Sete em cada 10 brasileiros mentem nos currículos

Salário anterior e fluência em inglês são mentiras mais frequentes; tempo inativo também costuma ser tópico deturpado por 10%

Conjuntura / 16:03 - 16 de mai de 2019

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Levantamento feito pela DNA Outplacement aponta que 75% dos currículos enviados aos Departamentos de Recursos Humanos das empresas em 2018 no Brasil continham informações distorcidas. A pesquisa, realizada durante seis meses com 500 empresas, revela quais as principais mentiras encontradas nos currículos. Elas referem-se ao valor do salário atual - ou recebido no último emprego - (48%) e à fluência no inglês (41%). O tempo inativo e o grau de escolaridade e cursos realizados são outros tópicos deturpados nos currículos, por 12% e 10% dos profissionais, respectivamente.

O estudo identificou que a prática é comum tanto entre quem está entrando no mercado de trabalho quanto entre os que possuem carreira consolidada e estão em processo de recolocação. "As razões são diferentes, mas ocorre entre os diversos níveis profissionais. Os jovens normalmente não colocam tanto peso na elaboração de seu currículo, enquanto executivos e gerentes se agarram à urgência em conseguir uma nova oportunidade para cometer essa irregularidade", explica Hugo Liguori, diretor regional da DNA.

Ele ainda reforça que a perda de credibilidade e o nome "manchado" no mercado são alguns dos prejuízos, caso um head hunter ou departamento de RH descubra os dados falsos no documento - o que vai dificultar ainda mais a procura por uma nova ocupação e será uma marca irreversível na carreira.

E não são apenas os brasileiros: a DNA fez o mesmo levantamento em outros países da América do Sul e constatou que a frequência de informações mentirosas no CVs é de 85% na Colômbia, 78% no Peru e 72% no Chile.

 

Pesquisa revela que 89% acreditam que esforço é garantia de sucesso no mercado de trabalho

Outro estudo realizado com 1.058 participantes (53% acima de 35 anos e 59% com nível superior) pela Pactive Consultoria constatou que 89%, independente da faixa etária e nível de escolaridade, acreditam na frase "você pode obter sucesso profissional em qualquer área, basta esforço".

Segundo o consultor essa crença é um grande equívoco. "Esforço é fundamental, mas sem talento é muito difícil ser bem-sucedido em profissões intelectualmente complexas. É raro, por exemplo, ser um ótimo cirurgião, matemático, esportista, jogador de xadrez, escritor, coach, arquiteto ou músico, apenas com muita dedicação. Na verdade, a pessoa pode ser excelente em pouquíssimas atividades, medíocre em várias e incompetente na grande maioria delas. Portanto, esqueça as áreas em que não tenha afinidade e priorize aquelas em que de fato possui talento. Aí sim, uma boa dose de dedicação fará a diferença", enfatiza Eduardo Ferraz, um dos cabeças da pesquisa.

Segundo ele, há outro dado preocupante apontado na pesquisa: 49,2% - quase a metade - ainda acham mais importante corrigir pontos fracos, enquanto 50,8% dos respondentes já tem consciência ser prioritário aprimorar pontos fortes para ter resultado na carreira, emprego ou profissão.

Quando perguntados sobre o que os motivaria a uma mudança de carreira ou profissão, 71% dos entrevistados responderam que preferem usar melhor o talento e apenas 29% mudariam para ganhar mais.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor