São Paulo é a cidade mais desigual no acesso a emprego

Estudo mostra que brancos e ricos trabalham e estudam mais próximos de casa.

São Paulo / 23:44 - 16 de jan de 2020

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Estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), apresentado nesta quinta-feira, mostra que São Paulo é a cidade mais desigual do país quando o assunto é o acesso a emprego. As chances de um brasileiro da parcela dos 10% mais ricos na capital paulista morar perto do trabalho superam em mais de nove vezes as probabilidades entre os 40% mais pobres. O instituto considera empregos mais acessíveis como aqueles disponíveis a uma distância de 30 minutos de caminhada de onde o trabalhador mora.

O levantamento aponta que o acesso à educação, ao emprego e à saúde nas 20 maiores cidades brasileiras se dá de forma desigual quando são analisadas pessoas de diferentes faixas de renda e grupos raciais. Segundo o geógrafo Rafael Pereira, do Ipea, o estudo mostra que há um padrão: pessoas brancas e de renda mais alta têm acesso a essas oportunidades e serviços mais próximos de casa.

Por outro lado, no Rio de Janeiro os 10% mais ricos têm três vezes mais empregos disponíveis a uma distância de 30 minutos de caminhada a partir de onde moram que os 40% mais pobres, o que pode estar relacionado à presença de comunidades pobres mais próximas da região central.

O estudo revela, também, que a concentração de atividades nas áreas urbanas, aliada à performance das redes de transporte, garante altos níveis de acessibilidade ao centro das cidades, enquanto regiões de periferia são marcadas por desertos de oportunidades.

 “Os padrões de acessibilidade urbana afetam as condições econômicas e sociais das pessoas e têm impacto sobre desempenho econômico e ambiental das cidades”, afirma Pereira.

O trabalho combina dados de registros administrativos, pesquisas amostrais, imagens de satélite e mapeamento colaborativo, para calcular os níveis de acessibilidade por transporte público para sete grandes municípios, e por modos de transporte ativo (a pé e de bicicleta) para as 20 maiores cidades brasileiras, tanto por níveis de renda quanto por cor/raça. Foram utilizados dados do Censo Demográfico 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos Ministérios da Saúde, da Educação e da Economia.

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