Rui Falcão: operação contra Lula é política, midiática e policialesca

Política / 12:13 - 4 de mar de 2016

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O presidente do PT, Rui Falcão, classificou a ação da Polícia Federal deflagrada hoje contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma “operação política, midiática e policialesca”. Ele conclamou a militância petista a fazer “mobilização e vigilância” em apoio ao ex-presidente e sua família, em vídeo divulgado na página do PT no Facebook. Além de mandados de busca em endereços do ex-presidente e de sua família, a Operação Aletheia cumpriu mandado de condução coercitiva para Lula, que presta depoimento, desde as 8h, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. - Estamos fazendo conclamação à militância, neste momento grave em que se monta uma operação política, um espetáculo midiático em torno do presidente Lula e da sua família, para que todos os diretórios em seus estados entrem em vigília aguardando o desdobramento do depoimento do ex-presidente, que está sendo feito neste momento e, em seguida, haverá uma orientação nacional para cada um dos nossos militantes. O momento é de reflexão, de mobilização e de vigília e essa é a orientação que passamos para todos os diretórios estaduais do PT - disse Falcão. Segundo o presidente do PT, a Central Única dos Trabalhadores está dando a mesmo orientação para seus militantes. - Estamos reunindo os nossos deputados e senadores aqui em São Paulo, em solidariedade ao presidente Lula, e aguardando o desdobramento dessa operação midiática, policialesca sem nenhuma necessidade. Todas as vezes que o presidente Lula foi convocado a depor, ele o fez. Então é um espetáculo político que mostra o verdadeiro caráter dessa operação: não se trata de combater a corrupção, mas simplesmente de atingir o PT, o presidente Lula e o governo da presidenta Dilma - concluiu Falcão. Líder do PT na Câmara diz que Lava Jato é ilegal A 24ª etapa da Operação Lava Jato, que resultou na condução coercitiva para depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã de hoje, fez com que o Congresso tivesse uma sexta-feira atípica, com vários parlamentares na Câmara e no Senado se revezando para se manifestar contra e em defesa de Lula e do governo da presidente Dilma Rousseff. Deputados e senadores do PT estão indo para São Paulo, para uma reunião hoje à tarde no Diretório Nacional comandada pelo presidente da legenda, Rui Falcão. A ideia é avaliar o cenário político diante da repercussão da suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e para prestar solidariedade ao ex-presidente Lula, alvo da 24ª estapa da Operação Lava Jato. Uma das maiores preocupações no partido, neste momento, seria mobilizar a militância do PT em defesa do ex-presidente e de Dilma. Para o líder do PT na Câmara, deputado Afonso Florence (PT-BA) a condução de Lula hoje para prestar depoimento confirma que a Lava Jato é uma operação política e ilegal. - Ilegal, porque o ex-presidente Lula prestou depoimento sucessivas vezes e não há nenhuma pista e nem prova contra ele. O petista avalia que existe uma ação politicamente coordenada com a oposição porque a tese do impeachment de Dilma teria perdido força. - Estaremos em vigília em todos os estados durante o dia e tomaremos um conjunto de inciativas para defender a democracia e o presidente Lula - adiantou. A oposição também tem reuniões programadas para hoje para decidir como vai reagir às supostas denúncias de Delcidio e a nova etapa da Operação Lava Jato. O líder do DEM na Câmara, deputado Pauderney Avelino (AM) disse que a investigação da qual Lula é alvo é fruto do funcionamento das instituições no Brasil. - A condução coercitiva do ex-presidente Lula não é uma obra da oposição. Essa condução coercitiva foi solicitada pelo Ministério Público ainda no mês de fevereiro, portanto também não é retaliação da Polícia Federal contra a troca de ministros na Justiça. Entendemos que o estado democrático de direito tem e deve continuar funcionando no nosso país, mesmo que um ex-presidente da República e nós lamentamos. As instituições tem que funcionar e nem ele está acima da lei - disse. Sobre o pedido de impeachment contra Dilma, Pauderney destacou que as revelações de Delcídio devem ser incluídas no processo. - As revelações trazidas pelo ex-líder do governo Delcídio do Amaral são estarrecedoras. Mostram que a presidenta Dilma interferiu na Justiça para tentar "melar" a Operação Lava Jato. Nós entendemos que o impeachment ganha força - afirmou ele, acrescentando que haverá um esforço para que a comissão que vai analisar o pedido seja instalada ainda neste mês. Receita investiga irregularidades fiscais em instituto e empresa de Lula A Receita Federal informou hoje que investiga possíveis irregularidades fiscais nas duas principais entidades ligadas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a empresa LILS Palestras e o Instituto Lula. De acordo com o órgão, há uma “confusão operacional” no fluxo financeiro entre as duas instituições. A informação foi dada pelo auditor fiscal Roberto Leonel em Curitiba, durante entrevista da PF sobre a Operação. A LILS Palestras é uma empresa privada, cujo quadro societário é composto pelo ex-presidente Lula e, como sócio minoritário, por Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, que é uma fundação e, por isso, goza de benefícios fiscais. A Receita levantou duas fontes principais de suspeita de irregularidades: o fato de funcionários e pessoas ligadas ao Instituto Lula serem responsáveis pela contabilidade da LILS e a constatação de que as cinco principais empresas contratantes de palestras do ex-presidente são as mesmas que fizeram grandes doações ao instituto. - São as mesmas cinco que contrataram palestras da LILS e fizeram doações ao Instituto Lula entre 2011 e 2012. Se para algum ou outro pagamento dessas palestras for confirmada que a mesma não ocorreu efetivamente, esse fato é uma irregularidade -disse Roberto Leonel. A suspeita do Ministério Público Federal é de que pagamentos feitos ao ex-presidente Lula possam configurar enriquecimento ilícito, assim como pagamentos feitos pelo Instituto Lula a empresas dos filhos do ex-presidente possam ter resultado em vantagens indevidas. Aproximadamente R$ 30 milhões de doações e pagamentos feitos por grandes empreiteiras são alvo de investigação, disse o delegado da PF Carlos Fernando dos Santos Lima. MPF e PF: indícios de Lula ter recebido vantagem de construtoras O procurador da República, Carlos Fernando Lima, que integra a equipe de investigação da Lava Jato, disse que há indícios de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o pagamento de vantagens, seja em dinheiro, presentes ou benfeitorias em imóveis das maiores empreiteiras investigadas na operação policial. A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira a 24ª fase da Lava Jato, com mandado de condução coercitiva para o ex-presidente Lula, que está sendo ouvido por agentes da PF no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. - As investigações são exatamente no sentido de comprovar ou não a participação do ex-presidente nas decisões de beneficiamento de partidos da base aliada. As investigações já vêm acumulando evidências que o principal beneficiário era o governo do PT, fica claro que os benefícios políticos colhidos foi de Lula e da atual presidente - disse o procurador em entrevista à imprensa na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Segundo o procurador, Lula recebeu cerca de R$ 20 milhões em doações para o Instituto Lula e cerca de R$ 10 milhões em palestras de empresas que também financiaram benfeitorias de um sítio em Atibaia e de um triplex no Guarujá. - Doações podem ser realizadas por diversos motivos, mas precisamos ver se isso tem motivação com as obras fraudulentas feitas pela Petrobras - disse Lima. As empresas Camargo Corrêa, Odebrecht, UTC, OAS, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, segundo o procurador, pagaram 60% de todas as doações para o Instituto Lula e 47% dos valores das palestras para Lula entre 2011 e 2014. - Não existe motivação plausível para o pagamento dessas vantagens. As vantagens não precisam ser em dinheiro, não precisam ser ligadas ao ato. Mesmo após o exercício da presidência ainda podem estar sendo pagas vantagens ao ex-presidente Lula - disse o procurador. De acordo com o procurador, a PF investiga se Lula era quem liderava esquema de desvio de dinheiro da Petrobras para financiamento político e enriquecimento pessoal. Nas fases anteriores da investigação, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari, presos na Lava Jato, eram apontados pela polícia como os principais líderes do esquema de fraudes. O Ministério Público e a Polícia Federal investigam ainda o pagamento de serviços, pelo Instituto Lula, que tem benefícios fiscais, à empresa G4, pertencente ao filho de Lula. De acordo com Lima, o instituto repassou mais de R$ 1 milhão para empresa por supostos serviços prestados. A polícia investiga se esses serviços foram realizados. O delegado Igor de Paula, da Polícia Federal, esclareceu que o pedido de condução coercitiva para Lula, feito pelo juiz federal Sérgio Moro, foi em função da segurança do ex-presidente e de seus familiares, já que se detectou uma mobilização de pessoas na tentativa de prejudicar a tomada do depoimento hoje. Lula está sendo ouvido desde as 8h, no escritório da Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas. Segundo o delegado, é investigado ainda o vazamento de informações da quebra do sigilo bancário e fiscal de Lula. Igor de Paula disse que não há pedido de prisão para Lula e para ex-primeira dama Marisa Letícia. Manifestantes entram em confronto em São Bernardo Militantes contrários e favoráveis ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram em confronto na cidade de São Bernardo do Campo, Grande São Paulo, em frente ao prédio do ex-presidente. Três pessoas foram detidas pela Polícia Militar: uma por tentativa de lesão, outra por resistência e uma terceira por xingamento de racismo. Elas foram levadas para o 1º Departamento de Polícia. Ao menos um homem foi ferido, na cabeça. A Avenida Francisco Prestes Maia, endereço de Lula, foi interditada em ambos os sentidos. PM montou um cordão para separar os grupos rivais, que trocam insultos e provocações. Manifestantes contrários a Lula gritam palavras de ordem como "Cadeia". Os militantes pró-Lula revidam com gritos de "Não vai ter golpe". Em diversos momentos, militantes que conseguem furar o bloqueio partem para a agressão física. A polícia usa golpes de cassetete para apartar a confusão. A ação da PF faz parte da 24ª fase da Operação Lava Jato, chamada de Aletheia. O objetivo é dar continuidade às investigações de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à Petrobras. Do lado contrário ao ex-presidente, Zima Francisco Nascimento Filho, autônomo, diz que está indignado com o que ocorre no país. - Sou trabalhador, fui metalúrgico. Hoje, vejo o que está acontecendo aqui, um líder que nós confiávamos, e no partido que foi criado. O líder sindical que tivemos envolvido nessa lama de corrupção. Ele achava que estava acima da lei, que nunca isso fosse chegar nele. Em favor de Lula, o metalúrgico Paulo Ferreira Brasil destacou avanços da gestão de Lula. - Vim defender a maior liderança política desse país. O Brasil teve um crescimento importante e distribuição de renda. Eu tenho parentes no Nordeste, que hoje têm uma casinha para morar, graças ao governo do Lula. Há uma perseguição implacável e deplorável, nós não fomos tão perseguidos na Ditadura Militar como estamos sendo agora por setores da elite. Mandados até meio-dia - A PF deve cumprir até o meio-dia os 44 mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva autorizados pela Justiça Federal na 24ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na manhã de hoje. À medida que os mandados são cumpridos vão surgindo as primeiras reações à inclusão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como alvo da ação policial. Mandados judiciais foram cumpridos na casa do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, e na sede do Instituto Lula, na capital paulista. Lula foi conduzido para prestar depoimento. Segundo a polícia, Lula está prestando depoimento na sala da PF no Aeroporto de Congonhas. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de Fernando Bittar, um dos donos de um sítio em Atibaia, no interior paulista, frequentado pelo ex-presidente. A propriedade está registrada também em nome de Jonas Suassuna. Em nota divulgada pelo Ministério do Trabalho e Previdência, o ministro Miguel Rossetto declarou-se "perplexo e indignado" com a condução coercitiva do ex-presidente Lula na manhã desta sexta-feira. "O presidente já prestou depoimento e sempre se colocou à disposição das autoridades. Isso não é justiça, isso é uma violência". Rossetto disse ainda que a ação é "um claro ataque ao que Lula representa como uma liderança política e social". O PT reagiu inicialmente nas redes sociais. No microblog Twitter, o partido lançou a hashtag #LulaPresoPolítico. “Não podemos deixar barato. Precisamos todos reagir. Agora!”, escreveu o partido em sua rede social, por volta das 8h30 de hoje. Segundo a assessoria do partido, o presidente nacional da legenda, Rui Falcão, não participou da decisão de publicar a mobilização dos correligionários. Assim que a frase foi divulgada, simpatizantes do ex-presidente e do partido começaram a compartilhar a mensagem nas redes sociais. O que motivou mensagens de apoio à ação da Justiça e de repúdio ao presidente. Com a divulgação dos primeiros relatos da movimentação dos policiais, populares começaram a se concentrar em frente a casa de Lula, em São Bernardo do Campo, e nas proximidades do Instituto Lula, na capital paulista. Simpatizantes e pessoas contrárias a Lula chegaram a se enfrentar e tiveram que ser contidos pela polícia. Um outro grupo de manifestantes se formou no Aeroporto de Congonhas. Também em nota, o Instituto Lula classificou a ação da PF como “violenta”, com o objetivo de provocar “constrangimento público” ao ex-presidente. Em nota, o Ministério Público Federal (MPF) justificou o cumprimento dos mandados judiciais apontando a necessidade de “aprofundar a investigação de possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro oriundo de desvios da Petrobras”. Segundo os procuradores da força-tarefa que investiga o esquema, “pagamentos dissimulados foram feitos por José Carlos Bumlai e pelas construtoras OAS e Odebrecht ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a pessoas associadas” ao petista. “Há evidências de que o ex-presidente Lula recebeu valores oriundos do esquema Petrobras por meio da destinação e reforma de um apartamento triplex e de um sítio em Atibaia, da entrega de móveis de luxo nos dois imóveis e da armazenagem de bens por transportadora”, afirmam os procuradores na nota, sustentando que, ao longo das 23 fases anteriores da Lava Jato, “avolumaram-se evidências muito consistentes de que o esquema de desvio de dinheiro da Petrobras beneficiava empresas, que enriqueciam às custas dos cofres da estatal; funcionários da Petrobras, que vendiam favores; lavadores de dinheiro profissional que providenciavam a entrega da propina; políticos e partidos políticos que proviam sustentação aos funcionários da Petrobras e, em troca, recebiam a maior parte da propina, que os enriquecia e financiava campanhas”. São apurados pagamentos ao ex-presidente, feitos por empresas investigadas na Lava Jato. A polícia apura se os repasses foram realmente como doações e pagamento de palestras. A operação desta sexta-feira envolve cerca de 200 policiais federais, 30 auditores da Receita Federal e policiais militares de três estados. A ação acontece simultaneamente nas cidades do Rio de Janeiro, Salvador (BA), São Paulo, São Bernardo do Campo (SP), Guarujá (SP), Diadema (SP); Santo André (SP); Manduri (SP) e Atibaia (SP). Imprensa dos EUA repercute ação A imprensa norte-americana repercute hoje a nova fase da Operação Lava Jato. As páginas dos jornais na internet destacaram que operação se deve a investigação de corrupção na Petrobras. O "The New York Times" publica que ex-presidente está sendo interrogado pela polícia, que investiga “um esquema de corrupção colossal envolvendo a Petrobras, a empresa nacional de petróleo”. "The Washington Post" informa que as autoridades brasileiras estão interrogando o ex-presidente e fazendo buscas “em sua casa como parte do caso de corrupção que atinge a gigante do petróleo Petrobras”. O "Los Angeles Times" diz que a operação constitui “um dos desenvolvimentos mais dramáticos do caso de corrupção que atinge a gigante do petróleo Petrobras”. Já o "Miami Herald" publica uma foto de Lula e destaca que a polícia fez buscas em endereços relacionados com o ex-presidente, incluindo o Instituto Lula, sua organização sem fins lucrativos. Com informações da Agência Brasil

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