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São os alimentos, estúpido

Conjuntura / 11 Janeiro 2018

Pajelança do BC com juros não influenciou inflação

A maior queda no preço dos alimentos em quase 30 anos foi a principal responsável pela inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter fechado 2017 abaixo do piso da meta pela primeira vez na história, admitiu o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn. Ele reconheceu que o BC foi surpreendido pelo comportamento dos preços dos alimentos no domicílio.
A trajetória dos preços dos alimentos explica boa parte da elevação da inflação em 2015 e 2016, assim como agora responde pela forte queda. Este comportamento não está relacionado à atuação da equipe econômica ou à taxa de juros, mas sim à safra recorde, possível graças às condições climáticas favoráveis.
Foi a seca em 2014 e 2015 um dos principais responsáveis pela elevação dos preços, tanto dos alimentos, quanto da energia elétrica. Assim, a alta da inflação não ocorreu devido à redução dos juros implementada desde 2011, da mesma forma que a elevação pouco respondeu pela redução dos preços.
A taxa de juros elevada, porém, ajudou a afundar o país na recessão, o que levou ao desemprego e à retração do consumo. Isto colaborou para reduzir os preços de serviços e de produtos não essen-ciais. Pelo sistema de metas de inflação, o BC tem um intervalo – em 2017, entre 3% e 6% – no qual deve mirar a variação do IPCA. Ficar abaixo do piso da meta mostra que a autoridade monetária errou e levou o país a mais sacrifícios que o necessário.
O IBGE informou nesta quarta-feira que o IPCA encerrou o ano passado em 2,95%. Esta foi a primeira vez que a inflação ficou abaixo do piso do sistema de metas desde a criação do sistema, em 1999. O subgrupo alimentação no domicílio fechou 2017 com recuo de preços de 4,85%. Pela legislação, toda vez que a inflação fecha um ano abaixo do piso ou estourando o teto da meta, o presi-dente do BC é obrigado a escrever uma carta aberta explicando os motivos que levaram ao descumprimento.