da Colômbia, por exemplo, está em crescimento e os argentinos lideram entre os números de visitantes - explica Jair Pasquini, Ddretor de Negócios da Expan Mais.

A Argentina é o principal emissor de turistas para o Brasil. Apenas no ano de 2016, mais de 2,1 milhões de argentinos desembarcaram no país, de acordo com o Ministério do Turismo e dados do Banco Central e da Polícia Federal.

- O momento econômico é favorável para a visita ao nosso país, por conta da variação cambial - comenta Pasquini.

Outro país que é visto com otimismo pelo turismo brasileiro é o Peru, que trabalha com previsões na casa dos 4,1% de crescimento do PIB em 2017. Cerca de 100 mil peruanos costumam visitar o Brasil todos os anos. Só entre 2012 e 2013, houve um aumento de 7% no número de peruanos no Brasil, sem que tenha ocorrido algum grande evento que estimulasse a vinda. A Expan Mais promove as Rodadas de Negócios no país, visando impulsionar essas visitas.

Com 48,8 milhões de habitantes, a Colômbia está entre os mais populosos da América do Sul, com uma previsão de crescimento do PIB próxima aos 3%, segundo o FMI. Dos mais de 2,5 milhões de colombianos que optaram por viajar para o exterior, 1/3 procurou a América do Sul, e desses, apenas 13% veio ao Brasil. As Rodadas de Negócios chegam ao país para explorar esse mercado, que a empresa observa enorme potencial.

- Estes três países possuem um potencial ainda pouco explorado pelo mercado nacional, por isso acreditamos nesse relacionamento direto. E para aumentar ainda mais o conhecimento dos agentes sul-americanos sobre o Brasil, preparamos uma série de capacitações para que conheçam os destinos e a infinidade de serviços e produtos disponibilizados para o turista que vem ao Brasil.

 

Hotéis pedem tributação a aplicativo de hospedagem

Após taxistas protestarem em diversas cidades do país contra motoristas que oferecem serviço de transporte por meio do aplicativo Uber, agora a polêmica envolve uma disputa entre o setor hoteleiro e plataformas digitais que disponibilizam hospedagem por temporada a viajantes. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih Nacional) vai protocolar junto ao governo federal um pedido de paridade tributária com aplicativos de hospedagem pela internet. O principal alvo da medida é a plataforma digital Airbnb.

 

A associação defende que o serviço oferecido pelo Airbnb seja regulamentado no Brasil.

- É um problema muito sério porque eles estão fazendo uma concorrência muito acirrada e prejudicando a hotelaria, as empresas formais, porque não pagam impostos no Brasil - defende o presidente da Abih, Dilson Jatahy Fonseca Jr.

A plataforma, que funciona em 191 países, faz a ponte entre donos de imóveis interessados em alugar espaços por temporada e aqueles que busca de hospedagem, especialmente viajantes. De acordo o escritório da empresa no país, o Brasil tinha até janeiro um total de 89,7 mil anfitriões ativos, como são chamados os que recebem os hóspedes. A atividade econômica da plataforma no país em 2016 alcançou R$ 1,99 bilhão, englobando renda do anfitrião mais despesas dos hóspedes.

Para Fonseca Jr, o serviço oferecido por meio do aplicativo é uma "atividade ilegal" e, além disso, "tira impostos das empresas regulares que recolheriam para os cofres públicos, gerando desemprego e fechando hotéis". Segundo ele, mais de 100 hotéis encerraram atividades no Brasil em 2017. O presidente da entidade defende que, em um momento em que o país precisa ampliar a arrecadação, "não se pode deixar que uma empresa multinacional atue no país de forma irregular, sem pagar a carga tributária".

- Nós precisamos que as autoridades do governo federal tomem conhecimento disso, porque senão vai realmente prejudicar de forma irreversível o parque hoteleiro nacional.

 

Reserva de mercado - Para o Airbnb, a movimentação da Abih Nacional e outras entidades do setor objetiva "garantir uma reserva de mercado, sufocar a inovação e a concorrência e ameaçar a atividade lícita e regulamentada do aluguel de temporada". Em nota oficial, a gerente de Comunicação para a América Latina do Airbnb, Leila Suwwan, disse que a plataforma conecta viajantes de todo o mundo a pessoas interessadas em obter renda extra alugando um quarto ou imóvel inteiro por temporada.

"É uma atividade prevista e regulamentada pela Lei do Inquilinato e os locatários devem declarar e recolher os impostos de acordo com as regras do Imposto de Renda", disse.

A gerente de Comunicação afirmou que o crescimento do Airbnb no Brasil tem resultado em "uma série de benefícios econômicos, começando pela renda extra gerada para os anfitriões e democratizando as receitas ligadas ao turismo, beneficiando especialmente empreendedores e pequenos comerciantes no entorno dos imóveis alugados".

Segundo Leila, o Airbnb mantém o compromisso público de dialogar com governos e legisladores e discutir novas regras, "desde que sejam em benefício da sociedade, da livre concorrência e inovação, e não em direção dos interesses corporativistas dos setores tradicionais de hospedagem.

O presidente da Associação de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro (Abih-RJ), Alfredo Lopes, salientou que a questão se torna complexa no estado, onde a rede hoteleira fez investimentos superiores a R$ 10 bilhões e dobrou a oferta de 30 mil para 60 mil quartos, com vistas à realização no país da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada Rio 2016.

- A hotelaria investiu pesado para atender a uma demanda da ampliação da oferta de leitos, tem uma carga tributária altíssima e gera, somente no Rio de Janeiro, pelo menos 180 mil postos de trabalho, além da altíssima arrecadação de Imposto Sobre Serviços (ISS) gerada para os cofres municipais.

Lopes lembrou que isso vale também para pousadas, albergues, apart-hotéis e outros meios de hospedagem "que trabalham na legalidade".

Desde o fim das Olimpíadas, o setor registra uma ocupação média abaixo de 50%, com elevada ociosidade de leitos. Além da questão dos impostos, Lopes destacou que a plataforma estrangeira reúne imóveis que não recebem nenhuma fiscalização ou capacitação.

Já o Airbnb ressaltou em comunicado que foi o fornecedor oficial de acomodação alternativa durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, quando registrou mais de 85 mil chegadas de hóspedes em três semanas, para viabilizar acomodação para visitantes "quando a capacidade hoteleira estava saturada".

 

Com informações da Agência Brasil