Tarifas cobrem despesa com pessoal dos bancos

Aumento na cobrança de serviços supera em até 200% a folha de pagamento.

Conjuntura / 22:56 - 13 de ago de 2019

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A cobrança de tarifas pelos quatro maiores bancos do país resultou em ganhos de R$ 55,8 bilhões no primeiro semestre de 2019, o que significa 5,3% a mais do que no mesmo período do ano anterior. O valor foi mais que suficiente para cobrir a despesa com pessoal das instituições, incluindo o pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR).

A cobertura variou entre 115% (no BB) e 198,3% (no Santander). No Itaú, a receita com tarifas foi 161% maior que a folha de pagamento. Os cálculos são do Dieese para a Rádio Brasil Atual (RBA).

No Itaú e no BB, houve mais demissões que contratações. Foram fechados 983 e 1.507 postos, respectivamente, em 12 meses. No Santander, foram abertos 904 postos de trabalho, enquanto no Bradesco, o saldo foi de 1.515, para atender a ampliação da área de negócios do banco.

Os quatro maiores bancos do Brasil registraram aumento no lucro de 21,3% no segundo trimestre, atingindo R$ 20,5 bilhões, em comparação igual período do ano passado. No primeiro semestre, o lucro chegou a R$ 42,9 bilhões, crescimento médio de 20,4% em relação a igual período de 2018 e rentabilidade variando entre 17,4%, no Banco do Brasil, e 23,6%, no Itaú Unibanco.

Para o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, “o setor financeiro passou a ser proprietário do sistema produtivo e, com as elevadas taxas de juro, passaram a ter um retorno extremamente elevado. Os mecanismos permitem que os bancos se apropriem da riqueza do país”, disse à RBA.

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