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Subdesenvolvimento africano = passado colonial?

Vamos tirar da nossa mente a fábula de conveniência, que define o atual subdesenvolvimento africano tendo sido causado pelo passado...

Opinião / 11 Julho 2018

Vamos tirar da nossa mente a fábula de conveniência, que define o atual subdesenvolvimento africano tendo sido causado pelo passado colonial. Esta tese é frequentemente apoiada, hoje, para justificar o êxodo descontrolado de imigrantes. Mas isso é falso.

A desintegração dos impérios coloniais, desde os anos 50, produziu a formação de Estados nacionais independentes, mas estes não tiveram a oportunidade de desenvolver as suas próprias economias, porque foram impedidos de fazê-lo: o colonialismo foi substituído por algo pior ainda, uma forma de pós-colonialismo, focada no controle econômico, que impedia que as economias locais crescessem e se desenvolvessem.

 

Multinacionais e poderes financeiros

passaram a dominar as elites locais

 

Apesar de ganhar a independência, de fato, as multinacionais e os poderes financeiros foram logo dominando os representantes da classe política e as elites locais, criando, assim, uma burguesia nacional que administra o país em nome e em defesa dos interesses estrangeiros.

O sistema econômico e a vida política desses Estados são hétero-dirigidos. Apesar de sua independência, nunca alcançaram soberania política e econômica substancial. Um exemplo concreto? O franco, moeda das colônias francesas africanas, agora ancorado ao euro, permanece sob o controle das autoridades francesas, que determinam as políticas monetárias dos dois bancos centrais africanos mais importantes.

Se a taxa de câmbio fixa tem a vantagem de anular os riscos para investimentos multinacionais, isso acontece às custas das economias reais, locais. É o franco CFA que hoje constitui um obstáculo intransponível para o crescimento e desenvolvimento das antigas colônias francesas, que deveria ser removido.

A miséria na África, claro, não foi provocada apenas por essa moeda, mas pelas políticas neoliberais, impostas, desde a década de 1980, pelo FMI e pelo Banco Mundial. Estas políticas foram experimentadas pela primeira vez sobre a África, impondo um modelo de desenvolvimento que tem forçado os países africanos a pedir mais e mais, para entrar nessa espiral de dívida, que nos últimos anos temos verificado.

Os países africanos foram atingidos por uma dinâmica sem escrúpulos de livre mercado internacional, sem proteção prévia dos setores industrial e agrícola, forçados, de um lado, a comprar bens e máquinas fabricados, a preços cada vez mais caros, no exterior, e vender as próprias matérias-primas a preços mais baratos. Para conquistar mercados externos, favoreceram o desenvolvimento de culturas de exportação em detrimento da autossubsistência, produzindo exclusivamente para o mercado externo e não para o consumo local.

Paradoxalmente, a fome na África não é causada pela falta de recursos, mas pela sua exportação: os países africanos exportam a produção, em vez de consumi-la. E tudo o que poderia ser obtido através das exportações está destinado a pagar a dívida externa, alimentando um círculo vicioso, que causou miséria e aumento da pobreza.

A isso, é adicionado um fenômeno demográfico singular. Normalmente, toda população passa de uma situação inicial de alta mortalidade e alta fertilidade, para uma condição de baixa mortalidade e baixa fertilidade. Na África Subsaariana, a mortalidade diminuiu, mas a taxa de fertilidade continua a ser a mais alta do mundo. Nos anos 1960, a população africana era de cerca de 300 milhões; hoje, é 1,2 bilhão; em 2050, se não ocorrerem mudanças, será cerca de 2,5 bilhões.

Está claro, então, que o Continente Negro precisaria de políticas econômicas e sociais voltadas para a qualificação da força de trabalho e uma política adequada de controle de natalidade. Em vez disso, a população jovem local é incentivada a deixar seus países e continuar a fazer com que mais jovens se mudem para a Europa. Não refugiados fugindo da guerra, mas, em grande parte, migrantes econômicos em busca de condições de trabalho, que não podem encontrar no continente africano, por causa das políticas econômicas neoliberais desastrosas que aumentaram a desigualdade, colocando em risco qualquer desenvolvimento interno.

Quem vem para Europa não são os mais pobres, mas aqueles dispostos a se endividar, aceitando empréstimos e créditos oferecidos por ONGs, na ilusão de serem capazes de encontrar, aqui, o que não podem encontrar em seu próprio país. Mas a Europa, hoje, se encontra em grande dificuldade, precisamente por essas mesmas políticas econômicas e monetárias, que até agora condenaram a África à permanente estagnação.

As grandes migrações, afinal, danificam atualmente a África, tanto quanto a Europa, e as únicas a ganhar são as elites globalistas, os grandes empresários, os especuladores de finanças, como Soros, que depois de terem espremido a África, como um limão, se dedicam, agora, a dar o golpe de graça à Europa: este é o grande negócio das ONGs.

 

Edoardo Pacelli

Jornalista, ex-diretor de pesquisa do CNR (Itália), é editor da revista Italiamiga.