SEG NOTÍCIAS - Private equity em saúde atingem US$ 36,4 bi, valor mais alto desde 2007

Seguros, Opinião do Analista / 16 maio 2017

Com a queda de 18% nos investimentos de private equity em geral, os investimentos de fundos no setor de saúde registraram um contraste e tanto: o total das transações no último ano atingiu US$ 36,4 bilhões, valor mais alto desde 2007, aponta o relatório Global Healthcare Private Equity Report, desenvolvido pela Bain & Company. O montante é 60% superior ao registrado em 2015, que foi de US$ 23,1 bilhões. Ao todo, foram 206 transações em 2016, ante 199 no ano anterior.

"A disparidade entre as avaliações públicas e privadas para alguns ativos de saúde gerou o aumento de transações público-privadas no período", aponta André Castellini, sócio da Bain & Company. De acordo com a consultoria, duas grandes operações responderam por mais de um terço do total: o aporte de US$ 7,5 bilhões na MultiPlan e a aquisição da TeamHealth por US$ 6,1 bilhões. Além disso, três dos quatro maiores investimentos nesse setor foram transações público-privadas (P2P) envolvendo companhias dos EUA.

Com a disputa crescente por bons ativos, projeções para o futuro indicam que os fundos vão continuar buscando transações público-privadas principalmente nos EUA, e em outras regiões, especialmente a Europa. De acordo com o estudo, essa tendência já pôde ser observada no último ano, em que nove das dez maiores transações envolveram empresas norte-americanas - das quais quatro realizadas por europeus. Esse cenário representa um contraste nítido com o de 2015, em que metade dos "Top 10" envolveu ativos europeus, e nenhuma das transações resultou de investimentos entre fronteiras.

Contudo, os investimentos não foram realizados de maneira uniforme no setor. Com os altos níveis de incerteza em relação ao retorno de investimento e à forte regulação na indústria de saúde, investidores têm focado em setores "healthcare light", ou seja, negócios que têm algum risco, mas se beneficiam de tendências locais positivas. Exemplos disso são companhias que fornecem informação tecnológica, equipamentos e outros serviços para os principais setores de saúde, como empresas terceirizadas e de TI em saúde (HCIT). Este último, por exemplo, foi um segmento especialmente ativo. O valor total de acordos chegou a US$ 15,5 bilhões - quatro vezes mais do que no ano anterior -, centrado tanto em companhias de tecnologia como naquelas que combinam soluções tecnológicas com oferta de serviços para atender às necessidades de seus clientes. O segmento atraiu tanto fundos focados em saúde quanto de tecnologia, aumentando a competição e valorização.

O outro lado dessa tendência foi uma queda no volume total de aquisições por empresas do setor saúde - mas, ainda assim, 2016 foi o terceiro melhor ano registrado. Muito dessa queda se deve à escassez de "megatransações", mas a queda também foi observada em operações de todos os portes. Isso contribuiu para um pequeno declínio nos desinvestimentos no setor, que passaram de 145 em 2015 - um ano recorde - para 126 no último ano. "As vendas a investidores corporativos ainda compõem a maior parte dos desinvestimentos, mas a participação deles no contexto geral também caiu: de 57% em 2015 para 50% em 2016", ressalta Castellini.

Por fim, a participação dos IPOs também caiu como parte dos desinvestimentos totais, passando de 16% em 2015 para 8% em 2016. "Apesar da queda geral nos desinvestimentos, muitos fundos conseguiram atingir êxito significativo. O ponto alto para vendedores em 2016 foi o canal sponsor-to-sponsor, que cresceu em número e participação, passando de 28% para 42% do total de desinvestimentos.

Investidores podem esperar mais volatilidade em 2017. Com uma população global ficando mais velha e doente, a demanda por serviços de saúde vai crescer independentemente das adversidades econômicas. Mas isso não quer dizer que todos os investidores em saúde vão ter um caminho fácil pela frente. Nesse ambiente, players vão ter de continuar a ser criativos e trabalhar duro para encontrar ativos que tenham a capacidade de entregar retornos atrativos.

"Líderes do setor, que são frequentemente mais bem posicionados em caso de recessão, vão continuar no topo. Investidores interessados em ter estratégias de buy and build vão recompensar essas companhias assim que as que estão mais bem situadas se tornarem competidores menores e mais fracos", destaca Castellini.

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SP-Prevcom registra percentuais de contribuição acima do teto do governo estadual

A Fundação de Previdência Complementar do Estado de São Paulo (SP-Prevcom) identificou que uma parcela dos servidores públicos decidiu aumentar a transferência de recursos para o fundo e reforçar as reservas para sua aposentadoria. Do total de 20 mil integrantes de sua base, cerca de 80% recebem salários acima do teto do INSS de R$ 5.531,31. Nesta faixa, que corresponde a 16 mil participantes, 12,4%apresentavam em dezembro de 2016 alíquota superior ao limite de até 7,5%, que é a contribuição paritária do governo estadual.

A análise destes dados revela também que o percentual médio de contribuição deste grupo, composto por cerca de 2 mil servidores públicos, atinge 13,7%, quase o dobro da efetuada pelo patrocinador. Fato relevante, considerando a recessão econômica persistente dos últimos anos.

A SP-Prevcom tem registrado também a migração de recursos de outros tipos de aplicação para a Fundação e elevação das contribuições facultativas. Estas duas fontes deram origem a R$ 11,1 milhões de depósitos feitos no fundo desde o início das inscrições em 2013 até 2016. Deste montante, R$ 3,6 milhões correspondem à portabilidade de capital investido em planos de previdência em outras instituições financeiras. Os valores extras, que o servidor pode aportar sempre que desejar, foram responsáveis pelo ingresso de R$ 7,5 milhões. Em 2016, estes depósitos adicionais cresceram cerca de 30% em relação a 2015.

Entre os motivos das alterações de percentuais e transferência de novos recursos estão a transparência, a confiança no sistema e sua rentabilidade, que supera com larga margem os índices de inflação e investimentos tradicionais como a caderneta de poupança. Além destes fatores, os planos de previdência complementar foram elaborados de acordo com o perfil e a realidade dos servidores públicos. Na Fundação, os participantes podem acompanhar como o dinheiro está sendo investido e integrar seus conselhos e comitês gestores.

Nos últimos três meses a SP-Prevcom efetuou os pagamentos das primeiras aposentadorias. No período de fevereiro a abril, 129 participantes requisitaram e passaram a receber suas reservas em valores mensais ou pagas em parcela única. A Fundação concedeu também o primeiro benefício de risco por invalidez para servidor da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Isto confirma que a instituição cumpre o que promete e que a transição para o novo regime previdenciário já é fato em São Paulo.

A análise da base da SP-Prevcom revela também que o interesse em começar a poupar para garantir uma renda maior no futuro abrange servidores de todas as idades. Na classificação dos participantes, a escala por idade vai de 19 a 80 anos, com grande concentração de servidores de 30 a 50 anos, que representam 60% do total. Em relação à escolaridade, o levantamento aponta que 67% dos funcionários inseridos no sistema têm superior completo e 33% concluíram os ensinos médio e fundamental.

Os funcionários públicos que aderiram aos fundos de previdência complementar ocupam postos em diversos órgãos estaduais espalhados por 32 cidades. A Capital lidera o ranking com cerca de 40% dos participantes, seguida por Ribeirão Preto, Campinas, Bauru, São Carlos, Osasco, Piracicaba, Santos, Sorocaba e Guarulhos.

Criada pela Lei 14.653 de 22 de dezembro de 2011, a SP-Prevcom iniciou suas atividades em 3 de abril de 2012 com a posse do conselho e de sua diretoria executiva e foi a primeira instituição no País a implantar o regime de previdência complementar para servidores. Os planos estão disponíveis para funcionários titulares de cargos efetivos ou vitalícios vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) que ingressaram na carreira pública a partir de 21 de janeiro de 2013 e aos vinculados ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), independente da data de entrada no serviço público.

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Acidente de trânsito é a principal causa da morte de jovens, diz OMS

A cada ano morrem 1,2 milhão de adolescentes dentre 10 e 19 anos por causas evitáveis, e mais de dois terços das mortes acontecem nos países em desenvolvimento, especialmente no continente africano e no sudeste asiático, segundo um relatório publicado nesta terça-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os acidentes de trânsito (115.302), infecções respiratórias (72.655), suicídios (67.149), doenças diarreicas (63.575) e afogamentos (57.125) foram as principais causas de morte entre os adolescentes em 2015, de acordo com a OMS.

Pelo menos 3 mil menores morreram por dia, ao longo do período analisado no relatório Acelerador da Ação Global a favor da Saúde dos Adolescentes: Guia para apoiar a implementação em cada país".

Os dados divulgados pela OMS apresentam diferenças consideráveis entre os adolescentes por sexo e faixa etária. Os acidentes de trânsito são a causa mais comum de morte entre adolescentes e também no caso dos homens, enquanto que o principal motivo de mortalidade feminina são as infecções respiratórias pulmonares.

Na maioria de ocasiões, os menores mortos nas estradas são usuários vulneráveis: pedestres, ciclistas ou motociclistas. Quase 88.590 em relação às vítimas do sexo feminino da mesma idade (26.712) morreram por ferimentos ocasionados por conta de acidentes na via pública.

Já muitas das infecções respiratórias, que causaram a morte de 36.637 mulheres e 36.018 homens adolescentes, são provocadas pela inalação de ar contaminado em suas próprias casas, onde ainda cozinham com combustíveis sujos.

O suicídio e autoflagelo constituem a segunda causa de mortes entre as garotas de todo o mundo (32.194) e a quinta entre os rapazes (34.650). Na Europa é a primeira entre os menores, diz o estudo, que não fornece número por regiões.

Além disso, os garotos adolescentes têm mais probabilidades de perder a vida em brigas e confrontos violentos (42.277) e afogamento (40.847), enquanto que as garotas falecem mais por causa de doenças diarreicas (32.194).

O estudo prova que - para as mulheres com idade entre 15 e 19 anos - a primeira causa de morte são as complicações no parto ou aborto, um problema que acaba com a vida de 28.886 das adolescentes a cada ano.

Em alguns países africanos, as doenças contagiosas - especialmente o HIV -, as infecções respiratórias, meningites e diarreia matam mais adolescentes do que os acidentes de trânsito.

De acordo com as conclusões do relatório, as mortes de adolescentes, em sua maioria, poderiam ser prevenidas com a melhoria dos sistemas de saúde e na educação pública, além de campanhas de conscientização.

O relatório descobriu que, em muitos casos, os adolescentes com transtornos mentais, viciados em drogas ou problemas de alimentação, não têm acesso à prevenção e tratamento, ou porque não existe ou por falta de conhecimento.

"Os adolescentes foram os grandes ausentes dos planos nacionais de saúde durante décadas", disse, em um comunicado, a diretora-geral adjunta da OMS, Flavia Bustreo.

Para ela, investimentos relativamente modestos destinados a este grupo de população resultariam em uma geração de adultos mais saudáveis, pois é na adolescência que as pessoas desenvolvem comportamentos de risco que têm um impacto importante em seu futuro, como má alimentação, sedentarismo ou sexo inseguro.

"Melhorar o sistema de saúde que lida com os adolescentes é um primeiro passo para melhorar sua saúde. Os pais, parentes e comunidades também têm o potencial para influenciar de forma positiva no comportamento e na saúde do menor", disse o diretor do departamento de infância da OMS, Anthony Costello.

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DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL

Coquetel para corretores - A Seguros Sura Brasil realizará um coquetel para corretores da Sucursal RJ, com o objetivo de falar sobre as perspectivas futuras e reforçar a sua presença no mercado do Rio. Thomas Batt, CEO da empresa no Brasil; e Ricardo Vaz, superintendente Comercial conversarão com as equipes de corretores da região no dia 18 de maio, no Restaurante Cais do Oriente (Rua Visconde de Itaboraí, 8 - Centro), das 19 às 23h.

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I Seminário na Semana de Educação Financeira - No último dia 11 de maio, no auditório do SindsegSP em São Paulo, foi realizado o I Seminário: o direito, o seguro e as finanças organizado pela Associação Internacional de Direto de Seguros (Aida), que integrou a 4ª Semana de Educação Financeira, que é uma iniciativa do Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef) para promover a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef).

O tema foi "O direito, o seguro, o consumidor e as finanças" e foi dividido em seis painéis. O primeiro, que teve a coordenação de Ivy Cassa e a palestra de Luis Eduardo, teve como tema: A Previdência como ferramenta de planejamento econômico frente à longevidade. "O planejamento econômico, muitas vezes, é orientado por uma escolha racional em função de objetivos que nós temos, por outro lado ele acaba tendo alguns vieses em função da nossa falta de cuidado com essas escolhas quando olhamos em longo prazo, assim, por exemplo, um plano que nós temos para construir uma aposentadoria tranquila pode ser desvirtuado por uma emoção momentânea de trocar o carro, por exemplo", explica Bento Zanzini, debatedor do painel.

O segundo painel teve como tema: O Diálogo: ainda a melhor forma de resolução de conflitos. "A judicialização é um equivoco de entendimento entre direitos e deveres, quando o cidadão procura a luta por seus direitos, podem ser direitos de atos constituídos ou podem ser "ações promovidas por oportunidades", e isso é o que está acontecendo muito hoje, as pessoas mesmo sabendo que os atos não contemplam sua gama de direitos, vêem ali oportunidades de beneficiarem da situação, nesse sentido estão promovendo com uma intensidade muito grande a judicialização. Nesses casos, não há dúvida que a melhor forma de resolução é o diálogo", afirma Alexandre Camillo, palestrante do painel. A coordenação ficou a cargo de Vivien Lys e como palestrante, Luciano Timm.

O painel seguinte abordou "Desafios da tecnologia para a compreensão do seguro e ética desta relação". Segundo o palestrante Rodrigo Botti, a tecnologia está e vai continuar transformando de maneira muito forte todo o mercado de seguro, por isso temos que estar atentos, sempre pesquisando sobre as tendências. "A tecnologia hoje já representa um patrimônio para humanidade, não tem volta e ela é uma mola propulsora de toda uma cadeia de consumo. Só que para estarmos bem com toda essa tecnologia não podemos esquecer de alguns princípios e da ética de toda essa relação, porque se de um lado ela traz coisas boas, nós também não podemos deixar de lado o fato de como conviver com a tecnologia e a coletividade, para que isso dê certo é primordial que tenha o principal componente: a Ética", conclui Maria Amélia Saraiva, debatedora do painel. A coordenadora foi Ana Rita Petraroli.

Já o quarto painel colocou em pauta: Seguradora e segurado: relação de cooperação. Os palestrantes foram Washington Luís Bezerra e Marcio Malfatti. "Cooperar em sentido amplo, na sociedade como um todo, deveria ser um dogma, mas infelizmente não é. A competição às vezes é maior que a cooperação, e isso é natural entre seres humanos, mas a cooperação é sempre necessária. No meio de seguros a cooperação de mão dupla, tanto do segurado quanto do segurador, tem que ser enorme, pois assim é sempre melhor, caso contrário será pior em todos os sentidos: preços caros, sinistros negados, custos em judicial, entre outros", explica Malfatti.

"O seguro saúde, solução e não problema" foi o tema do quinto painel. Segundo o palestrante Dr. Antonio Penteado Mendonça, os planos de saúde não são uma despesa e nem luxo, são uma necessidade, principalmente num país como o Brasil. O custo de saúde é exorbitante, por exemplo, um milionário não consegue arcar com os custos de dois meses de UTI. Então o plano de saúde privado tem que ser ensinado, compreendido e assimilado como um produto fundamental para o equilíbrio financeiro da família. A coordenação do painel foi de Milena Fratin.

O último painel discutiu o tema Bloqueios psicológicos para o consumo do seguro, sob a coordenação de Ana Rita Petraroli. "Quando a gente pensa em riscos, temos que pensar que a gente pode se invalidar, morrer prematuramente, perder a capacidade de trabalhar conforme os anos de vida vão passando e todos esses são assuntos que geram um desconforto emocional muito grande, então a tendência das pessoas, no primeiro momento, é evitar esse assunto e o contra efeito disso é que elas não param para pensar nas possibilidades, logo elas não se preparam para lidar com essas situações", explica a palestrante Luciane Fagundes.

"O evento foi de ótimo nível, falamos da parte psicológica, econômica e de direito, ou seja, nós percorremos todas as searas que envolvem o assunto "educação financeira, direito e seguro". Foi um evento que abraçou todas essas idéias e trouxe esclarecimentos, lógico que muito mais dúvidas, nós saímos daqui muito mais instigados a pesquisar. Agradeço a todos que estiveram presentes, tudo isso serviu para agregar nosso projeto de tornar o seguro cada vez mais conhecido e claro", disse Ana Rita Petraroli, presidente da Aida Brasil.

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ENDOSSANDO

Bradesco designa Octávio de Lazari para comandar Grupo de Seguros

O Bradesco informa a promoção do executivo Octávio de Lazari Junior ao cargo de diretor-vice-presidente. Sua missão será responder pela liderança do Grupo Bradesco de Seguros. Como presidente da Bradesco Seguros assumirá responsabilidade pelos negócios de Auto/Re, Saúde, Vida, Previdência, Capitalização e Dental, entre outros ramos de atividade, como o Laboratório Fleury e a BSP Empreendimentos Imobiliários. Randal Zanetti, que ocupava essas atribuições, permanece como presidente da Bradseg Participações, a holding do Grupo Bradesco de Seguros.

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Aplicativo ganha versão atualizada e disponibiliza novas funcionalidades a segurados

Com o objetivo de sempre facilitar o dia a dia dos seus segurados, a Bradesco Saúde disponibilizou para download a versão atualizada do seu aplicativo, oferecendo novas funcionalidades: "Encontrar Referenciado por Procedimento" e consulta ao "Extrato de utilização".

As novas funções se juntam as já existentes, tais como: consultar reembolso, localizar referenciados, visualizar o cartão de identificação online - por intermédio do aplicativo Carteira Digital, localizar farmácias próximas, segunda via do extrato de IR, além de criar a carteira de vacinação e acessar o calendário de vacinas.

Para utilizar o aplicativo, o segurado precisa baixá-lo por meio do Google Play (plataforma Android) ou a App Store (iOS) de seu smatphone. Até abril de 2017, foram contabilizados mais de 400 mil downloads do aplicativo.

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Ministério e Hospital São Paulo vão discutir saída para financiamento da unidade

O Ministério da Saúde suspendeu o repasse de verbas do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf) ao Hospital São Paulo (HSP), que passa por crise financeira e restringiu no mês passado os atendimentos somente para casos de urgência e emergência.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse ontem que haverá uma reunião nesta terça, em Brasília, entre representantes do hospital, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que é responsável pela unidade, e dos ministérios da Saúde e da Educação para avaliar e solucionar a questão. A declaração foi dada em visita à Feira Hospitalar. Mais cedo, o ministro visitou o HSP.

Segundo o ministro, o hospital consta em cadastro no Ministério da Saúde como instituição filantrópica e tem a Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social na Área de Educação (Cebas), o que já proporciona benefícios ao Hospital São Paulo e inviabilizaria o recebimento acumulado do Rehuf.

"A interpretação da controladoria do Ministério da Saúde é que não é possível compatibilizar os dois benefícios: o Cebas e o Rehuf em uma única instituição hospitalar. A SPDM [gestora do HSP] tem o Cebas e o hospital tem o Rehuf", disse o ministro.

Questionado se a instituição estava recebendo indevidamente ambos os recursos até o momento, Barros disse que não comentaria. "Como é uma interpretação nova, eu não vou discutir o que foi feito até agora. Eu fui notificado pela controladoria de que devia suspender o pagamento do Rehuf porque a instituição está registrada como filantrópica, logo o que está errado seria o Rehuf".

Ele acrescentou que cabe ao hospital escolher se mantém o cadastro como entidade filantrópica ou se encaixa na caracterização de hospital universitário. "Se ela quiser mudar para hospital federal, ela vai perder o Cebas e vai ficar com o Rehuf. É uma decisão que será tomada amanhã na área técnica da controladoria do Ministério da Educação, do Ministério da Saúde e do hospital, que estarão em Brasília às 14h em uma reunião", disse. "A situação que o hospital está exige uma definição de posicionamento: ou como filantrópico ou como hospital universitário".

Em nota divulgada anteriormente, o Hospital São Paulo afirmou que, apesar de contar com a Cebas, a instituição foi caracterizada pelo Ministério da Educação e por órgãos de controle como hospital universitário.

"Temos informado que nosso orçamento atual está aquém da sua capacidade atual de atendimento, hoje em 753 leitos, 130 ambulatórios, 95 especialidades, pronto-socorro de portas abertas e atendimento de alta complexidade. O HSP/HU/Unifesp também é o hospital de ensino dos 1.107 residentes médicos e mais de 500 residentes multiprofissionais das escolas Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) e Paulista de Enfermagem (EPE/Unifesp), além de, nele, serem realizadas pesquisas clínicas que beneficiam milhares de pacientes em áreas como a oncologia, transplantes, diabetes, cardiologia minimamente invasiva, neurologia e neurocirurgia, entre outras", diz a nota.

Sobre os gastos e custos, o conselho gestor do hospital informou que não recebe mais do que outras instituições de mesmo porte e complexidade e que não apresenta gastos excessivos com a máquina.

O ministro disse ainda que o HSP "precisa de melhor gestão assim como tantos outros e todas as instituições de saúde precisam fazer a sua lição de casa". O HSP informou que um plano de ação da gestão já vem sendo aplicado, ao longo dos últimos oito meses, com o objetivo de diminuir os custos administrativos, bem como otimizar contratos e manutenção. "Mesmo assim, não tem sido possível acompanhar a inflação, dissídios e custos de funcionamento que só aumentaram", diz em nota.