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Serviços se monetizam utilizando dados pessoais

Toda essa comoção com o vazamento de dados de usuários do Facebook tem como responsáveis, não a rede social, ou a...

Opinião / 19:25 - 20 de Abr de 2018

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Toda essa comoção com o vazamento de dados de usuários do Facebook tem como responsáveis, não a rede social, ou a Cambridge Analytics, mas sim milhões de pessoas: os próprios usuários. Como especialista em segurança da informação, habituei-me a observar o comportamento das pessoas utilizando a internet. Em empresas, práticas como restringir downloads, acesso a sites específicos e bloqueio de Spams são tão importantes quanto a adoção de sistemas de proteção. Em suas vidas privadas, porém, as pessoas não agem da mesma forma, nem têm os recursos disponíveis em uma empresa para sua proteção.

A maior parte das pessoas acredita que o Facebook é gratuito. O fato de não se pagar pelo serviço é o que dá essa falsa impressão. A monetização desta e de outras redes sociais, assim como diversos aplicativos “gratuitos”, se dá por meio da captação dos dados de seus usuários.

 

Encontrados os responsáveis

pelo vazamento no Facebook

 

Da mesma forma que a maioria das pessoas considera que as senhas servem para acessar algo, e não como forma de evitar que os outros acessem; as pessoas não atentam ao fato de que, ao conectarem aplicativos ao Facebook, aceitam liberar seus dados e, em alguns casos, de seus contatos também.

Quantas vezes, ao acessar algum serviço, você é questionado se não prefere entrar utilizando o seu perfil do Facebook, em vez de criar um usuário específico para aquele fim? As pessoas não leem as licenças de uso. Clicam em “De acordo” e acham que estão usufruindo de um serviço gratuito. Não é gratuito. Ele se monetiza utilizando os dados pessoais de seus usuários para direcionar publicidade e conteúdo.

A disseminação dos smartphones, hoje o maior meio de acesso à internet, criou uma massa de usuários enorme, tornando a mineração dos dados desses usuários algo muito rentável. Além das informações coletadas pelas ações dos usuários, são também coletados, em muitos casos, o deslocamento geográfico da pessoa, permitindo assim fazer o cruzamento dessas informações e enriquecer ainda mais a base de dados.

Recentemente operadoras de telefonia estão sofrendo com investigações sobre este tema, sendo um exemplo ainda mais expressivo, pois, nesse caso, o usuário está efetivamente pagando pelo serviço e ainda assim tem seus dados coletados e utilizados.

Um exemplo offline dessa mesma tendência são os programas de fidelidade, principalmente os de varejo, que captam as preferências e tendências de consumo de seus clientes em troca de brindes e descontos. Mal sabem esses clientes que suas informações são utilizadas para aumentar seu próprio consumo, reduzindo ou eliminando as vantagens oferecidas.

A maioria das redes sociais – apesar de não darem destaque a isso – disponibilizam para o usuário as informações que têm armazenadas sobre eles. Google, Linkedin e o próprio Facebook possuem esse serviço. Nesta última, o relatório pode ser solicitado clicando no pequeno triângulo, no canto superior direito da tela, logo ao lado do botão de ajuda.

Ao entrar em configurações, você tem uma opção de fazer o download de uma cópia das suas informações armazenadas no Facebook. Ao selecionar essa opção, a solicitação é enviada e, algum tempo depois, você recebe uma notificação de que as informações estão disponíveis para download. A maior parte das pessoas se espanta com a quantidade de informações obtidas, desde conversas no Messenger até fotos postadas no seu perfil. Recomendo a todos.

 

 

Eduardo Sanches

Sócio-diretor da VSI – Ventiv Solutions International.

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