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Setor naval espera diálogo com a Petrobras após a saída de Parente

Conjuntura / 12 Junho 2018

Por entender que a mudança no comando da Petrobras é vista com atenção pelo setor, por ser o seu principal demandante, o Sindicato da Construção Naval (Sinaval) está esperando maior abertura ao diálogo com presidência da estatal. “Esperamos que o novo presidente, Ivan Monteiro, adote uma postura de diálogo. Vamos procurá-lo para conversar e assim demonstrar a importância que a indústria naval tem na geração de renda e empregos no Brasil", afirma o vice-presidente do Sinaval, Sérgio Bacci.

Bacci duvida da qualidade do ex-presidente da Petrobras, Pedro Parente, enquanto gestor da companhia. Para ele, é preciso escutar e tentar mediar as situações. “Ele (Parente) radicalizou o ponto de vista dele com a intenção de resolver o problema de caixa da Petrobras e esqueceu que a empresa tem um papel fundamental para a economia brasileira e tudo que gira em torno da companhia”. Sérgio Bacci aponta a política de preços adotada pelo então presidente da estatal como “inconsequente”, uma vez que provocou o desabastecimento do país com a greve dos caminhoneiros e “forçou a mão” do Governo Federal. “A conta quem paga, no final, é o conjunto dos brasileiros”, diz.

O vice-presidente do Sinaval afirma que a entidade trabalha para reverter a situação iniciada em 2014, quando a Petrobras mudou a forma de contratação e passou a privilegiar a China nas demandas da companhia. O que ocasionou a queda na geração de empregos e comprometeu os estaleiros nacionais que atuam basicamente para atender a indústria de petróleo e gás.

Uma comparação pertinente que tenho usado é que em 2014, a indústria naval empregava 82 mil pessoas de forma direta e a indústria automobilística com todos os incentivos, que não são poucos, empregava 136 mil pessoas. Diante disso, a pergunta que faço é: se o número de empregos gerados no Brasil é parecido, por que a automobilística mantém os privilégios e a naval é jogada para o canto?”, diz Bacci.