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Tecnologia embarcada e conectividade agilizam produtividade

Automação e inteligência artificial para aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro.

Empresas / 22:18 - 05 de Jun de 2019

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A 26ª edição da Agrishow, que aconteceu recentemente em Ribeirão Preto (SP), mostrou soluções para ampliar e qualificar a produtividade no campo. Ter tecnologias que facilitam obter as informações à mão com rapidez na tomada de decisão, trouxe ao debate a polêmica do acesso restrito dos produtores à conectividade, o que gera dificuldade para tornar real a usabilidade de todas essas tecnologias embarcadas nas máquinas, implementos agrícolas, transmissão de dados via satélite, dentre outras. Esta foi, ou deveria ser a grande discussão, mas teve que disputar espaço com o anúncio abaixo do esperado de recursos para complementar os programas de financiamento de máquinas agrícolas.

A demanda sobre conectividade é urgente aos empreendedores rurais que querem elevar suas capacidades de produção e gestão. E nesse caminho a indústria do setor, apresentou na feira uma imensa oferta de soluções na medida exata das necessidades dos produtores de todos os tamanhos e segmentos do agronegócio.

Um exemplo foi a sul-coreana LS Tractor que com cerca de seis anos no mercado brasileiro tem oferecido alta tecnologia embarcada nos seus modelos de tratores. Este ano, lançou um aplicativo para ser utilizado num tablet ou smartphone durante a operação do trator.

Conforme Astor Kilpp, gerente de marketing e produto da LS Tractor, o aplicativo permite armazenar todas as ordens de serviço dadas pelo gestor da propriedade diretamente no tablet/smartphone e não mais em um papel, como era antigamente, e tudo pode ser alterado pelo operador. “Qualquer pessoa que for operar o trator precisa de uma chave digital (QR Code) para acionar o sistema que vai reconhecer o operador e se comunicar com a base”, afirma Kilpp.

Segundo o executivo, todas as operações realizadas via App são cruzadas com a telemetria para informar se o operador está realizando as tarefas agendadas, é possível determinar, também, a velocidade de trabalho, o tempo de máquina parada, o clima, e demais dados. “Feito a ordem de serviço, toda a informação é transmitida para a base. Se não houver sinal, fica armazenado até que consiga se conectar”, salienta Kilpp. Todos os modelos da LS Tractor possuem entrada para a instalação desta tecnologia e alguns vão sair de fábrica com ela.

E nessa mesma lógica, visualizar no computador ou smartphone a lavoura para gerenciar as áreas que necessitam mais ou menos irrigação é imperativo para que o produtor brasileiro tenha as mesmas ferramentas que as propriedades ao redor do mundo.

E um dos grandes exemplos dessa realidade, disponível no Brasil, são as tecnologias em equipamentos e inteligência na gestão da irrigação nas propriedades para maior precisão na demanda de tempo e quantidade de água e fertilização. E a israelense Rivulis, um dos maiores players do setor no mundo, após anos de pesquisa, lançou no Brasil o Manna Irrigation, um sistema de monitoramento de lavouras via satélite que permite ao agricultor saber qual área da propriedade necessita de água e a quantidade exata.

O programa faz uma varredura via satélite de toda a área plantada, indicando ao produtor qual parte da plantação precisa de mais ou menos irrigação. A instalação é fácil, é só definir seus campos, culturas e data de plantio. Em 24 horas, o sistema está pronto para fornecer recomendações de irrigação para cada zona plantada. A tecnologia é exclusiva Rivulis e possui interface aberta que permite integração com outros tipos de irrigação e pode ser operado de qualquer lugar onde o produtor esteja. “Hoje, o Manna é usado em mais de 40 tipos de culturas no mundo, e no Brasil, já comprovou sua eficiência em grãos, café, banana, algodão feijão e silvicultura”, afirma Guilherme Souza. diretor comercial da Rivulis no Brasil.

 

Inteligência Artificial

 

O produtor brasileiro tem a sua disposição as mesmas tecnologias usadas no mundo. Do manejo da produção, à gestão da propriedade e monitoramento que impactam positivamente todos os níveis de processos que uma propriedade necessita manter em alta performance.

Hoje, temos máquinas que podem realizar tarefas humanas, que aprendem com a repetição, que sugerem soluções, capazes de avaliar e resolver problemas tomando a melhor decisão em frações de segundos. O futuro no manejo da produção, monitoramento e gestão foi apresentada, pela primeira vez, no Agrishow 2019, pela paranaense Agres Agricultura Inteligente, uma das líderes do segmento de tecnologias para agricultura de precisão no Brasil. A empresa anunciou o lançamento da Cl4udIA, sua plataforma de inteligência artificial com foco de atuação no segmento de implementos agrícolas.

