São Paulo terá queda de 28% no uso de carros nos próximos 10 anos

Estudo revela como será a mobilidade urbana daqui a 10 anos, em 31 cidades do mundo.

Conjuntura / 15:26 - 14 de fev de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

O ano de 2030 será o ponto de mudança global da mobilidade sustentável nas maiores cidades do mundo. O estudo Mobility Futures, da Kantar, prevê que as viagens de carro particular diminuirão em 10% nas maiores cidades do mundo, na próxima década. A ascensão da economia compartilhada, a multimodalidade e veículos autônomos, juntamente com o envelhecimento da população global, reduzirão a necessidade de posse de carro.

Esse declínio será compensado pelo aumento do uso de transporte público, ciclismo e caminhada, à medida que os cidadãos mudam para maneiras mais ecológicas de viajar. Até 2030, esses meios de transporte mais ecológicos representarão 49% de todas as viagens realizadas contra 46% para carros (que atualmente representam 51% das viagens). Viagens de táxi e compartilhamento/carona, além de outros meios, como balsas, serão responsáveis pelos 5% restantes.

O ciclismo está a caminho de se tornar o meio de transporte que mais cresce, com previsão de aumento de 18% entre agora e 2030. O uso de transporte público e a pé aumentará 15% e 6%, respectivamente. Milhares de projetos de infraestrutura em todo o mundo, como expansão de ciclovias e esquemas de compartilhamento de bicicletas, projetos de pedestres e melhorias no transporte público estão contribuindo para esses novos comportamentos de mobilidade.

Nesse contexto, estudo da Kantar projeta que, nas 31 cidades pesquisadas, cerca de 36,7 milhões de habitantes das cidades mudarão a maneira de viajar nos próximos 10 anos. Manchester está marcado para ver a maior mudança no uso de transporte, seguido por Moscou e São Paulo.

Seguem Paris, Joanesburgo, Cantão, Milão, Montreal, Amsterdã e Xangai.

"Promover e investir em tecnologia para mobilidade urbana será fundamental para facilitar a transição para soluções de transporte mais inteligentes e sustentáveis nos próximos 10 anos. A pesquisa da Kantar descobriu que 40% das pessoas em todo o mundo estão abertas a adotar novas soluções inovadoras de mobilidade; mas nem todas as cidades estão prontas para a transformação da mobilidade", afirma Luciana Pepe, diretora de contas da Kantar, no setor automotivo.

São Paulo é uma das cidades mais congestionadas da América do Sul, dificultando a locomoção com eficiência. Mas, embora atualmente o transporte público represente uma parcela significativa das viagens, o sistema de transporte está superlotado, atrasado e com pouca conexão. O estudo analisa que mais pessoas se voltem para andar de bicicleta e caminhar sempre que possível.

Algumas medidas de infraestrutura estão em andamento, incluindo a extensão das linhas de metrô e trem. No entanto, os investimentos na infraestrutura da cidade estão desacelerando ultimamente, devido em parte à crise econômica no Brasil em 2015/2016 - e São Paulo pontua pobremente em nosso índice de cidades prontas para tecnologia. Portanto, não surpreende que os paulistanos tenham uma visão muito crítica de sua cidade e não tenham muita confiança em seu governo para entregar um futuro sustentável para a mobilidade.

A Kantar acaba de divulgar três índices que mostram as mudanças que 31 metrópoles do mundo irão passar nos próximos 10 anos: Índice Transforming Cities, que avalia quanto comportamento de mobilidade mudará em cada cidade nos próximos 10 anos. O ranking é baseado na mudança na proporção de viagens de carro, bicicleta, caminhada e transporte público. As cidades que apresentam o maior turno obtêm a pontuação mais alta, enquanto um índice de 100 representa a média global; Índice de cidades tecnologicamente preparadas, que avalia como as cidades estão preparadas para moldar o futuro da mobilidade com base em vários fatores, como infraestrutura de pagamento digital, abertura para compartilhamento e veículos autônomos e PIB; e Índice de confiança do cidadão, que avalia quanta confiança os cidadãos têm em seus municípios para moldar ativamente um futuro mais sustentável para a mobilidade.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor