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Segurança dos trens da Supervia é ruim

Empresas / 16 Maio 2018

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) que investiga as irregularidades da gestão pública no setor de transportes visitou nesta segunda-feira o Ramal Belford Roxo da Supervia entre a Central do Brasil e a estação de Coelho da Rocha, e a Linha 2 do Metrô Rio na Estação Cidade Nova. O grupo considerou insatisfatórias as condições de segurança encontradas nos trens da Supervia. O desnível entre o trem e a plataforma, a falta de visibilidade do maquinista e a irregularidade entre os intervalos foram algumas das situações encontradas pelos parlamentares.

Vice-presidente da CPI, deputado Gilberto Palmares (PT), reclamou da distância entre a plataforma e a composição. “Medi na Central do Brasil uma espaço de 30 centímetros entre o trem e a plataforma, e 25 centímetros de altura. É um perigo para o usuário”, salientou o deputado. No ano passado, uma jovem de 19 anos morreu na estação ao cair no vão entre o trem e a plataforma.

O auxiliar administrativo Michel Machado Pereira disse que as condições para quem depende dos trens são péssimas. “Temos trens velhos e, quando colocam os novos para operar, vêm sem ar-condicionado. A plataforma não é nivelada e os intervalos não são regulares”, denunciou. Michel disse ainda que não se sente seguro para usar o transporte. “Uso porque é perto de casa e do meu trabalho, mas minha esposa prefere andar mais e gastar mais dinheiro usando o metrô, pois não se sente segura no trem”, disse.

Presidente da CPI, deputado Eliomar Coelho (PSol), disse que a comissão recebeu essa demanda e decidiu visitar a estação. “Aqui está parecendo um quartel, quando eles avisam que vai ter uma visita e todos os soldados passam uma semana limpando o espaço. Aqui aconteceu a mesma coisa. Foi feita uma maquiagem no local”, reclamou Eliomar. A estação de Coelho da Rocha havia sido pintada no fim de semana. Os bancos ainda estavam com a tinta fresca.

Segundo Eliomar, a justificativa da Supervia de que as regras de segurança estavam definidas em normas não resolve o problema. “Eles precisam entender que a norma pode ser modificada para atender melhor a população”, opinou. O parlamentar disse ainda que pretende conversar com representantes das Câmaras Técnicas de Engenharia do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ). “Precisamos conversar com o Crea sobre os problemas que estão ocorrendo nas estações. Uma das nossas preocupações passa pela inflexibilidade de mudança nas normas, e vamos buscar mudar essa postura”, acrescentou o deputado do Psol.

O gerente da Câmara de Transportes e Rodovias da Agetransp, José Luiz Lopes Teixeira Filho, disse que a quantidade de acidentes não é exagerada, mas que qualquer acidente com mortes é grave, e não se pode negligenciar. “A agência determinou que a concessionária monitore diariamente a plataforma para que o afastamento entre o trem e a estação seja o menor possível, tanto que a concessionária já foi multada em um outro evento, onde houve até a participação do usuário no acidente, mas a plataforma estava em desnível”, explicou.

 

Metrô

 

A CPI visitou o local de manobra dos trens do Metrô, na Cidade Nova, onde a condutora Elisangela Gomes Lima morreu em 2014. Ela passava de uma ponta para outra do trem quando foi atropelada. Segundo o deputado Gilberto Palmares, a visita foi positiva. “Duas situações que podem estar na raiz do acidente foram resolvidas. Uma delas, o tipo de composição que ela estava. A composição não possibilitava que ela passasse por dentro do trem, e por isso ela teve que descer e acabou sendo atropelada. E o outro problema é que não havia uma plataforma do lado de fora que cobrisse toda a extensão do trem. Hoje esse dispositivo já existe”, conclui Palmares.