Rússia poderá ser a maior produtora mundial de gás

Gasoduto atenderá 9,5% do consumo na China

Mercado Financeiro / 23:44 - 2 de dez de 2019

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Uma videoconferência conjunta realizada nesta segunda-feira reuniu o presidente chinês Xi Jinping, e o russo Vladimir Putin em um evento histórico para o mercado mundial de energia, e sobretudo para Rússia e China. Os dois líderes inauguraram um gasoduto que unirá pela primeira vez os dois países, como parte de um projeto para estabelecer a Rússia como a maior produtora mundial de gás.

O custo do gasoduto, batizado de Power of Siberia, foi estimado pela companhia russa Gazprom em US$ 55 bilhões e em 2022-2023 terá uma capacidade de 38 bilhões de metros cúbicos anuais, o equivalente a 9,5% do gás consumido na China. A Gazprom é a maior empresa de energia da Rússia e também a maior exportadora de gás natural do mundo, o que lhe confere a décima quinta posição no ranking das maiores empresas mundiais. Foi fundada em 1989 e é atualmente controlada pelo estado russo, com parte das ações privatizadas.

A torneira está aberta (...) o gás está entrando” na China, disse o presidente da Gazprom, Alexei Miller, enquanto o gás do campo da Sibéria oriental cruzava a fronteira pelo gasoduto Power of Siberia. Conforme a Agence France-Presss (AFP), a infraestrutura tem até o momento mais de 2.000 quilômetros de dutos. Ao ser finalizada, a rede contará com um total de mais de 3.000 quilômetros. As obras mobilizaram cerca de 10.000 pessoas durante mais de cinco anos, trabalhando em regiões em que a temperatura pode cair para -50°C.

O desenvolvimento das relações sino-russas é e será uma prioridade da política externa de cada um de nossos países”, declarou o presidente Xi Jinping, muito próximo de seu “amigo” Putin após décadas de desconfiança entres os dois países. O projeto, que servirá para alimentar as enormes necessidades energéticas da China, concretiza a vontade russa de se aproximar da Ásia a fim de contrabalançar um Ocidente considerado hostil.

 

Benefícios para China

 

Por parte da China, o gasoduto deverá levar gás a Xangai em 2022 e 2023.Segundo os analistas da S&P Platts, a Rússia está vivendo um “renascimento” de seu setor de gás, “comercialmente astuto e mais estratégico do que nunca”. O novo gasoduto é acompanhado por um enorme contrato de fornecimento de gás para a China, estimado em mais de 400 bilhões de dólares nos próximos 30 anos, assinado entre a Gazprom e a companhia chinesa CNPC em maio de 2014, após dez anos de negociações.

A Rússia se volta para o Oriente, e o novo gasoduto “é um dos projetos energéticos mais esperados da Ásia”, afirmam os analistas da S&P Global Platts. Até o momento, os lucros da Gazprom vinham essencialmente da Europa e da Turquia, clientes tradicionais da companhia, herdeira do ministério soviético de gás. Paralelamente, contudo, a Gazprom continua reforçando seu mercado tradicional no Ocidente, com outros dois projetos de gasoduto em andamento com a Alemanha e com a Turquia.

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