Sem feriado e sem festa, comerciante comemorou seu dia trabalhando

Por Aldo Gonçalves.

Opinião / 17:37 - 18 de jul de 2019

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Sem feriado e sem festa, o comerciante comemorou terça-feira (16) o seu dia trabalhando, com os seus estabelecimentos de portas abertas, como faz diariamente. Pela sua importância econômica e social, a data merecia ser muito festejada em todo país. Afinal o comércio é o combustível que alimenta a economia, por isso mesmo é propulsor essencial ao crescimento e um dos principais geradores de emprego e renda.

Empreendedor persistente, que não esmorece nunca, o comerciante busca superar sempre as adversidades e os obstáculos que se apresentam no dia a dia do seu negócio, além de enfrentar os desafios da competição do mercado, tarefa que continua exigindo sacrifícios, renúncias e muita determinação para consolidar, definitivamente, as difíceis conquistas alcançadas ao longo dos anos.

Um rápido balanço mostra que o ano de 2018, que terminou sob o signo da incerteza, não é de boas lembranças para ninguém. Todos – cidadãos e os setores produtivos – sofreram as consequências da falta de perspectivas nos setores político e econômico.

 

Comércio varejista está se transformando

a uma impressionante velocidade

 

No caso específico do comércio, o ano passado foi marcado pelo fraco desempenho das vendas, principalmente das datas comemorativas, que não atingiram o esperado movimento, culminando com o pior Natal dos últimos dez anos, cujas vendas correspondem a 25% do faturamento anual do comércio e normalmente garantem o fôlego do setor para enfrentar os três primeiros meses do ano seguinte.

Foi o Natal da recessão, dos juros exorbitantes, da inflação e do desemprego – conjunto de fatores negativos que corrói o salário e diminui dramaticamente o poder de compra.

É com este mesmo cenário que nos deparamos em 2019. As vendas do comércio lojista do Rio de Janeiro recuaram 3,6% no acumulado do primeiro semestre deste ano (janeiro/junho) em relação à igual período de 2018, e todos os meses registraram resultados negativos.

Por isso mesmo o comércio do Rio de Janeiro deve se preparar para enfrentar tempos difíceis. Estes problemas, aliados aos custos de operação cada vez maiores, têm provocado, dentre outras consequências nefastas, uma onda de fechamentos de lojas. Exemplo disso são os milhares de estabelecimentos comerciais que cerraram suas portas, enquanto inúmeros outros negócios correm o risco de ir pelo mesmo caminho.

Outro ponto que tem prejudicado bastante a atividade, principalmente as lojas de rua, é a segurança. O comércio varejista carioca gastou R$ 1,8 bilhão com segurança o ano passado com a contratação de vigilantes, equipamentos eletrônicos, grades, blindagens de portas e reforço de vitrines. É como se fosse mais um tributo pago pelos lojistas, já massacrados pelo peso da burocracia e da alta carga tributária.

A violência urbana na cidade do Rio de Janeiro vem prejudicando bastante o comércio, já afetado pelo quadro econômico do país e, em especial pela crise do Estado do Rio, que tem influenciado profundamente o comportamento do consumidor, que por um lado fica com medo de sair de casa e por outro reduz seus gastos, entre eles as compras. Todo esse gasto com segurança poderia ter sido investido na ampliação dos negócios, como novas lojas, reformas, treinamento de pessoal, gerando mais emprego e renda.

Não devemos, porém, fechar os olhos para uma nova realidade que vamos ter que estar muito bem preparados para enfrentar. O comércio varejista, mercado onde atuamos, está se transformando a uma impressionante velocidade, mais rápida e dinâmica do que nunca. Prova disso é que alterou-se radicalmente nos últimos anos, tirando do ar tradicionais empresas que jamais poderíamos imaginar que deixariam de existir. A competição é contínua e feroz e as mudanças constantes.

Mas o comerciante, otimista por natureza, não quer e não pode esmorecer. O comércio quer e precisa crescer. Insiste em dar emprego e gerar renda, apesar do quadro atual que o nosso Estado do Rio atravessa, que inviabiliza investimentos e trata tão mal os setores produtivos, notadamente o comércio e os serviços.

 

 

Aldo Gonçalves

Presidente do CDLRio e do SindilojasRio e diretor da CNC.

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