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Saída da recessão é mais lenta

Velocidade de recuperação em 1983 foi três vezes maior que agora

Conjuntura / 03 Dezembro 2018

A retomada econômica do Brasil vem acontecendo a passos mais lentos que em outros períodos de queda, avalia o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, para a Rádio Brasil Atual. No terceiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,8%, na comparação com os três meses anteriores.
“Considerando o período da crise de 1981–1983 (fim da ditadura militar), a velocidade de saída da crise foi três vezes maior do que a observada neste momento”, compara o diretor do Dieese. Se-gundo ele, os resultados aquém do esperado estão atrelados em parte ao baixo investimento público e privado, ao desemprego, à capacidade do mercado interno em sustentar o consumo e ao endividamento das famílias brasileiras.
Para o próximo ano, Clemente avalia que, apesar da expectativa por um desempenho melhor da economia, a repercussão sobre o emprego ainda deve ser baixa. “Nós teremos em 2019 e 2020, pro-vavelmente, uma economia que vai estar no mesmo tamanho da de 2014”, afirmou à RBA.
Um dos problemas na área de emprego é que o número de trabalhadores no setor privado com carteira assinada não se recupera. No trimestre encerrado em outubro, cresceram apenas os números de empregados sem carteira assinada e de trabalhadores por conta própria.
O resultado é que o rendimento médio real habitual (R$ 2.230) ficou estável em relação a 2017, assim como a massa de rendimento real habitual (R$ 202 bilhões).