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Três em 10 jovens de até 24 anos estão fora do mercado de trabalho, maior taxa desde 1991

Conjuntura / 09 Fevereiro 2018

O número de jovens desempregados está crescendo ano após ano. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), praticamente 30% dos brasileiros com idade até 24 anos está fora do mercado de trabalho, a maior taxa desde 1991. A maioria dos jovens afetados são os de renda mais baixa, pois tem como fator hostil a falta de oportunidades para estudos e capacitação profissional.

Dados do Instituto Proa apontam que dos alunos formados nos últimos três anos, 85% deles estão empregados. A expectativa é que ainda em 2018 a taxa chegue a 90%.

- O jovem de baixa renda vindo da escola pública tem menos oportunidades em comparação com os estudantes de escolas particulares. Além do déficit na capacitação acadêmica, muitos desses jovens precisam parar de estudar para cuidar da família, filhos ou até para trabalhar em cargos informais - explica Rodrigo Dib, diretor-executivo do Proa.

 

Brasil volta à lista de casos que devem ser analisados pela OIT

O Brasil voltou este ano para a "long list", rol de casos que o Comitê de Peritos sobre a Aplicação de Convenções e Recomendações da Organização do Trabalho (OIT) considera graves e pertinentes para solicitar uma resposta completa quanto às observações relacionadas ao cumprimento de determinadas normas internacionais pelos Estados-membros.

O retorno do Brasil à lista deve-se, novamente, às possíveis violações a normas internacionais de proteção à liberdade e à dignidade no trabalho, tendo em vista a aprovação da Lei 13.467/2017, que dispõe sobre a reforma trabalhista.

- Mesmo não tendo figurado na lista reduzida, o Comitê continuaria analisando a situação brasileira. Foi o que ocorreu no ano passado, sinalizando fortemente sobre a necessidade de o país reafirmar o seu compromisso com o desenvolvimento econômico sustentável, o que inclui a observância de normas básicas de proteção à pessoa trabalhadora - lembra a vice-presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), juíza Noemia Porto, que acompanhou os debates na Conferência, em junho do ano passado.

A vice-presidente da Anamatra vê com preocupação a reinserção do Brasil na lista.

- A imagem que o Brasil vinha construindo ao longo da sua história democrática de compromissário com a cidadania plena, inclusive no campo do trabalho, começa a ficar comprometida, quando se observa sua reiterada inserção em lista de casos que demandam a tomada de providências e de esclarecimentos pelo governo brasileiro.