Reunião Matinal - Análise XP

Opinião do Analista / 09 Fevereiro 2018

Relatório oficial de emprego dos EUA (payroll) cria expectativas de alta em empregos, com criação esperada de 174 mil empregos, reforçando a chance de um Fed mais duro na alta de juros e uma Bolsa mais otimista. Na China, Bolsas fecharam em baixa após Banco do Povo da China elevar os juros da linha de crédito permanente, resultado da desaceleração do PMI industrial chinês em janeiro. No Brasil, Câmara confirma a reeleição de Rodrigo Maia como presidente da Casa, representando força do governo sobre o avanço da agenda econômica no Congresso, e Edson Fachin sorteado novo relator da ação da Lava Jato no STF.

 

FECHAMENTO

Ibovespa fecha em queda após a definição dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados.

 

ABERTURA

Juros futuros caem após IPCA de janeiro recuar ao menor nível desde o plano de estabilização e dado em 12 meses contrariar previsões de que voltaria a se aproximar do piso da meta. Número baixo para padrões sazonais leva alguns analistas a considerarem que, se tendência prosseguir, BC pode manter corte de juros em março mesmo após Copom sinalizar fim do ciclo, enquanto outros economistas mantêm aprovação da Previdência como crucial. Dólar oscila acompanhando mercado externo, que segue volátil com yields em alta. Ibovespa vira e passa a cair, seguindo queda das Bolsas externas e commodities.

 

FECHAMENTO

Ibovespa perde 82 mil pontos com ações em Nova Iorque, caminhando para a 3ª queda em 4 sessões, na esteira das perdas das Bolsas americanas e com viés negativo da baixa dos preços do petróleo.

 

MACROECONOMIA

Brasil - Vendas no varejo abaixo do esperado. Temer volta a cogitar reforma após eleição

 

Vendas no varejo abaixo do esperado - O IBGE divulgou hoje as vendas no varejo em Dezembro de 2017, que registraram queda de 1,5% na comparação mensal. O número ficou abaixo da mediana das projeções, que esperava queda de 0,5% no mês. Na comparação com Dezembro de 2016, o indicador registrou alta de 3,3%, o que se compara com mediana de 4,5%. Vale destacar o efeito da Black Friday quando se compara o número de dezembro com novembro - móveis e eletrodomésticos registraram queda de 2,7% m/m, e livros, jornais e papelaria queda de 4%. O varejo restrito registrou crescimento de 2% em 2017, em linha com o piso do intervalo das projeções, mas abaixo da mediana de 2,2%. Em 2015 e 2016, esse indicador havia registrado quedas de 4,3% e 6,2% respectivamente.

 

Temer volta a cogitar reforma após eleição - Com a resistência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em pautar a reforma da Previdência caso não haja votos suficientes, o presidente Michel Temer voltou a avaliar a possibilidade de retomar a proposta em novembro, após a campanha eleitoral. Na volta do recesso parlamentar, o Palácio do Planalto recebeu a avaliação de que cresceu na base aliada a defesa de um adiamento da votação da reforma. A previsão inicial é de que o texto comece a ser discutido na Câmara no dia 19 de fevereiro e a intenção é de que seja votado até o dia 28. Pelo último cálculo feito pelo governo, há 270 votos favoráveis, número abaixo dos 308 necessários.

 

Paralisação dos EUA no foco - Nos EUA, a Câmara dos Representantes pode votar prorrogação do financiamento do governo, que reverte a paralisação da máquina pública do país, iniciada à meia-noite. Ainda nos EUA, saem os estoques no atacado de dezembro (16h) e os poços e plataformas em operação (16h). No Reino Unido, sai a produção industrial e a balança comercial, ambos de dezembro (7h30). Além disso, Reino Unido e União Europeia finalizam rodada de negociações do Brexit em Bruxelas.

 

Mercados internacionais - Paralisação dos EUA no foco.

 

Futuros de Nova Iorque em alta, Bolsas europeias em baixa - Enquanto os futuros de Nova Iorque buscam uma recuperação, após as fortes perdas de ontem em Wall Street, a maioria das Bolsas europeias opera no vermelho, em sintonia com o fechamento em baixa das Bolsas asiáticas. No radar dos investidores está a paralisação parcial do governo americano, iniciada à meia-noite nos EUA. A Câmara dos Representantes pode hoje votar a prorrogação do financiamento do governo para reverter essa situação.

 

Governo Trump sofre segunda paralisação em três semanas - O governo dos EUA, comandado pelo presidente Donald Trump, enfrenta uma nova paralisação das atividades federais em menos de um mês, à medida que o Congresso americano não conseguiu aprovar um projeto orçamentário que evitasse o fechamento da administração do republicano. A segunda paralisação do governo teve início à meia-noite de hoje em Washington (3 horas em Brasília), quando expirou o projeto de curto prazo aprovado em 22 de janeiro e que deu fim ao primeiro "shutdown" enfrentado por Trump. A medida pode ser revertida ainda hoje na Câmara dos Representantes. A expectativa é que o acordo seja aprovado por uma margem estreita, uma vez que líderes republicanos se esforçam para convencer deputados mais conservadores a apoiar o projeto.

 

Mercados da Ásia têm pior semana em anos - As Bolsas asiáticas encerraram nesta sexta-feira sua pior semana em anos, diante de uma nova onda vendedora pela região que veio após os mercados acionários de Nova Iorque sofrerem um novo tombo ontem, de cerca de 4%, em meio a preocupações com o futuro aperto da política monetária pelo Federal Reserve. A madrugada também foi marcada pela segunda paralisação parcial do governo Trump em três semanas, iniciada à meia-noite. O Xangai Composto fechou em baixa de 4,05%, a maior queda desde 21 de agosto de 2015. O menos abrangente Shenzhen Composto recuou 3,19%. Em Tóquio, o Nikkei caiu 2,32%, acumulando queda de 8,13% na semana, a maior em dois anos. O Hang Seng teve perda de 3,10% em Hong Kong, de 9,5% na semana, a mais acentuada desde 2008. O Kospi recuou 1,82% na Coreia do Sul. A queda acumulada em Seul na semana foi de 6,4%, a maior desde maio de 2012. Na Oceania, a Bolsa australiana terminou a semana com a maior queda em dois anos, de 4,6%. Apenas hoje, o S&P/ASX caiu 0,89% em Sydney. Às 7h22, o dólar avançava a 109,13 ienes, de 108,70 ienes no fim da tarde de ontem.

 

CPI e PPI da China dentro do previsto - O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da China avançou 1,5% em janeiro ante o mesmo mês de 2017, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas do país. Em dezembro, o CPI havia subido 1,8%. Os ganhos de janeiro vieram em linha com a estimativa média de economistas. No mês passado, os preços de alimentos caíram 0,5% na China, na comparação com o janeiro do ano passado. Na comparação mensal, o CPI avançou 0,6% em janeiro ante dezembro. Já o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da China subiu 4,3% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2017, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas do país. Em dezembro, o PPI havia subido 4,9%. A leitura veio em linha com a estimativa. Na comparação mensal, o PPI chinês subiu 0,3% em janeiro ante dezembro, quando o índice havia subido 0,8% na comparação com novembro.

 

PAINEL CORPORATIVO

Usiminas - Resultados fortes. Receita acima e Ebitda marginalmente abaixo. Melhor entendimento entre os principais acionistas (controladores) pode trazer leitura positiva adicional para o papel. Viés positivo.

Seguem os principais destaques da Usiminas referentes ao 4T17 e ao ano de 2017.

• Volume de vendas de aço de 4,0 milhões de toneladas;

• Volume de vendas de minério de ferro de 3,7 milhões de toneladas;

• Ebitda Ajustado consolidado de R$2,2 bilhões e margem de Ebitda Ajustado de 20,4%;

• Caixa em 31/12/17 de R$2,3 bilhões;

• Capital de giro em 31/12/17 de R$2,8 bilhões;

• Investimentos de R$216,2 milhões.

• A receita líquida do 4T17 foi de R$3,1 bilhões (consenso tinha expectativa de R$ 2,8 bilhões), contra 2,7 bilhões no 3T17, uma elevação de 12,4% devido ao maior volume de vendas nas Unidades de Siderurgia e Mineração, destacando-se o aumento de 8,6% na receita de siderurgia e de 287,3% nas exportações de minério de ferro.

• O Ebitda Ajustado do 4T17 foi de R$450,4 milhões (consenso era de R$ 458 milhões), contra R$452,8 milhões no 3T17.

• A margem de Ebitda Ajustado no 4T17 foi de 14,6% contra 16,5% no 3T17.

A Usiminas continua sendo um dos principais veículos que será beneficiado pela recuperação da atividade econômica local e da região (América Latina). Se olharmos para a geração de caixa operacional, o indicador apresentou expansão de quase 5x neste trimestre em relação ao mesmo período de 2016. Temos acompanhado revisões consecutivas de expectativas e na Usiminas não deverá ser diferente. Um grande exemplo é a expectativa de venda e produção de veículos para este ano, que segundo representante do setor, deve ser superior a 2017, e pode superar a casa dos 13% de expansão.

Em tempo: ontem a Usiminas publicou fato relevante sinalizando que seus principais acionistas controladores estão com maior entendimento. É uma ótima sinalização de que ambos deverão pensar a Usiminas de forma coordenada, visando o benefício para todos os acionistas.

