Ruralistas brasileiros financiam oposição a Evo

Plantadores de soja temem perder terras e terem limites à exportação.

Internacional / 00:02 - 15 de nov de 2019

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Latifundiários brasileiros, que começaram a cultivar soja na Bolívia no começo da década de 90 na região liderada pelo município de Santa Cruz de La Sierra, ajudam a financiar o Comitê Cívico pró-Santa Cruz, um dos epicentros do golpe que derrubou Evo Morales.
O Comitê é liderado por Luis Fernando Camacho, que não tem cargo público mas almejou comandar o país através de um “comitê de notáveis”, que incluiria ele próprio.
Segundo o observatório De Olho nos Ruralistas, os plantadores de soja participam ativamente das estratégias de entidades que defendem o interesse dos ruralistas na Bolívia, em oposição às políti-cas de Morales e de seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS).
“Uma das principais frentes defendidas por Evo Morales – agora em exílio no México – foi a política de acesso à terra aos camponeses e o controle da exportação de alimentos, o que sempre foi visto pelos latifundiários como uma ameaça”, relata o observatório.
“O leste foi historicamente um foco de resistência às políticas do Evo”, diz Tomaz Paoliello, professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica em São Paulo (PUC-SP). “Os representantes do campo que o apoiam são os pequenos produtores da região oeste, reunidos na cidade de Cochabamba e no seu entorno.”
Os latifundiários, especialmente os estrangeiros, se sentiram ameaçados de perder suas terras com a efetivação de uma reforma agrária que estava sendo discutida na Constituinte. Passaram, então, a apoiar a campanha do Comitê Cívico para que Santa Cruz fosse administrada com regras próprias, por meio de leis departamentais.
“É um movimento incentivado pelos produtores brasileiros, que querem exportar de lá usando as mesmas rotas do Mato Grosso, com destino à China”, diz Paoliello. “Trata-se de uma réplica da dinâmica implementada também no Paraguai”.
Depois de empossar o socialista Sergio Choque como novo presidente da Câmara dos Deputados, os deputados e senadores presentes à Assembleia Nacional da Bolívia aprovaram, nesta quinta-feira, uma determinação em que registraram o repúdio do Poder Legislativo ao golpe de Estado ocorrido no último domingo. Na mesma ação, os congressistas afirmaram desconhecer a autoridade da senadora Jeanine Ánez como presidente do país. As informações são do Brasil 247.

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