Terrorismo do ETA abala a Espanha

Opinião / 14:26 - 3 de nov de 2000

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O último atentado terrorista do grupo separatista basco ETA (iniciais de Euskadi Ta Asktasuna que em idioma basco significa Pátria Basca e Liberdade), apavorou a sociedade espanhola. Todas as instituições políticas e sociais da Espanha manifestaram seu veemente repúdio a mais este atentado desatinado e indiscriminado a vidas humanas, praticado por grupo de fanáticos enlouquecidos. Desde que foi criada, em 1968, a ETA já matou 788 pessoas e deixou milhares de feridos, vítimas da guerra terrorista que move contra o governo de Madrid. Desta vez, no último dia 30, as vítimas foram três mortos e cerca de trinta feridos. Entre os mortos estão um juiz do Supremo Tribunal de Justiça, seu motorista e um segurança. A causa que defende a ETA é a da independência das províncias Basca e Navarra, ambas fronteiriças com a França. As reivindicações da ETA estendem-se também a partes de território francês, vizinho as estas províncias. Entretanto, a guerra terrorista tem se concentrado contra o governo de Madrid. As pretensões separatistas das províncias bascas são muito antigas e já causaram inúmeras insurreições, revoltas e atentados. O governo espanhol, desde longa data, tem procurado contornar o assunto assegurando um status especial de autonomia às mesmas, porém, depois de um período de acomodação, volta a maré da violência reivindicatória. A delicadeza da reivindicação basca tem causado enorme preocupação ao governo espanhol. Esta preocupação é facilmente perceptível lendo-se o texto da última Constituição, de 1978. Diz: "a indissolúvel unidade da nação espanhola, pátria comum e indivisível de todos espanhóis, reconhece e garante o direito de autonomia das nacionalidades e das regiões que a compõem, assim como a solidariedade que as liga". Os constitucionalistas deixaram claro, na citação acima, a força das convicções unionistas que os inspiraram. O recrudescimento do separatismo basco, movido por uma verdadeira demência assassina, é mais um episódio lamentável, radical e desumano, que vem se acrescentar à onda reivindicatória crescente do grupos nacionalistas e étnicos, que irrompem por todo o planeta, despertados pela distenção trazida pelo fim da bipolarização do poder. O mundo vive uma época de transição e, nela, a grande contradição entra os anseios de solidariedade e os anseios de separação. O espetáculo de violência reinvindicatória que invade todas partes do planeta desmente os que pensam num mundo globalizado. Carlos de Meira Mattos General Reformado do Exército e Conselheiro da ESG.

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