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Lojas Renner 4T17 - Resultados fortes, mas levemente abaixo do esperado

A Lojas Renner reportou crescimento sólido nos principais indicadores, coroando um ano positivo e com tendência de crescimento consistente. No entanto, alguns dos indicadores ficaram levemente abaixo do projetado pelo consenso. As vendas em mesmas lojas (SSS) cresceram 8,7% no 4T17, totalizando crescimento de 9,2% no ano. A receita líquida total (varejo+financeiro) atingiu R$ 2,45 bi, com forte crescimento de ~16% na comparação anual, e em linha com o consenso. Já o Ebitda fechou o trimestre em R$ 603 mi (+6% vs 4T16), o que se compara com consenso de R$ 651 mi. Por fim, o lucro líquido fechou o trimestre em R$ 332 mi, crescimento de 11% mas cerca de 10% abaixo do consenso.

Principais destaques:

• Na operação de varejo vale destacar a expansão de 1,2 p,p, da margem bruta, que reflete um fluxo maior de clientes e a assertividade nas coleções e gestão de estoques. O lucro bruto do segmento ficou em R$ 1,27 bi (+18% vs 4T16). No entanto, os indicadores foram contrabalanceados com despesas operacionais 23% maiores no 4T17, fruto de maiores despesas com projetos em andamento, marketing e provisionamento. Assim, o Ebitda da operação fechou o tri em R$ 528 mi, +4,5% a/a.

• O resultado de produtos financeiros cresceu ~21% no tri, em ~R$ 76 mi, e representou 12,5% do Ebitda da companhia (+1,4 p.p. no ano). Perdas em crédito em relação à receita apresentaram redução no geral. O ticket médio da cia. aumentou 2,4% no 4T17.

• Resultado financeiro líquido caiu 44% no trimestre, fruto principalmente do menor endividamento e menor custo da dívida. A alavancagem fechou o ano em 0,45x dívida líquida/Ebitda (vs. 0,7x em 2016).

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Eletrobras - Acionistas aprovam privatização das distribuidoras

Os acionistas da Eletrobras aprovaram, em assembleia realizada na tarde de ontem, a privatização de seis distribuidoras de energia administradas pela estatal e que ficam em estados do Norte e do Nordeste. Foram colocadas à venda: Amazonas Distribuidora de Energia; Boa Vista Energia; Centrais Elétricas de Rondônia; Companhia de Eletricidade do Acre; Companhia Energética de Alagoas; e Companhia de Energia do Piauí. Eles aceitaram ainda a proposta de que a empresa assuma R$ 11,2 bilhões em dívidas das distribuidoras com a própria estatal, além de outros R$ 8,5 bilhões em créditos e obrigações que essas empresas têm com fundos do setor elétrico. Caso os R$ 8,5 bilhões acabem virando dívida, a Eletrobras assumirá um passivo de R$ 19,7 bilhões.

Vale destacar que, segundo o "Valor", o governo traçou uma estratégia com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para acelerar a votação do projeto de lei que prevê a privatização da companhia. Após a proposta passar pelo crivo da comissão especial, ganhará regime de urgência para seguir diretamente ao plenário. O relator, deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), disse ao jornal que a expectativa do governo é que a proposta seja votada no plenário até abril, para então seguir ao Senado.

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Gol - Prévia de janeiro mostra aumento consistente na demanda e crescimento na ocupação

A Gol publicou os números prévios de tráfego de janeiro. No primeiro mês do ano, a taxa de ocupação dos voos ficou em 83,5%, ante 83,2% em janeiro de 2017. No acumulado em 12 meses, a taxa chegou a 79,8%, ante 77,6% em 12 meses até janeiro do ano passado. A oferta de assentos da Gol, representada pela sigla ASK, teve crescimento de 4,9% mês passado, enquanto a demanda (RPK) registrou alta de 5,2%. O número de decolagens no mês cresceu 3,8%, e o número de passageiros transportados subiu 2,4%. Em 12 meses, a oferta teve variação de 1,6%, enquanto a demanda cresceu 4,4%.

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Suzano - Empresa contrata operação de pré-pagamento de US$ 750 mi

A Suzano contratou uma operação financeira de pré-pagamento de exportação, estruturada na forma sindicalizada, no valor de US$ 750 milhões, com prazo de cinco anos e três anos de carência. Os recursos obtidos serão utilizados para a liquidação de operação contratada em 14 de maio de 2015, no valor de US$ 600 mi, bem como para o financiamento de operações de exportação. A operação traz redução do custo, alongamento do prazo médio e elimina covenants financeiros.

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Klabin - Eleição de CFO interino

O Conselho de Administração da Klabin elegeu, interinamente, Cristiano Cardoso Teixeira, diretor geral da companhia, como diretor Financeiro e de Relações com Investidores. Ele acumulará as funções até a eleição do novo diretor Financeiro e de RI. Eduardo de Toledo, que ocupava esta função, renunciou ao cargo.

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XPI

Disclaimer

Celson Plácido

Analista, CNPI

Fonte: Análise XP e Bloomberg

Fontes dos textos: AE, Bloomberg, InfoMoney e Reuters