A Cl4audIA está inserida no IsoFarm que vai trabalhar, inicialmente, em duas atividades do plantio: a fertilização e a pulverização. “Com apoio de um sistema de visão embarcada, processadores de alta performance e associados a nossa plataforma de IA, é possível selecionar as plantas que serão pulverizadas e, num sistema de pulverização tradicional por exemplo, é capaz de deixar a aplicação mais efetiva e pontual, pois atua onde é realmente necessário na planta”, explica Ezequiel Kwasnick, team leader e diretor de tecnologia da Agres Agricultura Inteligente.

Segundo o executivo, a pulverização seletiva gera uma economia de até 60% em insumos, além de trazer ao processo um manejo socioambiental responsável. “Isto acontece porque os dados coletados na operação de pulverização serão aplicados de forma verdadeiramente inteligente, e não apenas em relatórios descritivos ou em diagnósticos”, salienta Kwasnick.

 

Gestão via satélite

 

A diversidade de marcas que trazem soluções para as mesmas demandas faz do segmento do agronegócio um mercado fértil para as empresas que oferecem propósito e relacionamento como diferencial. Isto porque, o nível tecnológico é tão semelhante que poucas conseguem – efetivamente – se destacar e se manter no topo da lembrança do cliente. Hoje, tempo de mercado não é mais referência, mas a capacidade das empresas em apresentar soluções, mesmo que a necessidade nem seja percebida como tal.

Esta é a realidade da multinacional argentina Colven, que conquistou a liderança no mercado brasileiro de equipamentos para veículos e máquinas industriais. Este ano, a indústria levou à Agrishow, o Sistema Gestya que gera uma gama de vantagens às empresas e produtores como a Telemetria que faz monitoramento 24h via satélite para veículos de qualquer porte, tratores e colheitadeiras; e levando dados remotos para análise e controle de riscos. “O Gestya proporciona ganhos reais na redução dos custos fixos e operacionais aos produtores, pois, o gestor antecipa riscos e decide com maior precisão e com controle total das informações sobre o uso de tratores e colheitadeiras”, explica Benjamin Cusit, diretor geral da Colven Brasil.

Para o executivo, a Colven foi melhorando suas práticas de desenvolvimento e pesquisas, olhando às necessidades pontuais desse segmento do mercado. "Assim, conseguimos criar um time colaborativo de especialistas e pesquisadores com engajamento e propósito para encontrar soluções com eficiência e eficácia na entrega de resultados aos nossos clientes”, pondera.

E neste caminho de propósito e relevância, está a inglesa Perkins que, como parte de um amplo portfólio de produtos fabricados na sua planta em Curitiba-PR, os motores apresentados na feira são parte de uma gama de motores confiáveis, fabricados localmente, que entregam as melhores soluções para os clientes do Brasil e América Latina e foram projetados para atender – com precisão –as novas normas de emissão de poluentes (Resolução MAR1) do Brasil.

Com o último padrão de emissão impactando máquinas agrícolas abaixo de 100cv, praticamente todos na indústria foram afetados por essa mudança. Mas a Perkins mostrou que se preparou para antecipar esta necessidade que hoje se torna urgente.

No mercado mundial há mais de 85 anos, atendendo 800 fabricantes pelo mundo e com oito fábricas, os motores de altaperformance daPerkins são usados nos segmentos agrícola, industrial e na geração de energia, incluindo geradores, tratores, empilhadeiras, retroescavadeiras, mini-escavadeiras, etc. “Estamos em contínuo investimento em novas tecnologias para ajudar fabricantes de máquinas a cumprirem seus desafios de emissões como o MAR1. Assim, mostramos nosso compromisso com o agronegócio e engajamento com clientes do Brasil e América Latina, ajudando o usuário final a superar quaisquer desafios com MAR1 que possam estar enfrentando”, revela Ron Schultz, diretor de vendas para as Américas, da Perkins.

Cenário: monopólio x acesso à tecnologia

E ao final da feira, a imensa oferta de tecnologia que pode elevar o nível da relevância do produto brasileiro no mercado internacional está, literalmente, na mão de não mais que seis empresas que possuem o monopólio no país do setor de telefonia móvel, fixa e internet, seja por cabo de fibra ótica ou por via satélite. Mas sem conexão, não há como usar toda essa tecnologia embarcada para benefício do agronegócio nacional.

A questão agora é, quem irá se responsabilizar por moralizar essa relação entre tecnologia, conexão, acesso e monopólio? A importância do agronegócio para o Brasil é indiscutível: representa 25% do PIB nacional e é responsável pelo saldo positivo da balança comercial (em mais de R$ 96 bilhões em 2018). Para 2019, o agronegócio brasileiro iniciou com perspectivas otimistas, mesmo com um cenário marcado por incertezas.

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro deverá crescer 2% em relação a 2018. E as perspectivas do agronegócio brasileiro 2019 são melhores. A medida de faturamento da atividade agropecuária dentro da porteira (Valor Bruto da Produção – VBP) deve aumentar em 4,3%, segundo a CNA.

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