Tarifas americanas afetam balança comercial da Argentina e Brasil

Para economista, 'pior é um país como os EUA se fechar, sem assumir a responsabilidade como economia central na balança mundial'.

Internacional / 11:56 - 6 de dez de 2019

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A decisão dos EUA de reimpor tarifas sobre importações de aço e alumínio da Argentina e do Brasil é uma medida protecionista que mostra que está desrespeitando sua responsabilidade de manter a balança comercial internacional, segundo o economista Jorge Marchini.

Embora as tarifas sejam um golpe para as indústrias de aço e alumínio da América do Sul, o desdém que os EUA demonstram pela estabilidade das economias periféricas é mais uma preocupação, disse Marchini, professor da Universidade de Buenos Aires (UBA) e vice-presidente da Fundação para a Integração Latino-Americana (Fila).

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou as tarifas na segunda-feira via Twitter, alegando que Argentina e Brasil permitiram que suas moedas desvalorizassem em uma tentativa de tornar suas exportações mais competitivas, prejudicando os agricultores americanos.

Esse aumento no protecionismo se torna difícil para os países latino-americanos, que invariavelmente têm problemas na balança de pagamentos que precisam combater, tentando aumentar as exportações para um mercado internacional cada vez mais fechado, afirmou Marchini.

"Os países latino-americanos têm essa dificuldade com a balança de pagamentos... então esses países estão sendo obrigados a exportarem mais e, ao mesmo tempo, mercados que poderiam absorver as exportações estão sendo fechados", afirmou ele.

Pior ainda, disse ele, um país central como os EUA, com uma presença histórica e significativa na região, decide se fechar, sufocando ou pressionando a América Latina, sem assumir sua responsabilidade como economia central na balança internacional.

As tarifas prejudicam a indústria de aço e alumínio da Argentina, cujas exportações são avaliadas em cerca de US$ 700 milhões por ano. Para Aluar, a principal empresa de alumínio do país, vendem para os EUA o que representa 40 por cento de sua produção total.

A decisão de Trump de reimpor as tarifas "reverte" sua própria decisão no ano passado de isentar o país sul-americano da medida protecionista, juntamente com Brasil, Austrália, União Europeia e Coréia do Sul.

"É uma reviravolta muito surpreendente que gera incerteza e desacordo, especialmente no caso da Argentina, dadas as dificuldades históricas da Argentina e alternativas de posicionamento em relação aos EUA", afirmou Marchini.

Os países latino-americanos precisam mostrar maior unidade ao lidar com "a ameaça dessas políticas protecionistas", disse o economista.

"Em um clima de protecionismo e recessão, temos que trabalhar em alternativas de unificação regional, não de concorrência. A região não se beneficiaria com a entrada de países em uma estrutura de desvalorização competitiva", afirmou ele.

"Temos que trabalhar na complementaridade e evitar o caminho da salvação unilateral. Isso não significa esquecer as assimetrias que existem na região, mas significa tentar resolvê-las", afirmou Marchini.

O Mercosul "é um ponto de partida" e "uma estrutura existente", mas enfrentou restrições e dificuldades na harmonização do comércio regional, disse ele.

"É necessário pensar na unidade regional... porque esse tipo de situação deve ser enfrentada com uma política comum", afirmou Marchini, enfatizando que "a união dos maiores países da região, incluindo Brasil e Argentina, é fundamental" para o sucesso.

 

Agência Xinhua

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