Skaf defende renúncia de Dilma

Política / 13:16 - 4 de mar de 2016

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Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Paulo Skaf, uma carta de renúncia da presidente Dilma Rousseff agilizaria o processo de retomada de crescimento e a volta da confiança nos investimentos no país. - "Diante do atual cenário da economia, da política e da falta total de confiança que investidores nacionais e estrangeiros e que os consumidores brasileiros têm neste governo totalmente intervencionista, alguma coisa forte precisa acontecer para que o país saia dessa situação, porque a nação brasileira não merece passar por isso - afirmou. Paulo Skaf lembra que as diretorias da Fiesp e Ciesp aprovaram por unanimidade, em reunião realizada em dezembro de 2015, o apoio ao processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, por considerarem legal e legítimo. - Não se trata de golpe como alguns dizem. Mas a situação está chegando em um ponto em que ou esses processos ganham a velocidade que vai de encontro aos interesses da Nação ou a senhora presidente da República apresenta uma carta de renúncia. Skaf acredita que esta é a forma mais rápida de o país enxergar um novo horizonte. - Em um momento em que o mundo tem recursos para investir no Brasil as coisas poderiam melhorar, mas ainda há total falta de confiança para isso. No Brasil dá para confiar, mas não dá pra confiar no governo brasileiro. O presidente da Fiesp e do Ciesp afirmou que o pedido de renúncia não se deve apenas ao fato das investigações terem chegado o ex-presidente Lula, envolvendo a atual presidente e outros integrantes do governo. - Temos acompanhado com muita preocupação não só o que está acontecendo hoje, mas a queda da economia de quase 4% no ano passado e mais previsão de desemprego para este ano, o que leva este governo à total falta de credibilidade - disse Skaf. Presidente se reúne com ministros no Planalto Dilma reúne-se com representantes do Comitê de Articulação Federativa e das associações estaduais de municípios. Ela chegou por volta das 8h15 ao Palácio do Planalto e se reuniu com os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, da Secretaria de Governo da Presidência, Ricardo Berzoini, da Justiça, Wellington César, da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva. O encontro com os ministros não constava da agenda oficial da presidente. O Palácio do Planalto não divulgou a pauta da reunião com os ministros. Ontem, Dilma também convocou reunião extra, com os ministros-chefes da Advocacia-Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, e da Casa Civil da Presidência, Jaques Wagner. O encontro de ontem foi convocado depois da divulgação da notícia de que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) teria firmado um acordo de delação premiada com o Ministério Público Governo "aniquilou a ética", diz líder do PSDB no plenário do Senado Em discurso nesta sexta-feira na tribuna do Senado, o líder do PSDB na Casa, Cássio Cunha Lima (PB), disparou críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff, após a deflagração da 24ª fase da Lava Jato, Operação Aletheia. - O governo Dilma acabou. O governo Dilma acabou não só com as esperanças a curto prazo do povo brasileiro, mas mutilou a verdade, aniquilou a ética, destruiu concepções de governabilidade com transparência, com tudo que vem sendo revelado nos últimos anos. Este é um processo longo, extenso, de revelações estarrecedoras - avaliou. O tucano afirmou que o país foi dormir perplexo com o conteúdo da suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e acordou ainda mais assustado com as notícias de que a Polícia Federal iniciou a nova fase da Operação Lava Jato na casa do ex-presidente Lula, em São Bernardo do Campo. Também no plenário, outro senador, José Medeiros (PPS-MT) rebateu a comparação feita por integrantes do PT de que o ex-presidente Lula seria um preso político. - O grande artífice disso tudo foi ele. Digo isso para quebrar o atual discurso de aliados de tentar plantar na mídia a ideia de que a prisão é política e de que neste momento Lula é um preso político. Isso é de uma irresponsabilidade muito grande porque não é verdade. Lula foi a maior liderança política dos últimos tempos do Brasil. Mas o responsável por sua ascensão e queda é ele mesmo. Não é a oposição, não é a polícia, não é o Ministério Público - disse. O parlamentar também criticou a tentativa do PT de desqualificar o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) depois que a revista Isto É publicou conteúdo de sua suposta delação premiada. - É um contrassenso, pois Delcídio era o líder até pouco tempo e homem forte dentro do partido. O governo estava muito satisfeito com a atuação e credibilidade dele. E de um dia para outro tudo mudou - questionou o senador. No fim da manhã, o PSB divulgou nota na qual diz que o Brasil convive, nos últimos anos, com uma das piores crises do período