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Transtornos nas vias cariocas causados por confrontos mobilizam 4 mil tuitadas

Rio de Janeiro / 02 Fevereiro 2018

Análise do debate sobre as interdições nas grandes vias da cidade do Rio de Janeiro, causados pelos confrontos da última semana entre policiais e criminosos, identificou 4,1 mil postagens feitas entre as 12h do dia 24 de janeiro e as 11h de ontem. A frequência de tuítes no momento de maior mobilização, das 11h às 13h de quarta-feira, chegou a uma média de 31 por minuto.

O estudo foi feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A análise identificou, ao todo, quatro picos de menções nesse período. O primeiro deles, que aconteceu entre as 14h e as 16h do dia 24 - com 57 tuítes por hora -, coincidiu com a interdição da Linha Amarela após tiroteio na altura da Cidade de Deus, favela na Zona Oeste do Rio, por volta das 15h. A Linha Amarela é uma via expressa que liga a Baixada de Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade, à Ilha do Fundão, na Zona Norte.

O segundo pico de menções do debate aconteceu entre as 17h e as 19h de quinta-feira (25/01). Nesse momento, em que o debate alcançou 39 tuítes por hora, aconteciam dois conflitos na cidade. Ao mesmo tempo em que um tiroteio na Rocinha causou, pela manhã, o fechamento da Lagoa-Barra, autoestrada que liga o bairro da Gávea, na Zona Sul, e a Barra da Tijuca, na Zona Oeste, um ônibus era incendiado na Avenida Niemeyer, umas das maiores vias da Zona Sul, interrompendo o trânsito na altura do Vidigal, comunidade vizinha à Rocinha.

Das 22h de quinta (5.01) às 10h desta quarta (31.01), o volume de menções no debate foi pouco expressivo, não ultrapassando 7 tuítes por hora. Nesse período, apesar dos eventuais confrontos, não houve interdição de nenhuma via na cidade.

O terceiro e maior pico de menções aconteceu das 11h às 13h desta quarta (31/01). Durante esse período, o debate chegou a alcançar 113 tuítes por hora e coincidiu com um tiroteio que interditou, mais uma vez, o trânsito na Linha Amarela. O quarto e último pico de menções, com 101 tuítes por hora, aconteceu nesta quinta-feira (01/02), entre as 8h e as 10h, momento em que um tiroteio na Cidade de Deus provocou, mais uma vez, o bloqueio da Linha Amarela.

Os transtornos ocorridos na Linha Amarela são o assunto que mais predominou no debate, durante o período analisado. É o que sugerem as duas palavras mais recorrentes no debate, "linha" e "amarela", que aparecem em 87% (cerca de 3,3 mil menções) e 79% (pouco mais de 3 mil menções), respectivamente. Nas três posições seguintes de palavras mais frequentes, aparecem "cidade" (em 32% do debate), "tiroteio" (31%) e "interditada" (24%).

A lista de hashtags mais usadas no debate também reflete uma concentração maior nos confrontos que aconteceram na Linha Amarela. Elas são a #alert, que aparece em 5% das postagens (190 menções) e, em 2% do debate, #linhaamarela; #tirosrj; #pmerj; #trcdd, referente ao tiroteio (tr) na Cidade de Deus (cdd); #rioemguerra; #cidadededeus; #upp; #cdd; e #fogocruzadorj

Os emojis mais usados, por sua vez, manifestam o caráter urgente das postagens e a tentativa de informar e alertar os usuários do Twitter a respeito dos transtornos nas vias causados pelos confrontos . O emoji de alta voltagem () foi o mais popular, aparecendo em 1,4% das postagens. Ele é seguido dos emojis de aviso (), de tacha ( ) e de jornal ( ), que aparecem em quase 1% do debate cada. Além desses, outros emojis relacionados ao assunto usados nesse período são os de fogo ( ), de ônibus ( ) e de grito ( ), com uma frequência de 0,5% cada.

A postagem mais compartilhada no período analisado, com mais 270 retuítes, informa sobre a interdição da Linha Amarela no dia 24 de janeiro, por conta de um tiroteio, que coincidiu com o bloqueio da Avenida Brasil, via expressa que corta 26 bairros da cidade , em função do desabamento de uma passarela na altura do bairro Cidade Alta, na Zona Norte. A postagem termina com uma crítica à cidade do Rio. Outras postagens mais compartilhadas fazem alertas sobre a localização das interdições e chegam a mencionar a causa das interdições nas vias.

 

Rio já tem 16 policiais mortos e 34 feridos neste ano

Em pouco mais de um mês, 50 policiais civis e militares foram baleados no Rio de Janeiro. Desses, 16 morreram, sendo dois policiais civis e 14 militares. A vítima mais recente foi o cabo Rafael dos Santos Castro, que morreu durante ação policial em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

O cabo e um sargento foram chamados para cumprir ordem de busca na comunidade Bacia do Éden. O cabo foi baleado na cabeça, no abdome e na perna. O sargento, identificado apenas como Alexandre, também foi atingido por um tiro, mas apenas de forma superficial na cabeça.

 

Com informações da Agência Brasil