Retomada? Talvez no segundo semestre

Conversa de Mercado / 12:48 - 2 de jan de 2009

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O ano de 2008 foi daqueles para se esquecer em termos de investimento. Já 2009 começa com alta do Ibovespa logo na primeira hora de pregão. Ganho este que ainda não pode ainda ser comemorado. Daqui para frente, o mercado será marcado pela cautela dos investidores e analistas ao projetarem os preços alvos e expectativas para as ações. Não há consenso entre os especialistas sobre uma estimativa para o Ibovespa. As projeções são as mais variadas possíveis, o que mostra que todo cuidado é pouco. O fato é que os economistas já têm dado os primeiros seis meses do ano como praticamente perdidos. As esperanças ficam para o segundo semestre, diante da expectativa de retomada da economia e a queda das taxas de juros ao redor do mundo. O primeiro passo, no entanto, é o retorno da credibilidade dos agentes econômicos. O importante a ressaltar é que a volta da oferta de crédito vem da credibilidade. Foi do setor financeiro que a crise veio à tona, e deve ser através dele que a situação se normalizará. Da crise de confiança vem a seca de recursos externos. Há também outras razões para esperar que ao menos os primeiros seis meses do ano sejam difíceis. A falta de confiança, além de prejudicar setores completamente dependentes do crédito, como o automobilístico e o de construção civil, faz com que haja a redução do consumo de uma forma geral. Com o investidor mais retraído, há a queda das vendas de commodities - grande parte das empresas com ações listadas no Ibovespa é produtora de commodities, vide as siderúrgicas, a Vale e a Petrobras. No mercado interno, nossos bancos mostram-se sólidos e as operações de fusão e compras não estão relacionadas com os problemas externos. No entanto, a escassez de linhas de financiamento externo faz com que haja uma seletividade maior para os empréstimos. Assim, as empresas que precisam de crédito sofrem pelo encarecimento e escassez dos recursos. O brasileiro também sente a crise nos financiamentos de novos imóveis e veículos. Não existe mais crédito fácil. Quem está tentando vender seu automóvel usado, por exemplo, sente isso na prática. Mas 2009 está aí. Anos como este, que começam repletos de desafios, acabam melhor do que os iniciados repletos de otimismo, como 2008. Esperamos que esta seja a equação a marcar 2009, e que a cautela seja apenas para evitar uma nova crise e não o início de uma piora de cenário. Janeiro começa com a torcida para que julho chegue logo! Pescador fanático Quando não está debatendo as novas regras contábeis ou a adaptação das empresas às mudanças para o IFRS, padrão contábil internacional já adotado em mais de 100 países, Francisco Papellás prefere o retiro do campo e se dedica à pesca. O auditor, que no último dia 31 deixou a presidência do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), diz que é um apaixonado pela profissão mas também um "fanático" pela pesca. Tanto que montou um tanque em seu sítio no interior de São Paulo somente para se dedicar à pesca. E é lá que ele gosta de passar os fins de semana, estudando as mudanças de normas, cuidando das plantas ou simplesmente ouvindo o canto dos sabiás. "Também adoro viajar, mas custa tempo e dinheiro. Nos últimos dois anos decidi tirar um mês inteiro de férias para viajar", conta. Na última, Papellás conheceu o Leste Europeu. No Ibracon, sua gestão foi voltada para tornar o instituto mais conhecido para o público. "Apesar de não termos conseguido atingir todos os nossos objetivos, considero o balanço da gestão positivo, pois agora as pessoas relacionadas com o mercado já conhecem o Ibracon e o papel do auditor. Há três anos, nossa profissão era praticamente desconhecida", afirma. Um dos grande passos dados pelo instituto foi a divulgação do processo de convergência das normas contábeis aos padrões internacionais. "Estamos metidos neste processo até o pescoço", explica. O próximo objetivo é fazer com que seja feita a tradução das normas internacionais para o português, e levar à frente o processo educacional. "É um projeto ambicioso. Estamos buscando patrocínio junto ao Banco Interamericano para isso", ressalta. O projeto é estimado em US$ 2,5 milhões. O Ibracon também deve passar a realizar cursos de treinamento à distância. "Já fizemos alguns eventos, mas atingimos o varejo. Agora precisamos fazer a educação no atacado", explica. O desafio fica para a próxima gestão, que deve ser escolhida em breve pelo conselho do Ibracon. Vale tem potencial de valorização de 60% Mesmo com projeções mais conservadoras, os analistas da Ágora Corretora acreditam que as ações da Vale têm potencial de valorização de 60% e recomendam a compra dos ativos, em especial as ações ordinárias. Segundo o relatório, o patamar atual dos papéis da companhia embute a expectativa de que o preço do minério de ferro despenque 49% neste 2009. No entanto, a expectativa da Ágora é de que a commodity perderá cerca de 28%, o que torna o desconto corrente embutido nos papéis exagerado - e reforça sua sugestão. "É importante mencionar que nossa recomendação de investimento se baseia em um cenário de médio e longo prazo, dada a expectativa de volatilidade nos primeiros meses do ano em função das incertezas acerca da intensidade e duração da desaceleração da economia mundial", diz o documento. Bank of America conclui compra da Merrill Lynch Se esta notícia fosse dada no início de 2008, todos acreditariam que estaríamos loucos, mas a crise financeira norte-americana tornou os processos de aquisições no sistema financeiro comuns e necessários. Quem diria que o Bank of America anunciaria no primeiro dia do ano a conclusão do processo de compra da Merrill Lynch por US$ 50 bilhões, criando assim o maior conglomerado financeiro dos Estados Unidos, com cerca de US$ 2,7 trilhões em ativos? O acordo prevê a troca de 0,85 ação do Bank of America por cada uma da Merrill Lynch.

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