Reintegra aguarda resgate dos exportadores brasileiros

Negócios Internacionais / 17 Julho 2017

De acordo com levantamentos da Becomex, uma empresa especializada no gerenciamento integrado na área tributária e operações internacionais, dos R$ 19 bilhões que o governo esperava devolver às empresas brasileiras exportadoras por meio do Programa Reintegra, apenas metade (R$ 9,5 bilhões) foi resgatada, mesmo em tempos de crise. A outra metade ainda está lá na Receita, esperando as empresas exportadoras do Brasil requisitarem esse benefício fiscal. Em vigor desde 2011, o Reintegra é um mecanismo criado pelo governo para devolver uma parcela dos impostos pagos na cadeia produtiva às empresas exportadoras de bens manufaturados no Brasil. Como sugere o nome, tem por objetivo reintegrar valores referentes a custos tributários residuais existentes nas cadeias de produção. Assim, a pessoa jurídica produtora e exportadora de bens manufaturados no País, poderá reaver parcial ou integralmente o resíduo tributário existente na sua cadeia de produção. “O crédito proveniente do Reintegra é um recurso extra, um ‘dinheiro novo’ esperando ser resgatado, o que pode impactar positivamente nos resultados da empresa”, explica o vice-presidente de Operações da Becomex, Rogerio Borili. Antes de solicitar os créditos do Reintegra a empresa precisa fazer uma apuração correta dos dados, de acordo com Rogério. Para isso, em vez de procurar a terceirização dessa operação com parceiros da área jurídica ou da área de TI, o ideal é que se busque uma parceria completa, que possa garantir uma operação com compliance e com soluções de tecnologia feita sob medida, e que atenda às particularidades de cada empresa.

 

Superávit do agronegócio atinge US$ 8,12 bi

As exportações brasileiras do agronegócio atingiram US$ 9,27 bilhões, em junho, superando em 11,6% o valor registrado em igual mês do ano anterior. Do lado da importação, houve crescimento de 6,1%, passando para US$ 1,16 bilhão em junho deste ano. O superávit comercial do agronegócio brasileiro elevou-se de US$ 7,22 bilhões para US$ 8,12 bilhões, sendo o segundo maior resultado da série histórica para meses de junho, abaixo apenas do valor de junho de 2014, quando foi de US$ 8,40 bilhões. As vendas foram lideradas pelo complexo soja (grão, farelo e óleo), cujas vendas atingiram US$ 3,96 bilhões. O valor significa acréscimo de 8,1% sobre o que foi registrado em igual mês de 2016. Este segmento representou 42,7% do total das exportações do agronegócio no mês.

 

Exportações de calçados crescem no semestre

Contrariando os prognósticos do início do ano, carregados com a crise econômica e a instabilidade política – que tinha efeitos diários no câmbio – as exportações brasileiras de calçados cresceram no primeiro semestre do ano. Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), entre janeiro e junho foram embarcados 59,36 milhões de pares que geraram US$ 528,8 milhões, números maiores tanto em pares (2,5%) quanto em receita (17%) no comparativo com igual período do ano passado. Somente no mês seis foram embarcados 10,2 milhões de pares que geraram US$ 87,4 milhões, altas de 9,8% e 4%, respectivamente, no comparativo com o mesmo mês de 2016.

O presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, destaca que o número surpreende positivamente. “Os números, felizmente, quebraram o nosso prognóstico, que no início do ano era melhor para o mercado interno do que para as exportações, visto a instabilidade do câmbio”, avalia.

 

Argentina e Brasil querem evitar bitributação e evasão

A Argentina e o Brasil deverão assinar protocolo que atualiza acordo para evitar a bitributação de produtos e a evasão fiscal entre os dois países, na próxima Cúpula do Mercosul – bloco composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai –, que ocorrerá em 21 de julho, em Mendoza, Argentina. O anúncio foi feito em declaração dada à imprensa pelo ministro das Relações Exteriores e Culto da República Argentina, embaixador Jorge Faurie, que está no Brasil em reunião de trabalho com o ministro Aloysio Nunes Ferreira. “É uma coisa muito importante para os interesses dos dois países, para facilitar operações. Queremos concretizar cooperações técnicas e similares”, diz Faurie. “O Brasil é o primeiro destino das exportações argentinas e, portanto, estamos interessados em que flua bem, [tanto as exportações], quanto as importações que chegam do Brasil”, acrescenta. Os dois países já possuem um acordo para evitar a bitributação e a evasão fiscal, o documento assinado será uma atualização.

 

Móveis de Minas nos Emirados e Arábia Saudita

Os móveis da indústria M. Brasil Artes e Objetos são vendidos em lojas em Jeddah e Riad, na Arábia Saudita, e em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A empresa mineira, cuja marca é Louis Kazan, exporta para a Inglaterra e a Ucrânia, além dos dois países árabes. A comercialização para Moscou, na Rússia, também está começando, segundo informações fornecidas à ANBA por um dos sócios da empresa, Luiz Mário Gomes de Moura. A M.Brasil foi fundada em 1998 e a entrada no mercado externo se deu dez anos depois, quando uma lojista norte-americana viu os móveis em uma loja no Brasil. Ela os levou para os Estados Unidos e abriu dois pontos de varejo, um em Nova York e outro em Los Angeles, com comercialização exclusiva da Louis Kazan. Foi em Los Angeles, ainda em 2008, que um empresário árabe viu as peças e resolveu levá-las também para a Arábia Saudita.

 

Brasil amplia venda de minério ao Oriente Médio

As exportações brasileiras de minérios aos países árabes renderam US$ 564,5 milhões no primeiro semestre, um aumento de 133% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). O minério de ferro e seus concentrados responderam pela totalidade das vendas deste grupo à região nos seis primeiros meses de 2017. O principal destino foi Omã, onde a mineradora Vale tem uma usina de pelotização de minério, armazéns e um terminal marítimo. Os embarques para lá somaram US$ 267,5 milhões, um crescimento de 131% sobre o primeiro semestre de 2016. Em segundo lugar aparece o Bahrein, com importações equivalente a US$ 129,5 milhões, um avanço de 227% na mesma comparação.

O Egito ficou na terceira posição, com US$ 87,5 milhões, um acréscimo de 74,5% sobre o período de janeiro a junho do ano passado. Os Emirados Árabes Unidos vêm em seguida, com US$ 46,8 milhões, contra zero nos seis primeiros meses de 2016. Na quinta colocação aparece a Líbia, com importações de US$ 33 milhões, um aumento de 146%.

 

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