Reunião Matinal - Análise XP

Opinião do Analista / 17 maio 2017

Relatório oficial de emprego dos EUA (payroll) cria expectativas de alta em empregos, com criação esperada de 174 mil empregos, reforçando a chance de um Fed mais duro na alta de juros e uma Bolsa mais otimista. Na China, Bolsas fecharam em baixa após Banco do Povo da China elevar os juros da linha de crédito permanente, resultado da desaceleração do PMI industrial chinês em janeiro. No Brasil, Câmara confirma a reeleição de Rodrigo Maia como presidente da casa, representando força do governo sobre o avanço da agenda econômica no Congresso, e Edson Fachin sorteado novo relator da ação da Lava Jato no STF.

 

Fechamento

Ibovespa fecha em queda após a definição dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados.

 

Abertura

Cautela com os EUA por conta de uma ameaça de uma crise no governo Trump, após demitir um diretor do FBI, gera dia negativo para mercados pelo mundo. No exterior, dados de emprego no Reino Unido vem no menor nível desde 1975, e CPI da Zona do Euro mostra avanço. No Brasil, reforma trabalhista e Meirelles no radar, enquanto governo avalia editar outra MP para Refis.

 

Fechamento

Ibovespa subiu 0,3%, a 68.684,50 pontos, sexta alta seguida, impulsionado pelos ganhos da Vale; JBS e BRF lideraram principais contribuições negativas em pontos do índice, após nova operação da PF mencionar Minerva e com balanço decepcionante da JBS.

 

Macroeconomia

Brasil - Governo avalia editar novo Refis, reforma trabalhista no radar.

 

Governo avalia editar outra MP para Refis - O governo já considera reeditar uma nova MP para o Refis, parcelamento de débitos tributários, caso não seja possível resgatar a essência do Programa de Regularização Tributária (PRT). O prazo da MP termina no próximo dia primeiro de junho e o contribuinte que já aderiu ao programa durante a sua vigência terá o direito ao parcelamento. A estratégia será discutida internamente nesta quarta-feira pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, com a sua equipe.

 

Reforma trabalhista e Meirelles no radar - A agenda de quarta-feira tem como um dos destaques a reunião do presidente Michel Temer com os presidentes das comissões no Senado para tratar da reforma trabalhista e fechar o calendário de votações (16h). O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, participa em Brasília do segundo dia da marcha em defesa dos municípios, que debaterá a pauta municipalista no Congresso (8h30). O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, participa à tarde de evento, fechado à imprensa, do Fundo Monetário Internacional (FMI) para apresentação do relatório "Regional Economic Outlook (REO)". O Banco Central oferta até 8 mil contratos de swap cambial tradicional (US$ 400 milhões) para rolagem de vencimentos de junho (11h30).

 

Mercados internacionais - Noticiário negativo em torno de Trump derruba mercados.

 

Mercados no campo negativo com maior aversão a risco - O noticiário negativo em torno do presidente dos EUA, Donald Trump, pressiona os futuros das Bolsas de Nova Iorque e as europeias, gerando uma migração de recursos para ativos considerados mais seguros, como o iene e os Treasuries. Nos últimos dias, a mídia nos EUA divulgou que Trump compartilhou informações confidenciais durante encontro com autoridades russas na Casa Branca, na semana passada, e que teria pedido ao ex-diretor do FBI James Comey que encerrasse uma investigação sobre o ex-assessor de segurança nacional Michael Flynn. As notícias levantaram dúvidas sobre a capacidade de Trump de aprovar amplas reformas no Congresso mais adiante.

 

CPI da Zona do Euro avança - O CPI da Zona do Euro subiu 1,9% em abril ante abril de 2016, vindo de uma alta de 1,5% no mês de março. Resultado veio em linha com a expectativa do mercado. A inflação na Zona do Euro ficou em linha com a meta do BCE, que é de uma taxa ligeiramente inferior a 2,0%. Na comparação mensal, alta de 0,4%.

 

Taxa de desemprego do Reino Unido cai ao menor nível desde 1975 - No Reino Unido, a taxa de desemprego surpreendeu analistas e recuou para 4,6% no trimestre até março, ante previsão de 4,7%. Com isso foi atingido o menor nível desde meados de 1975.

 

Produção industrial do Japão em queda - A produção industrial do Japão registrou uma recuo de 1,9% no mês de março ante fevereiro. No trimestre até março, a produção da indústria japonesa aumentou 0,2%, assegurando o quarto ganho trimestral consecutivo.

 

Bolsas asiáticas recuam - Incertezas em torno da do presidente Donald Trump abalaram os mercados asiáticos. O índice Nikkei caiu 0,53% em Tóquio. O chinês Xangai Composto recuou 0,27%, enquanto o Hang Seng teve queda de 0,17% em Hong Kong, e o sul-coreano Kospi registrou baixa de 0,10% em Seul. Na Oceania, a Bolsa australiana recuou 1,1%.

 

Trump na agenda externa - Nos EUA, saem os estoques do Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) de petróleo bruto (11h30). O presidente dos EUA, Donald Trump, faz discurso na Academia da Guarda Costeira. No Japão, será divulgado o PIB do primeiro trimestre (20h50). Na China, sai o índice de preços de moradias da China referente a abril, às 22h30.

 

Petróleo avança - Às 9h10 o Brent para julho avançava 0,66% na ICE, a US$ 51,99 por barril, enquanto o WTI para junho avançava 0,47% na Nymex, a US$ 48,89 por barril.

 

PAINEL CORPORATIVO

Ambev: dividendos

A companhia anunciou dividendos de R$ 0,16/ação, a serem deduzidos do resultado acumulado de 2017 com base no balanço extraordinário de 30 de abril de 2017. O pagamento será feito a partir de 17/07, com base na posição acionária de 23 de junho. As ações e os ADRs passarão a ser negociados ex-dividendos a partir de 26 de junho.

O Conselho de Administração da companhia aprovou ainda celebração de contratos de troca de ativos financeiros, ou swap, com bancos que ainda serão definidos pela diretoria. Nestas operações, a Ambev ou empresas controladas receberão pela variação das ações ou ADRs da própria companhia, e pagarão a variação de juros, sejam eles referenciados no CDI ou na taxa Libor.

Em Fato Relevante, a empresa informa que a liquidação do equity swap ocorrerá em até 18 meses a contar de hoje, com exposição de até 80 MM de ações ON, das quais parte ou o total podem ser ADRs. O valor total dos contratos será limitado em R$ 1,5 bi. Segundo a Ambev, o objetivo é neutralizar eventuais efeitos da oscilação no preço das ações, por conta da política de remuneração da companhia.

 

JBS: mudanças nas políticas comerciais?

Fontes do mercado do boi gordo disseram ao Broadcast Agro terem recebido comunicação da JBS de que passará a comprar gado com pagamento em 30 dias e não mais à vista. A companhia teria informado aos pecuaristas que aqueles que optarem por pagamento imediato devem descontar Notas Promissórias Rurais (NPR) nos bancos onde possuem conta corrente - neste caso, a depender da instituição, eles terão desconto sobre o valor. A JBS não confirma a informação. Ao Broadcast disse, em nota, que não comenta suas políticas comerciais por questões estratégicas. "A companhia informa, ainda, que suas operações seguem dentro da normalidade dos negócios."

As operações de venda de gado nas modalidades à vista e a prazo são comuns no mercado físico do boi gordo e a opção por uma ou por outra depende de condições específicas de cada negociação.

No 1T17, por exemplo, a Minerva afirmou ter sido necessário aumentar as compras à vista de gado para manter a dinâmica do mercado durante a Operação Carne Fraca - desconfiados, pecuaristas só aceitavam receber no ato. Com isso, a Minerva acabou usando mais capital de giro nas aquisições de bois para abate.

A presidente do Bndes, Maria Silvia Bastos Marques, constituiu uma comissão de apuração interna para avaliar todos os fatos relacionados às operações realizadas pelo sistema Bndes com a JBS.

 

Petrobras: direito de preferência

A empresa afirma que o seu corpo técnico avalia a possibilidade e o interesse da companhia de exercer o direito de preferência para atuar como operadora nas áreas oferecidas nos leilões para exploração e produção no pré-sal. Segundo a estatal, que explicou que o esclarecimento se refere a notícias veiculadas na mídia sobre o tema, a empresa submeterá suas recomendações à diretoria executiva e ao Conselho de Administração, nos "prazos legais".

O ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, afirmou que a Petrobras já teria sinalizado ao governo a intenção de exercer seu direito de preferência de operar algumas áreas oferecidas nos leilões para exploração e produção no pré-sal. Segundo o ministro, a sinalização foi informal e a estatal não especificou se exercerá a preferência na segunda ou na terceira rodada do pré-sal, agendadas para este ano.

 

ThyssenKrupp e Tata Steel: fusão

As ações do grupo industrial alemão ThyssenKrupp operam em forte alta no mercado alemão, ampliando ganhos de ontem, em meio a esperanças renovadas de que a empresa feche um acordo de fusão com a siderúrgica indiana Tata Steel. Em fevereiro, a ThyssenKrupp anunciou a venda da CSA, localizada no Rio de Janeiro, por 1,26 bi de euros. Hoje cedo, as ações da ThyssenKrupp operavam em alta de 4,3% na Bolsa de Frankfurt, depois de subir 4,12% nos negócios de ontem.

 

Valid: bonificação de ações

A empresa informou que foi aprovada a bonificação de ações a razão de 10%, que corresponderá à emissão de 6.475 mil novas ações ordinárias, sendo uma nova ação ON para cada 10 ações ONs possuídas pelo investidor com um custo unitário de R$ 25,28. As ações ficaram "ex-direito" à bonificação nesta terça-feira e os novos papéis serão creditados até 19/05.

.

Disclaimer

Celson Plácido

Analista, CNPI

Fonte: Análise XP e Bloomberg

Fontes dos textos: AE, Bloomberg, InfoMoney e Reuters.