republicano. "Desde a sua eleição, o que vemos é que o governo da presidente Dilma Rousseff perdeu a credibilidade e a capacidade de governar, impondo graves consequências para o nosso povo que, desde então, sofre com a recessão, a carestia, o desemprego, uma crise social que deve ser solucionada por um governo legítimo", diz o documento assinado pelo presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira. Ainda segundo a nota, os acontecimentos dos últimos meses evidenciam um quadro de deterioração ética fora do comum e que leva o PSB a se posicionar definitivamente como oposição, o que deverá ser confirmado pela Executiva Nacional. Sem a presença de senadores petistas na Casa, coube ao ex-senador e atual governador do Piauí, Wellington Dias, defender o governo e o ex-presidente Lula. Em visita ao Senado, Dias criticou a atuação do juiz Sérgio Moro. - Um juiz que precisa usar linhas arbitrárias como essas, na verdade é porque lhe falta competência. Com tudo que há de instrumento hoje é preciso usar instrumentos da ditadura que nada tem a ver com a democracia para poder arrancar provas. É isso que acho que a gente tem que condenar - disse, sobre a condução coercitiva de Lula para prestar novos esclarecimentos. O governador também defendeu a presidente da República. - É uma presidente eleita pelo voto popular. Os adversários que nos enfrentaram e foram derrotados em 2002, foram derrotados em 2006 , em 2010 e em 2014 e percebendo que não há espaço para ganhar no voto, agora querem ganhar no "tapetão", com falsas regras no jogo, isso a democracia não vai aceitar - disse. Lula chega à sede do diretório do PT em São Paulo Lula chegou por volta do meio-dia na sede do diretório nacional do PT, no centro de São Paulo. Um carro preto com vidros escuros entrou por volta das 12h40 na garagem lateral do prédio onde estão reunidos desde cedo vários dirigentes do partido. No momento da chegada do carro, alguns militantes reunidos na porta do prédio gritaram o nome de Lula. Os militantes também gritam "Não vai ter golpe". O partido não confirmou se o ex-presidente falará com a imprensa ainda hoje no local. PF cumpre seis mandados de busca e apreensão e condução coercitiva em Salvador A Polícia Federal cumpriu durante a manhã de hoje, em Salvador, seis mandados relacionados à 24ª fase da Lava Jato, a Operação Aletheia. Entre os mandados, cinco foram de busca e apreensão e um de condução coercitiva (quando a pessoa é conduzida para prestar depoimento e depois liberada). Uma das ações foi cumprida no Condomínio Villagio Panamby, em um bairro de luxo da capital baiana, o Horto Florestal, junto com agentes da Receita Federal. O alvo nesse endereço foi o ex-executivo da empreiteira OAS, Paulo Gordilho. Segundo as investigações, Gordilho teria negociado a compra de eletrodomésticos e de móveis para o sítio em Atibaia, São Paulo. Gordilho foi conduzido à sede da PF na capital baiana, mas se manteve no direito de permanecer em silêncio e foi liberado. Os outros mandados de busca e apreensão foram cumpridos, além do condomínio Villagio Panamny, na sede da OAS, na Avenida Paralela. Em entrevista da Polícia Federal hoje em Curitiba, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima não quis entrar em detalhes sobre o andamento da operação na Bahia, segundo ele para não prejudicar as ações da polícia. Mandados judiciais foram cumpridos também na casa do ex-presidente Lula, em São Bernardo do Campo, e na sede do Instituto Lula, em São Paulo. Além disso, o ex-presidente foi conduzido para prestar depoimento à PF. A Executiva do PT na Bahia se reuniu com deputados federais e estaduais da legenda, além de representantes de movimentos sociais. Segundo o partido, os representantes condenaram "a violência praticada contra o ex-presidente Lula, seus familiares e o instituto". Lava Jato: PF em São Paulo suspende atendimento ao público pela manhã A sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, localizada na Lapa, zona oeste da capital paulista, teve que ser esvaziada hoje por causa da 24ª etapa da Operação Lava Jato. Segundo a Polícia Federal, os serviços de emissão e entrega de passaportes foram suspensos pela manhã, para evitar tumultos no local, e só será retomado a partir das 13h. As pessoas que tinham agendado a emissão de passaporte para a manhã de hoje poderão comparecer ao local, entre os dias 7 e 16, sem necessidade de novo agendamento, de preferência em horário próximo ao que agendado hoje. As ações da Operação Aletheia estão sendo cumpridas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. O nome da operação é uma referência grega que significa a busca da verdade e também inclui buscas em Guarujá, Diadema, Santo André, Manduri e Atibaia. Segundo a Polícia Federal, a casa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, e o Instituto Lula, na região do Ipiranga, em São Paulo, também são alvos da operação. Com informações da Agência Brasil

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