Reunião Matinal - Análise XP

Opinião do Analista / 17 Julho 2017

Relatório oficial de emprego dos EUA (payroll) cria expectativas de alta em empregos, com criação esperada de 174 mil empregos, reforçando a chance de um Fed mais duro na alta de juros e uma Bolsa mais otimista. Na China, Bolsas fecharam em baixa após Banco do Povo da China elevar os juros da linha de crédito permanente, resultado da desaceleração do PMI industrial chinês em janeiro. No Brasil, Câmara confirma a reeleição de Rodrigo Maia como presidente da Casa, representando força do governo sobre o avanço da agenda econômica no Congresso, e Edson Fachin sorteado novo relator da ação da Lava Jato no STF.

 

FECHAMENTO

Ibovespa fecha em queda após a definição dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados.

 

ABERTURA

Semana começa com investidores empolgados com dados da economia chinesa acima do esperado, afastando qualquer dúvida sobre uma desaceleração mais forte no ano. Ainda no exterior, confirmação de que inflação da Zona do Euro desacelerou desaponta. Semana conta com decisão do Banco Central Europeu, Banco do Japão e negociação do Brexit no radar. No Brasil, Boletim Focus mostrou IPCA, câmbio e Selic em queda, em semana que terá início o recesso parlamentar, IPCA-15 de julho.

 

FECHAMENTO

Ibovespa Vale e Petrobras sustentaram avanço moderado do Ibovespa, que teve a maior alta semanal do ano. Alta de 0,40%, 65.436,18 pontos.

 

MACROECONOMIA

Brasil - Temer busca novos ministros, produtividade em queda, IPCA e Selic recuam no Focus.

 

No recesso, Temer pretende definir pastas vazias e nova agenda positiva - O período de recesso parlamentar deve contar com novidades vindas do Planalto. A primeira movimentação vai na direção de preencher os dois ministérios vagos atualmente, Cultura e Transparência. Roberto Freire deixou o Ministério da Cultura, logo depois que veio à tona a revelação da gravação do presidente com o empresário Joesley Batista, da JBS, no dia 17 de maio. Temer pode ainda escolher um nome para o Ministério da Transparência, que ficou vago com a saída de Torquato Jardim para o Ministério da Justiça, no fim de maio. O presidente Michel Temer também orientou a equipe econômica para que busque novas agendas que ativem a microeconomia, já que essas teriam um efeito também sobre a sociedade. Nesta semana, o presidente viaja para Mendonza, na Argentina, onde o Brasil vai assumir a presidência do Mercosul em uma reunião do grupo.

 

Produtividade encolhe 5% em três anos - Segundo o Ibre, a produtividade total dos fatores (PTF) recuou pelo terceiro ano consecutivo em 2016, fechando em baixa de 1,9%. Desde 2014, houve uma retração de 4,8%. Um dos responsáveis pelas estimativas, o pesquisador Samuel Pessôa, acredita em mais uma queda em 2017, embora mais moderada. Ao falar da queda da produtividade, Pessôa lembra que a medida tem um caráter pró-cíclico - tende a aumentar mais em períodos de crescimento e a recuar mais quando a economia encolhe. "Isso ocorre porque não há medidas precisas da utilização dos fatores de produção [capital e trabalho]", diz ele. "Quando se está na alta do ciclo econômico, o uso dos fatores tende a ser subestimado; na baixa, a ser superestimado."

 

IPCA-15 são destaques locais - A agenda de indicadores e de eventos desta segunda-feira traz a balança comercial semanal (15h). Ao longo da semana saem a segunda prévia do IGP-M (quarta-feira); IPCA-15 de julho (quinta-feira); e nota do setor externo (sexta-feira). Também deve ser conhecidos a geração de emprego do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e a arrecadação de impostos, sem data definida.

 

Focus: IPCA, Selic e câmbio em queda

 

Mercados internacionais - dados da China surpreendem e impulsionam Bolsas.

 

Bolsas avançam em Nova Iorque e Europa - Mercados iniciam a semana no campo positivo tanto na Europa, quanto em Nova Iorque, impulsionados por dados positivos da economia chinesa e em parte pela alta nos preços de petróleo. Além disso os investidores monitoram a segunda rodada de negociações do Brexit em Bruxelas em semana de decisão de política monetária do Banco Central Europeu.

 

Inflação ao consumidor da Zona do Euro desacelera - O CPI da Zona do Euro desacelerou da alta de 1,4% em maio para um avanço de 1,3% na comparação anual de junho. O resultado confirmou a estimativa preliminar e veio em linha com a expectativa de analistas. A inflação na Zona do Euro também se afastou mais da meta do BCE, que gira em torno de 2,0%. Em relação a maio, o CPI da região ficou estável em junho, apenas o núcleo do CPI do bloco registrou alta de 1,1% na comparação anual de junho e subiu 0,2% ante o mês anterior.

 

PIB da China vem acima do esperado - No 2 trimestre de 2017, o crescimento econômico na China manteve o ritmo, avançando 6,9% na comparação anual, impulsionado pelo comércio exterior. O resultado veio acima dos 6,8% projetados por investidores. Na comparação com o primeiro trimestre, o PIB chinês avançou 1,7% entre abril e junho, considerando-se ajustes sazonais.

 

Produção industrial e vendas no varejo da China avançam - Também foi divulgada a produção industrial da China, que cresceu a um ritmo mais acelerado em junho, alta de 7,6% na comparação anual, vindo de um avanço de 6,5%, valor que também era a expectativa do mercado. Na comparação mensal, a produção industrial cresceu 0,81% em junho, ante 0,51% no mês anterior. As vendas no varejo saltaram 11% em junho, na comparação anual, ante 10,7% em maio. Na comparação com o mês anterior, as vendas em junho cresceram 0,93%, ante avanço de 0,86% em maio. Por fim, foi apresentada a produção de petróleo bruto da China, que ficou em 4 milhões de barris por dia no primeiro semestre do ano, 5,1% menor que em igual período de 2016.

 

Bolsas asiáticas fecham sem direção única - Os mercados asiáticos iniciaram a semana em direções diferentes, com as da China registrando perdas, pressionados por um tombo em ações de pequenas empresas, após uma conferência financeira concluída no fim de semana sinalizar que Pequim está determinada a reforçar seu controle da economia. Além disso, houve uma série de alertas negativos de lucros de empresas com baixa capitalização. O índice Xangai Composto fechou em baixa de 1,43%, enquanto o Shenzhen Composto teve queda de 4,28%. Em outras partes da Ásia, no entanto, o PIB chinês ajudou a garantir ganhos. O Hang Seng avançou 0,31% em Hong Kong. O sul-coreano Kospi subiu 0,43% em Seul. No Japão, a Bolsa de Tóquio não operou devido a um feriado nacional. Na Oceania, o S&P/ASX 200 caiu 0,17% em Sydney.

 

PAINEL CORPORATIVO

Petrobras: desinvestimentos, política de preços, produção e BR Distribuidora

Segundo a Folha, a Petrobras deve acelerar seu processo de parcerias e desinvestimentos e comunicar a venda de outros ativos nos próximos meses, principalmente a partir de setembro. A companhia anunciou um novo reajuste de preços nos combustíveis. Segundo a estatal, será feito um aumento do preço médio nas refinarias em 0,7% para a gasolina e em 0,8% para o diesel. A nova política de revisão de preços foi divulgada pela petroleira no dia 30 de junho. Com o novo modelo, a Petrobras espera acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores.

Produção - A companhia divulgou uma produção média de petróleo no Brasil em junho de 2,2 MM de barris por dia, 0,6% superior na comparação com maio.

A produção total de petróleo e gás natural da companhia em junho somou 2,81 MM de barris de óleo equivalente por dia, dos quais 2,7 MM boed produzidos no Brasil. A produção de gás natural no Brasil, excluído volume liquefeito, somou 80,3 MM de m³/dia, alta de 1,8% frente a maio.

Oferta BR Distribuidora - A empresa informou que não há decisão sobre extensão da oferta da BR Distribuidora. Foram debatidos diversos cenários, mas não houve deliberação específica acerca da extensão da oferta, que dependerá de condições estratégicas e de mercado, diz a Petrobras, em comunicado de esclarecimento ao mercado. O regulamento de listagem do novo mercado, ao qual a BR pretende aderir, exige que o mínimo de ações em circulação seja de 25%.

 

JBS: venda no Canadá

A companhia informou que sua subsidiária indireta, a JBS Canadá, fechou um acordo para a venda de sua operação de confinamento e de uma fazenda adjacente, localizados em Brooks, no estado de Alberta, no Canadá, à MCF Holdings. O valor da transação foi de cerca de US$ 40 MM. De acordo com fato relevante divulgado pela JBS, o acordo de venda prevê que a MCF continuará fornecendo gado para a unidade de produção de carne bovina da JBS Canadá, em Brooks. A conclusão da transação, acrescenta o comunicado, está condicionada à aprovação pelas autoridades competentes.

Além disso, o Conselho de Administração da companhia autorizou acordo para estabilização e renegociação de dívidas do grupo de alimentos e proteína animal com bancos credores.

O acordo foi aprovado para ser realizado com os bancos Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander Brasil, BNP Paribas Brasil, HSBC Brasil, Rabobank, Banco Mizuho do Brasil, Citibank, Industrial and Commercial Bank of China, Bank of China (em Nova Iorque), além do Deutsche Bank e com a Cargill. Esse acordo prevê "a substituição das operações de dívida celebradas com os bancos ou prorrogação das parcelas de principal", segundo ata da reunião realizada na sexta-feira passada. Já um acordo de "renegociação" foi aprovado com o Itaú Unibanco, armou a JBS no documento sem dar mais detalhes.

 

Oi: assembleia de credores - vale monitorar

Segundo o Valor, na contagem regressiva para a sua assembleia de credores, prevista para setembro ou outubro, a Oi enfrenta reveses nas suas duas mais importantes mediações instauradas dentro do processo de recuperação judicial. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) - maior credor individual da operadora - quer pôr fim ao processo de mediação com a operadora estabelecido pela Justiça, conforme indica uma petição datada de 29 de junho. O reescalonamento da dívida de R$ 11 bi com a agência reguladora é considerado essencial para a sobrevivência da Oi.

Outra frente de mediação - com credores que teriam até R$ 50 mil a receber - está paralisada.

 

Comgas: Shell e Cosan negociam permuta de ações da Comgas, segundo o "Valor Econômico"

O valor da transação deve ficar abaixo do valor de mercado estimado em R$ 1 bi, segundo a reportagem, que cita pessoas não identificadas familiarizadas com as negociações.

A Cosan pode receber mais de R$ 200 MM da Shell e o acordo deve ser fechado em breve. A Cosan disse ao Valor que não vai se manifestar sobre a negociação em curso com a Shell.

 

Cemig: venda da Light

A companhia informou que assembleias de acionistas da Rio Minas Energia (RME) e da Luce Empreendimentos (Lepsa) decidiram pelo início de um processo de venda do bloco de controle da Light. As duas empresas são veículos financeiros por meio dos quais a Cemig detém participação indireta na Light. Além da Cemig, são sócios da RME e da Lepsa o Banco do Brasil, o Santander e a BV Financeira, segundo informações do site da Light. A Cemig anunciou no final de junho que seu Conselho de Administração aprovou o início de processo para a venda da totalidade da fatia da empresa na Light, como medida de um amplo programa de desinvestimentos da elétrica mineira que visa a reduzir dívidas.

 

OdontoPrev: decisão

A empresa tomou conhecimento de trânsito em julgado da decisão que lhe garante não recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre remunerações dos credenciados, prestadores de serviço e beneficiários, disse a empresa em comunicado ao mercado. O montante estimado atualizado bruto da ação é de R$ 303 MM, disse a companhia.

 

Aéreas: agenda de medidas

Segundo o "Valor", governo deve retomar agenda de medidas para setor aéreo, com pelo menos cinco iniciativas: teto para ICMS sobre querosene, fim do limite ao capital estrangeiro, acordo céus abertos com EUA, novas concessões de aeroportos e início de atividades da Asas, parceria da Infraero e Fraport.

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XPI

Disclaimer

Celson Plácido

Analista, CNPI

Fonte: Análise XP e Bloomberg

Fontes dos textos: AE, Bloomberg, InfoMoney e Reuters.