Trump diz que China desloca tropas para fronteira com Hong Kong

Em rede social, presidente replicou vídeo com dezenas de caminhões militares em uma via pública em Shenzhen, cidade chinesa na divisa.

Internacional / 11:07 - 14 de ago de 2019

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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ontem que recebeu informações de inteligência que apontam que o governo da China está movimentando tropas para a fronteira com Hong Kong, aumentando o temor de uma possível intervenção chinesa para conter as manifestações no território.

"Nossa inteligência nos informou que o governo chinês está movendo tropas para a fronteira com Hong Kong. Todos devem permanecer calmos e a salvo!", escreveu Trump no Twitter.

Ele também retuitou um vídeo que mostra dezenas de caminhões militares em uma via pública.

A descrição aponta que a movimentação foi registrada em Shenzhen, cidade chinesa na divisa com Hong Kong, que ainda mantém status administrativo e econômico separado da China.

No mesmo dia, veículos da imprensa estatal chinesa divulgaram vídeos que mostram formações de blindados se deslocando para Shenzhen. Os veículos trazem identificações da Polícia Armada Popular, uma força policial chinesa com organização militar que é empregada para conter revoltas e protestos.

Nos últimos dias, Pequim tem demonstrado impaciência com os manifestantes. Na segunda-feira, o governo chinês afirmou que está vendo "sinais incipientes de terrorismo" nas manifestações.

No início do mês, o Exército chinês também divulgou vídeo que mostra um exercício militar em que soldados agiam para conter uma manifestação encenada, no que foi encarado como um recado para os participantes dos protestos em Hong Kong, cujo aeroporto foi tomado por manifestantes nos últimos dias.

Há quatro meses, Hong Kong, ex-colônia britânica, vem sendo palco de protestos pró-democracia que vêm desafiando o regime de Pequim.

Nesta terça-feira, autoridades do aeroporto de Hong Kong disseram na quarta-feira terem recebido um mandado de segurança temporário que impede os manifestantes de obstruir ou interferir ilegal e deliberadamente no funcionamento normal do aeroporto internacional de Hong Kong.

As autoridades enfatizaram que as pessoas também estão proibidas de participar de qualquer demonstração, manifestação ou evento de ordem pública no aeroporto a não ser nas áreas designadas pelas autoridades do aeroporto.

O mandado de segurança temporário estipula claramente que nada no mandato deve ser interpretado como autorizando qualquer tipo demonstração, manifestação ou evento de ordem pública contrário ao Regulamento sobre a Ordem Pública.

Nesta quarta, o aeroporto começou a retomar a operação nesta quarta-feira após dois dias de caos e cancelamentos de voos provocados pelos manifestantes.

Os passageiros podem realizar procedimentos de check-in depois que passagens ou comprovantes de compra forem verificados pelo pessoal do aeroporto. Uma porta de check-in está aberta para os passageiros.

Dezenas de manifestantes ainda estão sentados em uma das seis saídas do salão de chegada. Uma área de demonstração foi marcada com funcionários de segurança andando ao lado.

Como um dos aeroportos mais ocupados do mundo, o aeroporto internacional de Hong Kong processou uma média de 200 mil viajantes todos os dias em 2018.

Uma porta-voz do Departamento dos Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado da China expressou nesta quarta-feira forte indignação e condenação sobre o cerco e ataque contra um jornalista e um viajante da parte continental por manifestantes no Aeroporto Internacional de Hong Kong na noite de terça-feira. A porta-voz Xu Luying expressou apoio à polícia de Hong Kong para que os manifestantes sejam presos de acordo com a lei.

A violência ocorreu na noite de terça-feira e na manhã de quarta-feira, quando manifestantes violentos em uma assembleia ilegal no aeroporto atacaram dois residentes da parte continental, disse a porta-voz.

Às 20h de terça-feira, os manifestantes detiveram ilegalmente um residente da cidade de Shenzhen de sobrenome Xu, que, com a permissão de viagem a Hong Kong e Macau estava no aeroporto para se despedir de amigos. Ele foi amarrado, teve raios de laser apontados nos seus olhos e foi agredido, ficando em coma antes dos paramédicos o levarem para o hospital. Com a ajuda da polícia, Xu foi resgatado em quatro horas. Na hora do incidente, os manifestantes também cercaram e atacaram violentamente um policial, roubando até mesmo o seu cessetete.

Na manhã de quarta-feira, os radicais violentos amarraram as duas mãos de um repórter do Global Times, de sobrenome Fu, acusando-o de fingir ser apenas um jornalista. Eles cercaram e assaltaram Fu, causando múltiplos ferimentos nele.

"Condenamos firmemente o ato quase terrorista e estendemos nossa profunda simpatia aos compatriotas feridos da parte continental e ao policial de Hong Kong. Nos últimos dias, temos visto que os radicais violentos em Hong Kong passaram completamente dos limites da lei, da moral e do humanismo, e cometeram flagrantemente crimes violentos severos, que são chocantes e deprimentes", assinalou Xu.

Seus atos mostram o desprezo extremo para com o Estado de direito e tem prejudicado seriamente a imagem internacional de Hong Kong e tem prejudicado o sentimento dos compatriotas da China continental, disse ela.

"Esses crimes violentos devem ser punidos severamente de acordo com a lei", disse a porta-voz, acrescentando que "apoiamos firmemente a força policial de Hong Kong e os órgãos judiciais para aplicar resolutamente a lei, administrar estritamente a justiça e levar os criminosos à justiça o mais cedo possível."

 

Com informações da Agência Brasil, citando a Deutsche Welle; e da Xinhua

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