Senado vai investigar negócio suspeito de Itaipu

Mensagens divulgadas no Paraguai apontam envolvimento da família Bolsonaro.

Internacional / 23:36 - 8 de ago de 2019

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou uma subcomissão para investigar o escândalo do tratado secreto que modificava o acordo entre Brasil e Paraguai na Usina de Itaipu. Há suspeita de “favorecimento ilegal a uma empresa brasileira que atua na área de energia, a Leros, à qual fora prometida a venda de energia excedente do Paraguai no mercado livre de energia do Brasil a preços e condições imbatíveis”, alega o senador Jaques Wagner (PT-BA) no requerimento.

O tratado acabou sendo cancelado após a reação no Paraguai. O presidente Mário Abdo Benitez pode sofrer processo de impeachment. Segundo as denúncias da imprensa paraguaia, o país seria prejudicado em uma quantia entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões.

Mensagens de WhatsApp obtidas pela imprensa paraguaia levantam suspeitas de que o negócio era de interesse direto da família do presidente Jair Bolsonaro. Durante uma reunião de negociação, em Ciudad del Este, Alexandre Giordano, suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP), negociou em nome da Leros.

A mídia do Paraguai divulgou novas mensagens que envolvem os representantes do Brasil e uma empresa sediada no Uruguai, país conhecido pela pouca transparência. Também foi mostrada uma foto de recibo de uma empresa de entrega de documentos para Giordano. O remetente seria um corretor de negócios (broker) sediado no Uruguai.

O suplente de Major Olímpio, que também é do PSL e ligado aos Bolsonaro, confirmou sua participação na reunião entre a Leros e diretores da Ande, a estatal paraguaia de eletricidade. Giordano, segundo a mídia do Paraguai, assegurou que agiu como “empresário particular”, sem representar a família Bolsonaro.

O senador Jaques Wagner acrescenta em seu pedido que o negócio resultou na queda do ministro das Relações Exteriores do Paraguai e de várias outras autoridades do país vizinho. “O próprio presidente do Paraguai, Mario Abdo, está ameaçado de juicio político (impeachment), por ter conduzido as negociações”, afirma o petista.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor