Reunião Matinal - Análise XP

Opinião do Analista / 14 Novembro 2017

Relatório oficial de emprego dos EUA (payroll) cria expectativas de alta em empregos, com criação esperada de 174 mil empregos, reforçando a chance de um Fed mais duro na alta de juros e uma bolsa mais otimista. Na China, bolsas fecharam em baixa após Banco do Povo da China elevar os juros da linha de crédito permanente, resultado da desaceleração do PMI industrial chinês em janeiro. No Brasil, Câmara confirma a reeleição de Rodrigo Maia como presidente da Casa, representando força do governo sobre o avanço da agenda econômica no Congresso, e Edson Fachin sorteado novo relator da ação da Lava Jato no STF.

 

FECHAMENTO

Ibovespa fecha em queda após a definição dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados.

 

ABERTURA

Vendas no varejo vem acima do esperado em setembro, impasse trava ajuste de reforma trabalhista, União estuda reforma tributária simplificada. No exterior destaque para o PIB do terceiro trimestre da Zona do Euro, junto com indicadores da China que desapontaram. Reunião de principais presidentes de Banco Central do mundo é destaque externo, enquanto no campo doméstico TSE deve julgar processos de Lula e Bolsonaro por propaganda eleitoral antecipada.

 

FECHAMENTO

O Ibovespa reverteu queda na reta final do pregão e manteve os 72 mil pontos, com operadores avaliando impacto de eventual reforma ministerial sobre agenda para Previdência. Alta de 0,4%, atingindo 72.475,16 pontos.

 

MACROECONOMIA

Brasil - Vendas no varejo acima do esperado, União estuda simplificar reforma tributária.

 

Vendas no varejo surpreendem - Segundo o IBGE, em setembro as vendas no varejo subiram 0,5%, acima dos 0,3% projetados pelo mercado. No acumulado em 2017 o indicador sobe 1,3%, e no acumulado em 12 meses recua 0,6%.

As principais influências positivas foram o avanço de 1,0% nas vendas do setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, seguido por artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (4,3%) e de outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%). Por outro lado, sinalizando queda nas vendas na comparação com agosto de 2017, encontram-se combustíveis e lubrificantes (-0,7%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-3,4%), ambos registrando o terceiro recuo seguido. Considerando o comércio varejista ampliado, as vendas avançam 1,0% em relação a agosto, na série com ajuste sazonal, também influenciada pelo avanço de 0,5% em Material de construção, enquanto as vendas de Veículos, motos, partes e peças registraram recuo de 0,4%, após crescimento de 3,0% no mês anterior.

 

Impasse trava ajuste da reforma trabalhista - Um impasse político atrasa o ajuste de pontos da reforma trabalhista. Enquanto o governo Michel Temer defende a edição de MP para alterar alguns trechos da nova Consolidação das CLT, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, quer um PL para que o Congresso debata o tema e não sirva apenas de carimbador do texto do Planalto.

 

União estuda reforma tributária simplificada - O governo estuda fazer uma simplificação na reforma tributária. Em vez de criar um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para reunir tributos da União, estaduais e municipais em um só, o plano alternativo em estudo prevê apenas dois tributos federais. Assim, a União arrecadaria da indústria apenas na saída do produto acabado e, do varejo, somente na venda ao consumidor final. O ICMS permaneceria, mas PIS, Cofins, IPI, Cide e ISS seriam eliminados. E tudo seria controlado por meio do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), que integra as notas fiscais eletrônicas. Antes da produção, não haveria tributação para a indústria, mas o setor também deixaria de ter direito à compensação de créditos. Já a tributação do varejo seria partilhada com os municípios, para substituir o ISS. O principal objetivo da PEC também é simplificar o atual sistema, mas, com a extinção de 10 tributos (IPI, IOF, CSLL, PIS, Cofins, salário-educação, Cide-Combustíveis, ICMS e ISS), que seriam substituídos pelo IVA e o Imposto Seletivo.

 

Julgamentos em destaque - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá julgar processos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-SP), ambos acusados de propaganda eleitoral antecipada.

 

Mercados internacionais - PIB da Zona do Euro e indicadores da China em destaque.

 

Bolsas europeias e Nova Iorque sem direção única - As principais bolsas da Europa e os futuros de Nova Iorque iniciam a semana mostrando volatilidade em meio a quedas do euro e da libra em relação ao dólar e os balanços corporativos, em dia de agenda de indicadores relativamente fraca. Os investidores seguem atentos à reforma tributária nos EUA. Nesta segunda-feira, o Comitê de Finanças do Senado começa a debater o projeto de reforma tributária elaborado pelos senadores republicanos (18 horas). Além disso, durante a semana, o plenário da Câmara dos Representantes vota a proposta de reforma tributária elaborada pelos deputados republicanos.

 

PIB da Zona do Euro avança 0,6% - Segundo a Eurostat, o PIB da Zona do Euro subiu 0,6% no terceiro trimestre ante o segundo, e cresceu 2,5% na comparação anual. Resultados confirmaram a expectativa do mercado. Na Alemanha a atividade cresceu 0,8% ante o segundo trimestre.

Indicadores na China desapontam - Foram apresentados hoje a produção industrial, as vendas do varejo e investimentos em ativos fixos na China. As vendas do varejo subiram 10% em outubro na comparação anual, abaixo dos 10,5% aguardados por investidores. Os investimentos em ativos fixo desaceleraram no período, avançando 7,3% após alta de 7,5% em setembro. Por fim, a produção industrial avançou 6,2% em outubro ante o mesmo período do ano passado, em linha com as estimativas.

 

Bolsas asiáticas em queda - Mercados asiáticos encerram a terça-feira em queda, impactados por indicadores da China abaixo do esperado. O Xangai Composto recuou 0,53%, enquanto o Shenzhen Composto caiu 0,95%. Na Oceania, o S&P/ASX 200 teve perda de 0,93% em Sydney. O Nikkei ficou estável, enquanto o sul-coreano Kospi cedeu 0,15% em Seul, e o Hang Seng teve baixa de 0,10% em Hong Kong

 

PPI dos EUA na agenda do dia - No exterior os presidentes dos principais bancos centrais do mundo participam de evento em Frankfurt (8h). O presidente da distrital de St.Louis do Federal Reserve, James Bullard (sem direito a voto nas reuniões de política monetária), discursa (11h15). Nos EUA, o Departamento do Trabalho divulga o índice de preços ao produtor (PPI) de outubro (11h30) e depois serão revelados os estoques de petróleo bruto (19h30). O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, participa de evento onde discutirá a reforma tributária com empresários do Estado (15h).

 

PAINEL CORPORATIVO

Petrobras 3T17 - receita acima do esperado, Ebitda e Lucro abaixo devido a itens não recorrentes; neutro

O destaque positivo do resultado é decorrente do fluxo de caixa positivo, aliado a redução do endividamento da companhia, que saiu de 3,23x Dívida Líquida/Ebitda ajustado para 3,16x. No 3T16 esse mesmo indicador tinha sido 3,93x.

Voltando a falar do fluxo de caixa, o acumulado em 2017 x 2016, apresenta um crescimento de 26%. No acumulado de 2016, janeiro à setembro, somou R$ 29,8 bi, já em 2017, o acumulado somou R$ 37,5 bi, devido a melhora na geração de caixa e redução nos investimentos. Outro destaque positivo foi o pré-pagamento da dívida, gerando uma melhora nos custos da companhia, com redução nas despesas financeiras, e também, analisando médio prazo, o alongamento do prazo e necessidade de novas emissões. Não existindo a necessidade nos próximos 3 anos. A receita da companhia veio acima das expectativas, atingindo R$ 71,8 bi, enquanto as projeções beiravam R$ 66,7 bi. Já o Ebitda veio abaixo das expectativas. A empresa reportou um Ebitda de R$ 19,2 bi, enquanto a expectativa era de algo mais próximo a R$ 22 bi. A explicação para esse menor número é decorrente do reconhecimento de provisão para contingências judiciais, que somaram R$ 1,061 bi no 3T17, além de impairment no valor de R$ 222 MM e do aumento nos gastos com participações governamentais. Aliado a isso, as despesas com Refis somaram R$ 900 MM. O total de contingências somou R$ 2 bi, expurgando esses itens não-recorrentes, o resultado operacional viria em linha com as expectativas de mercado. Em suma, resultado foi impactado por itens não recorrentes, mas vale ressaltar a melhora no fluxo de caixa, a redução na alavancagem financeira e o crescimento da receita. No lado negativo, os itens não-recorrentes, seguem impactando o resultado da companhia, que já vislumbra o pagamento de dividendos. Seguimos otimistas com o case da Petrobras, principalmente, na gestão da companhia, focada na redução do endividamento, venda de ativos e na melhora do retorno da empresa.

 

Eletrobras 3T17 - crescimento no Ebitda; lucro líquido impactado negativamente pelas distribuidoras

A receita líquida gerencial da Eletrobras atingiu R$ 7,6 bi no 3T17, crescimento de 16% no a/a e em linha com o esperado. O Ebitda gerencial atingiu R$ 1,4 bi, +71% na comparação anual. O lucro líquido foi de R$ 550 milhões no trimestre, queda de 37% em relação ao 31T6. O número foi impactado principalmente pela contabilização da remuneração da Rede Básica Sistemas Existentes (RBSE) em valor menor que o ano passado, devido ao início do recebimento dos valores em agosto de 2017. Sem os efeitos não recorrentes, o lucro foi de R$ 449 milhões, o que representa um avanço de 267% na comparação anual e em linha com o esperado. O resultado líquido das distribuidoras impactou negativamente o resultado da companhia, com prejuízo líquido de ~R$ 1,1 bi no 3T17. Em relação ao reportado no terceiro trimestre de 2016, no entanto, as perdas no segmento diminuíram ~20%.

 

Odontoprev: aquisição da Odonto System reforça presença no Nordeste

A Odontoprev anunciou a aquisição da Odonto System, prestadora de planos privados de assistência odontológica com sede em Fortaleza. O múltiplo da aquisição será equivalente a 9,0x EV/Ebitda (ajustado de 2017), enquanto ODPV3 negocia a 18,2x EV/Ebitda 2017. Além do pagamento da data de fechamento do contrato, a Odontoprev pode pagar quantias variáveis em 2019 e 2020, dependendo do futuro atingimento de metas do Ebitda ajustado da Odonto System. Nos 12M até junho deste ano, a Odonto System registrou Ebitda ajustado de R$ 17,7 mi, e receita líquida de R$ 97,6 mi. Esses números representam menos de 10% do total registrado pela cia. A aquisição visa reforçar a participação regional no Nordeste e mantém compromisso de liderança no setor de planos odontológicos no Brasil.

 

Sanepar: adesão mínima para formação de units é de 40% das PN

O Conselho de Administração da Sanepar definiu ontem que o porcentual mínimo de adesão para implementação do programa de emissão de certificados de depósitos de ações para a formação de units é de no mínimo 40,00% das ações preferenciais em circulação.

Comentário do Analista - Ultrapar

Mesmo após reportar resultados em linha com as expectativas e até uma pequena retomada no volume de combustíveis comercializado, as ações de Ultrapar apresentaram queda forte, underperformando o índice em aproximadamente 5,6% no mês. Tendo em vista que combustíveis representam parte relevante do faturamento da companhia (> 80%), ii) a correlação desse segmento com a atividade e iii) o posicionamento forte de Ipiranga no mercado, acreditamos que a queda das ações tenha aberto uma assimetria para os papéis no curto prazo. Segue abaixo um breve comentário do último resultado:

 

Ultrapar 3T17 - A Ultrapar também reportou os números referentes ao terceiro trimestre do ano. Os números vieram em linha nas linhas de receita e Ebitda, e levemente acima no lucro. A receita consolidada cresceu 6% em relação ao 3T16, atingindo R$ 20,5 bi. O Ebitda ficou em R$ 1,2 bi, 20% na comparação anual. O lucro ficou em R$ 556 mi (46% a/a). Ipiranga foi um dos destaques do resultado. Após sete trimestres de queda consecutiva nos volumes, o volume total de combustível cresceu 2%, acompanhando a gradual retomada da economia e o melhor desempenho nos segmentos de atacado. O Ebitda do segmento cresceu 21%, alavancado principalmente pela alavancagem operacional.

 

Rumo - A Rumo reportou números saudáveis no 3T17. É importante destacar o crescimento de 18% no volume transportado no trimestre, além da constante melhora operacional ao longo do ano (margem cresceu ~4 p.p. só no 3T17), e despesas financeiras mais leves com a queda dos juros. Ainda vemos espaço para alavancagem operacional, especialmente vislumbrando cenário positivo para safras de milho e soja em 2018. Após a conclusão do aumento de capital, a alavancagem passa a ser um tópico menos preocupante (queda de 4,0x para ~2,9x dívida líquida/Ebitda), e dá fôlego financeiro adicional para prosseguir com o plano de investimentos. Além disso, vale relembrar outros tópicos importantes: i) aprovação de um empréstimo de até R$ 3,5 bi do BNDES, importante para sustentar o plano de investimentos, e ii) a renovação antecipada da Malha Paulista. Hoje a ação negocia a 8,8x EV/Ebitda de 2018, e acreditamos que tenha potencial para negociar próximo a 10x EV/Ebitda (ou R$ 14,50) em 12 meses, caso continue a entregar maior eficiência operacional, e obtenha sucesso nos outros tópicos mencionados. Em um cenário de surpresa positiva nas safras, e consequentemente nos fundamentos, antecipando a expectativa de geração de caixa livre e redução da alavancagem, poderíamos ver as ações negociando a até 10,7x, a R$ 16,00. Já um cenário de stress poderia se concretizar com safras piores que o esperado, resultando em menor alavancagem operacional, resultados mais fracos e consequentemente aumento da alavancagem (Dívida Líquida/Ebitda) e postergação da geração de caixa livre. Nesse cenário poderíamos ver as ações negociando a até 7,3x, ou R$ 9,00.

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XPI

Disclaimer

Celson Plácido

Analista, CNPI

Fonte: Análise XP e Bloomberg

Fontes dos textos: AE, Bloomberg, InfoMoney e Reuters