Tabata Amaral: 'sem pacote antipobreza, Brasil deve ter protestos'

Parlamentar é contra proposta do governo de pôr gastos obrigatórios com saúde e educação num mesmo fundo e deixar os prefeitos escolherem.

Política / 16:52 - 2 de dez de 2019

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A deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) cobrou dos seus pares no Congresso a aprovação rápida do pacote de projetos de combate à pobreza, para evitar que manifestações que têm ocorrido em países latinos cheguem ao Brasil. Em entrevista ao Poder em Foco, que foi ao ar ontem pelo SBT, elou detalha as propostas apresentadas na Câmara e fala do clima político para votação.

"Vinte e três dos 25 líderes de esquerda, centro e direita na Câmara estão apoiando o projeto como autores. Na minha visão é um pouco de leitura do que está acontecendo na América Latina. O Chile, que é um país mais desenvolvido que a gente, está tendo protesto. Bolívia, Equador, Colômbia também. Tem uma coisa que é constante: a desigualdade está aumentando nesses países e a população sente que a política não está respondendo", observou. Entre as medidas sugeridas está a constitucionalização do Bolsa Família.

Tabata Amaral ressaltou ser contra a proposta da equipe econômica de colocar gastos obrigatórios com saúde e educação num mesmo fundo e deixar os prefeitos decidirem em qual área investir mais. "Quando a gente tá na ponta, o que você sente mais? É o remédio que está em falta no posto de saúde ou é a escola que está sem nível? É o remédio que falta. Porque a pessoa sofre ali, no dia a dia. Agora, a educação você vai ver a diferença daqui há dez anos. Quem vai perder essa briga é a educação", concluiu.

A deputada, que cresceu numa ocupação na periferia de São Paulo, ganhou mais de 30 medalhas em olimpíadas de várias disciplinas escolares e conquistou bolsa na Universidade de Harvard, nos EUA, onde formou-se em Ciência Política e Astrofísica, afirmou que só falta dinheiro para investir em educação no país porque o Brasil escolhe errado como gastar.

Tabata abordou, ainda, temas polêmicos como aborto, cobrança em universidades públicas e descriminalização do uso recreativo da maconha. Aos 26 anos de idade e no primeiro mandato, ela revelou situações de preconceito e agressões verbais que já sofreu no Congresso Nacional e falou de sua relação com o PDT e com o ex-presidenciável Ciro Gomes. Ela foi suspensa da sigla depois de votar a favor da reforma da Previdência.

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