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Senador quer revogar decreto que facilita posse de armas

Humberto Costa acredita que não é com mais armas que o Brasil vai conter os homicídios e reduzir a violência como a ocorrida em Suzano.

Política / 15 Março 2019 - 11:39

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O senador Humberto Costa (PT-PE) pediu a revogação do decreto do presidente da República, Jair Bolsonaro, que facilita a posse de armas de fogo, assinado no dia 15 de janeiro deste ano. O texto do decreto permite aos cidadãos residentes em área urbana ou rural manter arma de fogo em casa, desde que cumpridos os requisitos definidos pela Polícia Federal.

"A própria opinião pública já deixou claro que não concorda com a liberalização do uso das armas e nós devemos nos debruçar seriamente menos em factoides, como decretos e pacotes anticrime, e mais em ações substantivas e consistentes que nos ofereçam soluções mais duradouras e efetivas no combate a essa chaga social que ceifa tantas vidas e faz sangrar a família brasileira", disse ele, em Plenário, nesta quinta-feira.

Depois de condenar a chacina ocorrida na véspera na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), Humberto Costa acredita que os dois jovens assassinos, autores dos disparos que mataram estudantes e funcionários da escola, foram influenciados pela política de defesa das armas promovida pelo presidente Bolsonaro.

"Não há como nós não enxergarmos nesses dois jovens, um deles, pelo menos, defensor e apoiador de Bolsonaro nas redes sociais, as digitais do discurso de ódio propagado permanentemente pelo presidente não só no período de campanha, mas também no exercício do cargo para o qual foi eleito. Bolsonaro e os que agem como ele influenciam autores de tragédias como essa."

O senador disse que não é escoando mais armas para a sociedade que o Brasil vai conter os homicídios e reduzir a violência.

"A segurança pública é um monopólio constitucional do Estado. Ela não pode ser terceirizada, ninguém pode oferecer ao cidadão a ideia de que ele possa ter uma arma e sair por aí fazendo justiça pelas próprias mãos, que ele sai resolvendo suas diferenças na troca de tiros."

 

Após tragédia, polícia tenta descobrir motivação e detalhes do crime

Dois dias depois do crime que chocou o país, os investigadores buscam descobrir o que motivou e os detalhes do planejamento do tiroteio em Suzano. Testemunhas devem prestar depoimentos, enquanto são feitas análises dos computadores, cadernos e objetos que pertenciam aos dois jovens que provocaram a tragédia. O Instituto de Criminalística faz exame toxicológico do material orgânico dos dois atiradores. No Instituto Médico Legal (IML), os médicos legistas concluíram que Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, matou Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, com um tiro na testa. Depois, ele se matou com um tiro na cabeça.

Equipes policiais fizeram diligências nas casas dos atiradores e em uma lan house frequentada por eles. Foram apreendidos computadores, tablets e anotações. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, 16 testemunhas foram ouvidas. De acordo com os investigadores, eles poderão prestar novo depoimento.

As armas utilizadas pelos atiradores - um revólver calibre 38, uma besta (arma medieval semelhante ao arco e flecha) e uma machadinha - foram apreendidas e encaminhadas para a perícia. O revólver estava com o número de série apagado.

A Polícia Civil investiga a participação de um adolescente, de 17 anos, no planejamento do atentado. O suspeito foi colega de classe de Guilherme Monteiro e teria ajudado a dupla.

Segundo a polícia, ele estava na cidade de Suzano no momento do ataque, mas não foi até a escola. O adolescente foi ouvido pela Polícia Civil, que pediu à Vara da Infância e da Juventude a sua apreensão e espera a autorização.

Há um vídeo em que uma terceira pessoa aparece junto com os dois assassinos dias após eles terem alugado o carro usado no atentado. O aluguel do carro foi pago com cartão de crédito.

 

Motivação - O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Pontes, disse que os jovens queriam reconhecimento dentro da própria comunidade e publicidade na mídia. De acordo com Pontes, eles pretendiam mostrar que eram tão cruéis quanto os atiradores de Columbine.

O delegado minimizou a hipótese de que um possível bullying sofrido pelos jovens tenha motivado o massacre. No entanto, depoimentos de pessoas próximas a Guilherme Monteiro afirmaram que ele era alvo de comentários jocosos por causa de acne no rosto. Segundo relatos, o jovem fez tratamento de pele.

Nesta sexta-feira deve ser publicado decreto, no Diário Oficial, que determina que, no prazo máximo de 30 dias, as indenizações serão pagas aos parentes das vítimas. Ontem (14), o governador de São Paulo, João Doria, estimou que os valores podem chegar a R$ 100 mil por família.

 

Com informações da Agência Senado e da Agência Brasil

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