Taxa de desocupados deve ficar em 11,3%

Historicamente, taxa no último trimestre tende a ser inferior às anteriores, devido ao aquecimento do mercado pelas festas de fim de ano.

Conjuntura / 18:05 - 13 de fev de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga amanhã a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (Pnad Contínua). Para o professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo), Samuel Durso, a taxa de desocupados deve se manter em queda, ficando em 11,3%.

"Historicamente, a taxa de desocupação para o último trimestre tende a ser inferior à taxa dos períodos anteriores, em função do aquecimento do mercado, ocasionado pelas comemorações de final de ano", comenta.

Para o professor, o índice deverá apresentar um aumento no número de trabalhos informais e um dos motivos é a mudança na dinâmica de trabalho.

"Com o desenvolvimento da tecnologia, tem crescido as novas formas de ocupação. Genericamente, pode-se denominar de "uberização" do trabalho, que são classificadas como atividades informais na economia por não estabelecer vínculos empregatícios", explica.

Uma segunda justificativa recai na baixa criação de trabalhos formais na economia.

"Vários economistas têm destacado que o Brasil passa por um grande processo de desindustrialização, o que impacta negativamente na geração de postos formais para a economia. É importante destacar que os trabalhos informais possuem menos garantias de emprego e podem gerar impactos negativos para o sistema previdenciário nacional, uma vez que menos pessoas tendem a contribuir para a aposentadoria quando estão na informalidade. O aumento dos trabalhos informais, portanto, não tende a ser uma escolha da força de trabalho, mas sim a única alternativa existente para a obtenção do próprio sustento", completa.

Os últimos dados divulgados pelo IBGE para a PNAD mensal de dezembro de 2019 indicaram uma leve melhora na taxa de desocupação para a economia Brasileira. Durso explica que os resultados são favoráveis, porém ainda estão longe da situação apresentada antes da crise econômica instaurada, em 2015, no país. "A taxa de desocupação para o último trimestre de 2014 foi de 6,5%, muito distante do patamar de 11,3% que deve ser alcançado para o mesmo período de 2019. Além disso, o início de 2020 está marcado por uma ameaça de recessão econômica no mercado internacional, em decorrência do novo corona vírus, identificado na China. Os problemas que uma das principais regiões econômicas chinesa vem enfrentando, desde o início do ano, já impacta no comércio internacional. Caso a situação se agrave, as exportações brasileiras podem ser prejudicadas e, assim, gerar impactos negativos para a criação de empregos na economia nacional".

Já o número de desalentados, na divulgação mensal de dezembro de 2019, foi de mais de 4,6 milhões de pessoas.

"Esse número vem crescendo de forma rápida desde 2015, sendo que desde 2017 está acima do patamar de quatro milhões de pessoas. Os desalentados representam a parcela da população que gostaria de trabalhar, mas que não conseguem emprego (seja porque não conseguiram um trabalho adequado, não tinham a capacitação necessária, eram muito jovens ou muito idosos para a ocupação, ou, ainda, porque não encontraram trabalho na localidade)", afirma.

De acordo com Durso, esse dado tende a ser ainda mais preocupante ao se analisar o perfil da população desalentada.

"Os microdados divulgados pelo IBGE para trimestres anteriores mostram que esse grupo tende a ter uma maior participação de jovens, mulheres, pardos e de indivíduos com baixa escolaridade. Os desalentados tendem a ser, portanto, uma parcela da população que já está mais exposta a vulnerabilidades sociais. Ao não inserir essas pessoas na economia, corre-se o risco de potencializar os problemas sociais enfrentados por esses indivíduos, desencadeando uma série de outros problemas para a economia", finaliza.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor