Transgênicos com os dias contados

Conjuntura / 05 Dezembro 2017

Especialista do CTNBio diz que empresas do setor sofrem crise

O setor de biotecnologia – que basicamente projeta e desenvolve organismos geneticamente modificados, os transgênicos – está em decadência, e a maioria das companhias do setor está mergulhada em dívidas. Este é o pensamento do professor e ex-diretor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Mohamed Ezz El-Din Mostafa Habib, especialista da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), exposto em entrevista à Rede Brasil Atual (RBA).
O cientista egípcio naturalizado brasileiro de 75 anos, que chegou por aqui como refugiado no começo da década de 1970 depois de viver na Europa, cita que as fusões no setor são uma forma de tentar sobreviver à crise que leva muitas empresas à beira da falência.
Habib cita que a maior empresa de biotecnologia do planeta, a Monsanto, foi comprada pela Bayer, e que a britânica Oxitec, que desenvolveu mosquitos transgênicos liberados no Brasil, foi com-prada por um grupo maior, o Intrexon, dos Estados Unidos, depois de perder apoio da Universidade de Oxford, na Inglaterra, onde foi criada em uma incubadora de empresas. E continua com dados econômicos insatisfatórios.
“Os anúncios de novas invenções, que prometem uma planta capaz de ser resistente a mais de um herbicida e ainda sintetizar toxinas que combatem pragas, isso tudo é conversa para boi dormir. Não adianta criar inventos com múltiplas ações, que não resolve. Não pensem que, ao se adicionar mais um gene a uma semente de uma espécie vegetal, que tem mais de 40 mil genes, estaremos criando uma outra espécie, que vai durar para sempre. A natureza é mais forte do que a intervenção humana, que tem a pretensão de ser mais fortes do que a natureza”, decreta o professor.
Nunca é demais dizer, salienta Habib, que a agricultura com base altamente tecnológica e mecanizada não produz a comida que chega à mesa das pessoas em todo o mundo, “só serve pra produzir matéria prima e energia”. “Então, nós vamos sobreviver sim. Eles (as empresas) é que vão desaparecer. A inviabilidade econômica de um produto, para eles, é suficiente para saírem do mercado.”