Setor de serviços fica estável de abril para maio

Segmento havia registrado três quedas consecutivas, que acumularam perda de 1,6%.

Conjuntura / 11:48 - 12 de jul de 2019

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O volume de serviços no Brasil ficou estável na passagem de abril para maio deste ano, depois de ter avançado 0,5% de março para abril. Antes disso, o setor havia registrado três quedas consecutivas, que acumularam perda de 1,6%. O dado, da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), foi divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o IBGE, o volume de serviços cresceu 4,8% na comparação com maio do ano passado, 1,4% no acumulado do ano e 1,1% no acumulado de 12 meses.
A receita nominal do setor cresceu 0,6% na comparação com abril, 9,2% na comparação com maio do ano passado, 5,1% no acumulado do ano e 4,3% no acumulado de 12 meses.
Na passagem de abril para maio, quatro das cinco atividades cresceram, com destaque para o ramo de serviços de informação e comunicação (1,7%). Também foram observados avanços em outros serviços (2,6%), serviços profissionais, administrativos e complementares (0,7%) e serviços prestados às famílias (0,5%).
Por outro lado, os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio recuaram 0,6% e foram o único setor a apresentar taxa negativa na área de serviços.
Segundo doutor em Economia e professor da Faculdades de Campinas (Facamp), José Augusto Gaspar Ruas, a ausência de crescimento indica tendência de consolidação de um primeiro semestre ruim. "O setor de serviços apresentou novamente sinais de dificuldades na economia. O crescimento nulo (0,0%) indica estagnação e reforça dados pessimistas da indústria e comércio", afirma Ruas.
"Diretamente impactado pela baixa atividade econômica nacional, o setor de transporte terrestre (-0,6%) explica a maior parte deste desempenho", acrescenta Ruas.
Segundo ele, "em resumo, o setor de serviços segue muito afetado pela retração da economia nos últimos anos. A oferta acumulada nos últimos 12 meses ainda se encontra 10,6% abaixo de seu melhor resultado, verificado em dezembro de 2014. A sequência de resultados mantém essa defasagem e reforça o cenário de pessimismo para o restante do ano".
José Augusto Gaspar Ruas afirma que os dados de maio de 2018 foram profundamente afetados pela greve dos caminhoneiros, tornando essa expansão pouco efetiva para compreender o contexto atual.

CNC - No cenário divulgado hoje, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta crescimento de 1,6% na receita real dos serviços em 2019, que, se confirmado, será o primeiro avanço anual desde 2014 (+2,5%).

Atualmente, o volume mensal de receitas do setor de serviços ainda se encontra 11,8% abaixo do pico de atividade, em janeiro de 2014. Na comparação anual, o volume de receitas teve alta de 4,8%, mas essa base de comparação foi afetada pela greve dos caminhoneiros em 2018, quando a queda mensal foi de 4,8% na passagem de abril para maio.

Para a CNC, a atividade econômica deve ganhar um pouco mais de fôlego na segunda metade do ano. "O encaminhamento favorável à aprovação da reforma da Previdência deverá abrir mais espaço na agenda do governo para a adoção de medidas de estimulem a economia no curto prazo", acredita o chefe da Divisão Econômica da CNC, Fabio Bentes

Pelo segundo mês seguido, o subsetor de transportes se destacou negativamente, tendo queda mensal de 0,6%. Já os serviços de informação e comunicação apresentaram a maior taxa de crescimento mensal em maio (+1,7%), resultado que compensou a perda acumulada de 1,6% no primeiro trimestre do ano.

A comparação entre os cinco primeiros meses de 2019 e o mesmo período de 2018 mostra avanço médio de 1,4% nos serviços, o melhor resultado nessa base comparativa desde 2014. Das 27 unidades da Federação, 11 apuraram crescimento nos cinco primeiros meses do ano, sobressaindo os estados de São Paulo (+4,9%), Santa Catarina (+4,2%), Amazonas e Maranhão (os dois últimos com +3,4%).


Com informações da Agência Brasil

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