Rio de Janeiro e a promoção: estratégias equivocadas e sugestões

Por Bayard Do Coutto Boiteux.

Opinião / 17:01 - 12 de jul de 2019

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Não há nada mais importante na atividade turística do que a decisão governamental de investir em promoção. Sabemos da importância do marketing institucional para atração de fluxos nacionais e internacionais de turistas. No entanto, tal atividade tem que se basear em um plano específico e não pode ser desenvolvida no achismo de um governante.

É sempre bom lembrar que antes de iniciar a venda de um produto turístico, temos que arrumar a casa, ou seja, estruturar as cidades para que possam receber turistas. Não pode ser um esforço individual de um governo, mas tem que interagir com outros atores da cadeia produtiva, que já desenvolvem programas há anos e não podem ser esquecidos, como por exemplo o Sebrae e o Senac, para citar alguns exemplos.

Desta forma, o Estado do Rio de Janeiro, que é um conjunto de cidades maravilhosas, slogan criado na gestão Elysio Pires, precisa antes de mais nada definir os nichos prioritários que vai trabalhar e a segmentação destes numa escala mundial e nacional.

 

Não parece correto abrir escritórios no

exterior, se ainda faltam medidas estruturais

 

Não nos parece correto começar com abertura de escritórios no exterior, se ainda faltam tantas medidas estruturais pendentes, como a elaboração de material promocional em vários idiomas e dentro de técnicas modernas, a criação de programas ead de capacitação dos destinos, o aumento de contingente e atuação do batalhão de policiamento de áreas turísticas ou ainda a sinalização turística nas rodovias federais, estaduais e nos municípios, para citar alguns exemplos.

Por outro lado, turismo religioso demanda um inventário turístico de todo o potencial do Estado, com formatação de roteiros e identificação de eventos existentes. É triste, por exemplo, ver o esforço de municípios como Niterói e São Gonçalo, com seus tapetes de areia, que basicamente se voltam para seus munícipes e algumas cidades vizinhas, mas com total falta de interesse das autoridades estaduais.

Lembramos que, como país católico, o Papa é uma figura importante para os seguidores da religião, e suas visitas trazem muitas vezes importantes mudanças sociais. No entanto, ele não pode ser considerado, me desculpe o termo, “garoto de promoção de um destino” e ser convidado dentro de tal visão para nos visitar.

Há algo também que não deveria fazer parte dos discursos oficiais, que é nos comparar com cidades turísticas como Lisboa, Madrid ou Paris, que por sua situação geográfica, sua malha de transportes e adequação de sua infraestrutura para vários tipos de consumidor com qualidade, fazem parte de uma outra realidade turística, que precisamos observar, buscar exemplos de sucesso, benchmarketing, mas nunca fazer comparações numéricas.

Gostaria também de lembrar que, em vez de escritórios no exterior, poderíamos melhor utilizar nossas embaixadas e consulados como verdadeiros escritórios de turismo. É um assunto que o Itamaraty tem demonstrado interesse e que falta apenas uma melhor interação com o Turismo e talvez a inclusão de informações turísticas e conceituais de comercialização na formação do Instituto Rio Branco, exemplo para o mundo de capacitação de diplomatas.

É sempre bom frisar também que a participação de comitivas governamentais em eventos turísticos demanda um alinhamento prévio com os organizadores, para que se tenha resultados efetivos e que não sirvam para viagens de políticos ao exterior. Comitivas que viajam sem material, sem estratégia prévia de algum happening durante as feiras, sem pessoal que domine os idiomas, servem apenas para notícias em publicações especializadas no Brasil e na mídia local.

A transformação da TurisRio numa grande agência de promoção do destino Rio é um sonho almejado há muitos anos, mas que só vai acontecer de fato se for criada com planejamento a longo prazo e existência de recursos.

Enfim, são algumas considerações de um apaixonado pelo Rio, que não almeja nenhum cargo publico e entende que secretarias de Turismo não podem ser trampolim para candidaturas a cargos no Executivo ou Legislativo. O Turismo e seus profissionais merecem respeito, consideração e voz ativa, em todas as decisões.

 

 

Bayard Do Coutto Boiteux

Vice-presidente executivo da Associação dos Embaixadores de Turismo do Rio de Janeiro, escritor, professor, consultor e superintendente executivo do Preservale.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor