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Reunião Matinal - Análise XP

Opinião do Analista / 19 Março 2018

Relatório oficial de emprego dos EUA (payroll) cria expectativas de alta em empregos, com criação esperada de 174 mil empregos, reforçando a chance de um Fed mais duro na alta de juros e uma Bolsa mais otimista. Na China, Bolsas fecharam em baixa após Banco do Povo da China (PBoC, o Banco Central do país) elevar os juros da linha de crédito permanente, resultado da desaceleração do PMI industrial chinês em janeiro. No Brasil, Câmara confirma a reeleição de Rodrigo Maia como presidente da Casa, representando força do governo sobre o avanço da agenda econômica no Congresso, e Edson Fachin sorteado novo relator da ação da Lava Jato no STF.

 

ABERTURA

As principais Bolsas da Europa e os índices futuros em Wall Street operam em queda, refletindo o ambiente de cautela antes da reunião de política monetária do Fed, que deve elevar na quarta-feira a taxa básica de juros locais para 1,75%. O banco central norte-americano também sinalizará seus próximos passos e investidores monitoram se colocarão 3 ou 4 altas de juros previstas para 2018. Ainda no exterior, Putin reeleito e pode completar 25 anos de poder, Xi Jingping reconduzido oficialmente na China. No Brasil, Temer inicia conversa com DEM sobre eleição, IBC-Br em queda e Boletim Focus com nova queda no IPCA.

 

FECHAMENTO

Ibovespa teve leve baixa. Fibria recuou mais de 10% e Suzano subiu mais de 21% após confirmação de fusão. Queda de 0,05%, 84.886,48 pontos; na semana -1,7%

Fibria e Suzano - Operação e órgãos antitruste; S&P eleva rating de Suzano

Eletrobras - "Valor": Dívida de ~R$ 15 bi pode gerar divergência com o Governo

Grupo Pão de Açúcar - "Valor": GPA faz mais mudanças no alto escalão

BRF - S&P rebaixa rating global

EcoRodovias - Comitê independente para a investigação foi aprovado pelo conselho

 

MACROECONOMIA

Brasil - IBC-Br recua, Focus traz IPCA menor, Temer conversa com DEM.

 

Temer inicia conversa com DEM sobre eleição - Segundo a coluna do "Estadão", o presidente Michel Temer terá sua primeira conversa com o novo comando do DEM. O tema será o futuro eleitoral da tradicional coalizão MDB-DEM. Com base em pesquisas, os demistas defendem que o candidato do grupo não represente a continuidade do atual governo. Os números indicariam que uma candidatura nesta linha estaria fadada ao fracasso devido à impopularidade de Temer. Se houver acordo, busca-se um nome viável eleitoralmente. Na reunião, o DEM vai tratar da substituição do ministro da Educação, Mendonça Filho, que deixa a pasta em abril para disputar a eleição. A definição dirá muito do rumo da aliança MDB-DEM. Se o DEM indicar um nome político para o lugar de Mendonça, significará que os dois partidos estarão juntos na eleição presidencial. Mas há a opção de entregar o cargo, iniciando o distanciamento.

 

IBC-Br em queda - Segundo o Banco Central, o IBC-Br de janeiro recuou 0,56% ante dezembro, resultado melhor que a queda de 0,8% prevista pelo mercado. O resultado de dezembro foi revisado para baixo, de 1,41% para 1,16%. Na comparação anual, em janeiro o indicador subiu 2,97%, acima dos 2,40% previstos.

 

Copom e IPCA-15 são destaque da semana - A agenda local desta semana tem como destaque a reunião de política monetária do Copom, que anuncia sua decisão sobre a taxa básica de juros na quarta-feira. Os investidores também estarão de olho no IPCA-15 de março, que será conhecido apenas na sexta-feira. Entre os eventos, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, participam da reunião do G-20 em Buenos Aires. No Supremo Tribunal Federal (STF), assuntos polêmicos como o auxílio-moradia dos juízes e o procedimento de condução coercitiva para interrogatórios são os temas em pauta nesta semana.

 

Focus - PIB e IPCA menor.

 

Mercados internacionais - Investidores aguardam Fed, Putin reeleito e Xi Jinping reconduzido em destaque.

 

Europa e futuros de Nova Iorque em baixa - As principais Bolsas da Europa e os índices futuros em Wall Street operam em queda, refletindo o ambiente de cautela antes da reunião de política monetária do Fed, que deve elevar na quarta-feira a taxa básica de juros locais para 1,75%. O banco central norte-americano também sinalizará seus próximos passos e investidores monitoram se colocarão 3 ou 4 altas de juros previstas para 2018. Na quinta-feira, é a vez de o Banco da Inglaterra (BoE) anunciar sua decisão de política monetária.

 

Superávit comercial da Zona do Euro desacelera - Segundo a Eurostat, a Zona do Euro teve um superávit comercial de 19,9 bilhões de euros em janeiro, abaixo dos 23,2 bilhões de euros registrado em dezembro. As exportações do bloco caíram 0,7% em janeiro ante o mês anterior, mas as importações subiram 1,1%. Sem ajustes, a Zona do Euro registrou superávit na balança comercial de 3,3 bilhões de euros em janeiro, revertendo déficit de 1,4 bilhão de euros observado em igual mês do ano passado.

 

Putin é reeleito com votação recorde - A Rússia reelegeu o presidente Vladimir Putin com 76,6% dos votos, um recorde desde o fim da União Soviética em 1991. Ele ficará até 2024 à frente da segunda maior potência nuclear do planeta, quando completará 25 anos de poder, 4 anos e 4 meses deles como primeiro-ministro. Em segundo lugar, veio o candidato do Partido Comunista, Pavel Grudinin, com 11,9%, seguido por Vladimir Jirinovski (Partido Liberal Democrático), com 5,7%.

 

Xi Jinping é reconduzido presidente da China - O presidente da China, Xi Jinping, foi reconduzido ao cargo de forma unânime, agora sem limites para o número de mandatos. Em cerimônia do Congresso do Povo da China, Xi foi reconduzido a mais um mandato de cinco anos. Wang Qishan, aliado de Xi, foi apontado como vice-presidente. Yi Gang foi escolhido o novo presidente do Banco do Povo da China (PBoC), substituindo Zhou Xiaochuan, que comandou o banco central chinês por uma década e meia. O Congresso também reelegeu o número dois do Partido Comunista, Li Keqiang, para o cargo de primeiro-ministro do país, mantendo-o no poder por mais cinco anos.

 

Bolsas da Ásia mistas - Mercados asiáticos iniciaram a semana sem direção única. Muitos investidores seguiram o clima de cautela na região antes da reunião de política monetária do Fed. No Japão, pesaram também preocupações com o escândalo político envolvendo a primeira-dama do país, Akie Abe. O índice Nikkei caiu 0,90% na Bolsa de Tóquio. Na China, por outro lado, o Xangai Composto subiu 0,29%, e o Shenzhen Composto avançou 0,27%. O Hang Seng teve alta de 0,04% em Hong Kong, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 0,76% em Seul. Na Oceania, O S&P/ASX 200 avançou 0,17% em Sydney, a 5.959,40 pontos.

 

Exterior tem reunião do Fed e do BoE - Principal evento desta semana, a decisão de política monetária do Federal Reserve será anunciada na quarta-feira, quando também serão apresentadas projeções para a economia norte-americana. No dia seguinte, é a vez do Banco da Inglaterra (BoE) comunicar sua decisão de juros. Entre os indicadores o destaque é a leitura preliminar dos índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) da Zona do Euro, da Alemanha e dos EUA, que serão divulgados pela IHS Markit na quinta-feira. Hoje a agenda é fraca e prevê apenas um discurso do presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic em conferência sobre reinvestimento em Miami, na Flórida, a partir das 10 horas.

 

PAINEL CORPORATIVO

Fibria e Suzano: operação e órgãos antitruste; S&P eleva rating de Suzano - O presidente da Suzano, Walter Schalka, procurou minimizar a possibilidade de que a aquisição da Fibria venha a enfrentar restrições de órgãos antitrustres ao tentar afastar a ideia de que a combinação das empresas poderá fortalecer o poder de influência do grupo na dinâmica internacional de preços. O executivo afirmou que a companhia continuará sujeita às forças de oferta e demanda que levaram à volatilidade nos preços internacionais da celulose nos últimos anos. No entanto, a operação é vista como complexa por integrantes do Cade ouvidos pelo Broadcast. Um integrante do conselho disse que a operação representará um "desafio" para o órgão, que, desde o ano passado, vem reprovando mais negócios do que em anos anteriores. Advogados ouvidos pela agência que atuam na área também disseram à reportagem que, apesar de ainda ser cedo para avaliar o impacto do negócio, a operação certamente será analisada com lupa pelo Cade e dificilmente seria aprovada sem nenhuma restrição pelo órgão antitruste.

Ainda sobre a empresa, a agência de classificação de risco S&P elevou o rating da Suzano de BB+ para BBB- com perspectiva alterada de positiva para estável, refletindo a visão da agência de que a empresa está empenhada em conter sua alavancagem dentro dos limites de sua política financeira.

 

Eletrobras - "Valor": Dívida de ~R$ 15 bi pode gerar divergência com o Governo - Uma dívida atualmente estimada em cerca de R$ 15 bilhões é alvo de divergência entre governo e a Eletrobras e pode ser mais um fator de incerteza no processo de privatização em curso. O volume, que está provisionado no balanço da companhia, se refere a uma dívida relativa à correção de empréstimos compulsórios realizados junto a grandes empresas do setor privado nos anos 70 e 80 para viabilizar a expansão da estatal no país. A Eletrobras espera que a Justiça diga que a União é solidária em 50% dos R$ 15 bilhões hoje previstos, o que liberaria boa parte desses recursos do balanço da empresa. O entendimento da estatal sobre a solidariedade da União é baseado na visão de que a dívida em questão decorre não do principal, que já foi pago nos anos 90, mas pela espiral inflacionária das décadas de 80 e 90 e pelos planos econômicos realizados ao longo de todo esse período. O valor exato da dívida é desconhecido, porque depende de uma série de decisões judiciais.

 

Grupo Pão de Açúcar - "Valor": GPA faz mais mudanças no alto escalão - De acordo com notícia publicada hoje pelo "Valor", o GPA fez novas mudanças no corpo executivo poucos dias atrás, o que levou a criação de uma outra área, unindo os negócios de drogaria, postos de combustível e proximidade. O GPA enviou uma nota para o "Valor", informando que a intenção é aumentar a sinergia entre áreas e dar mais agilidade para a tomada de decisão. Entre as mudanças, o diretor comercial foi dispensado, e substituído por um executivo que já havia ocupado esse cargo antes. Além disso, com a saída do diretor do segmento de proximidade, o atual diretor de postos e drogarias assumirá todos esses segmentos, cuja área será chamada de "formatos especiais" de acordo com a notícia. Vale relembrar que poucas semanas atrás o GPA anunciou a entrada no final de Abril de Peter Estermann como CEO do grupo, antigo CEO da Via Varejo.

BRF - S&P rebaixa rating global.

A agência de classificação de risco S&P Global rebaixou o rating em escala global da BRF de BBB- para BB+ e manteve a perspectiva negativa da nota. Em escala nacional, o rating da BRF foi mantido em brAAA, também com perspectiva negativa. A S&P aponta que os recentes eventos negativos em conjunto com um balanço mais fraco do que o histórico devem impedir que a companhia reduza significativamente a alavancagem no curto prazo. A S&P também reitera a exposição da companhia a vários riscos de curto a médio prazo que aumentaram a incerteza de sua capacidade de melhorar significativamente as métricas financeiras nos próximos 6 a 12 meses.

 

EcoRodovias: comitê independente para a investigação foi aprovado pelo Conselho - O Conselho de Administração da EcoRodovias Infraestrutura e Logística aprovou a composição do Comitê instalado para analisar e investigar de forma independente os fatos indicados no inquérito investigativo que mencionou as subsidiárias Concessionária Ecovia Caminho do Mar e Rodovia das Cataratas (Ecocataratas). O Comitê será composto por Antonio Mendes e Marcos Paulo Veríssimo. Antonio Mendes é advogado especialista em assuntos corporativos, regulação bancária e M&A. É membro do Conselho de Administração de diversas empresas e foi sócio do Pinheiro Neto Advogados. Marcos Paulo Veríssimo é advogado especialista investigações antitruste e assuntos de compliance e mercados regulados. Foi conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e professor na FGV e USP.

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XPI

Disclaimer

Celson Plácido

Analista, CNPI

Fonte: Análise XP e Bloomberg

Fontes dos textos: AE, Bloomberg, InfoMoney e Reuters.